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Anny Meisler, fundadora da LZ, transformou uma conversa casual antes de um podcast na B3 em negócio, fornecendo mobiliário para um evento da Bolsa e, depois, vendendo peças para seus escritórios.
Com experiência e inspiração herdadas dos pais e avós, Anny construiu um grupo de design multifacetado, expandindo recentemente para São Paulo, maior mercado imobiliário do país. O portfólio da LZ abrange grandes empresas de diversos segmentos.
Focada em design autoral e produção exclusiva, a LZ investe em parcerias industriais para garantir qualidade e escalabilidade. Anny, além de empresária, é mãe de três, madrinha de projeto social e consolida a escuta ativa como chave para o sucesso da LZ.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Recentemente, a fundadora e CEO do ecossistema de design LZ, a carioca Anny Meisler foi convidada para participar de um podcast na B3, em São Paulo. Como sempre faz, ela observou tudo com atenção; ouviu a todos com interesse. E o que começou como uma conversa despretensiosa, momentos antes do início da gravação, virou um negócio.
Poucos dias depois da gravação do podcast, a Bolsa de Valores e a plataforma Steal the Look realizariam um evento, mas faltava o mobiliário. Em menos de 72 horas, Anny montou o mobiliário do encontro. Mais do que isso: a B3 comprou todas as peças da LZ para seus escritórios. Como costuma dizer a empresária, “a oportunidade encontra quem está preparado”. E ela está sempre pronta.
Aos 41 anos, a empresária comanda hoje um grupo de design, focado em curadoria, desenvolvimento de produtos e mobiliário completo, com atuação em cinco frentes: corporativa (LZ Corp, desde 2009), varejo (LZ Studio, 2012), infantil (LZ Mini, 2017), arte (LZ Arte, 2018) e planejados (LZ Sob Medida, 2023).
Agora, ela acaba de desembarcar a LZ na capital paulista, com um escritório boutique para arquitetos e incorporadoras, um espaço dedicado à cocriação.
São Paulo é hoje o epicentro de um boom imobiliário — mais de 70 mil novos imóveis por ano, crescimento médio anual de cerca de 10% no segmento residencial, líder no país em lançamentos e vendas de médio e alto padrão e responsável por 40% de todo o mercado nacional. “É, portanto, a maior oportunidade de expansão da história da LZ”, diz Anny, ao NeoFeed.
No portfólio de clientes da LZ, estão gigantes dos mais diversos setores. São construtoras e incorporadoras, como Cyrela, Gafisa, Tegra, Mozak, Multiplan e BRMalls. Empresas do mercado financeiro, a exemplo de BTG Pactual, XP, Opportunity e B3. Ou do setor de saúde, como Rede D’Or, Casa de Saúde São José e o Hospital São Vicente.
A lista é grande e inclui ainda FGV e Escola Eleva (educação); Globo e Record (comunicação); Marriott, Belmond e Fasano (hotéis); Coca-Cola, TBG e o megaconjunto residencial Ilha Pura, na Barra da Tijuca, além de escritórios de arquitetura e design.
O desenvolvimento do retrofit do Clube de Regatas do Flamengo é exemplar do cuidado e dedicação de Anny. Para renovar as instalações do time carioca, ela foi para a Espanha conhecer as instalações do Real Madrid — um dos melhores do mundo e, como diz a torcedora do Fluminense, “onde está fervendo”.
“Eu quero oferecer mais do que o cliente espera de mim”, afirma Anny. Ela quer ir além da curadoria de mobiliário e decoração: quer ser curadora de lifestyle. Para a diretoria do Flamengo, está indicando até os restaurantes.
Quando Anny diz que “a mágica acontece quando você deixa o cliente ser o protagonista”, não é um slogan: é memória de família. É a escuta como legado.
Da mãe, Claudia, as histórias de uma alta executiva de uma empresa de pecúlio, na liderança de equipes majoritariamente masculinas — um tempo em que chefes mulheres eram ainda mais raras do que hoje.
Do pai, Mario, dono de uma indústria de piscinas de fibra de vidro, Anny herdou o entusiasmo pelo empreendedorismo. Menininha de tudo, aos 6, 7 anos, ela sempre o acompanhava ao trabalho.
“Anny, para você vai ser mais difícil”, dizia ele. “Eu tenho um irmão mais velho e meu pai não fazia isso com o filho”, lembra a empresária. “Ele fazia isso comigo. Foi genial.”
Essa herança tem permitido à empresa crescer de forma consistente ao longo dos últimos 16 anos. A empresária vem intensificando a atuação do grupo em design autoral, produzindo peças exclusivas por meio de um ecossistema de aproximadamente 20 fábricas parceiras, cada uma especialista em um segmento — estofados, marcenaria e metal, por exemplo.
“Em parte dessas operações, a LZ faz aportes diretos. Uma forma de ampliar a capacidade produtiva, garantir exclusividade, regularidade e velocidade e modernizar processos”, afirma Anny. “Esse modelo híbrido, combinando curadoria e investimentos industriais, tem sido decisivo para sustentar nosso crescimento.”
Um marco desse movimento é a linha Tropicando, da LZ Mini. “A coleção representa exatamente o futuro da LZ: linhas próprias, escaláveis e conectadas ao comportamento do mercado”, afirma Anny. “E isso é só o começo. Já temos outras em desenvolvimento.”
Enquanto crescia na fábrica de seu pai e cursava administração, Anny ouviu de um mestre de obras que um dos maiores entraves no final de uma construção era o mobiliário. Um monte de fornecedor, cada um trabalhando à sua maneira. O problema era a logística. E lá foi ela estudar o assunto.
Formada, trabalhou por três anos na TIM. Só então partiu para o próprio negócio. E, em 2009, nasceu a LZ, cujo nome foi inspirado na palavra “lazer”.
Mas o machismo não dá trégua. Frequentemente, quando ela comenta sobre os negócios, querem logo saber: “E os filhos?”. “Não fazem essa pergunta para os homens”, indigna-se a mãe de Nick, de 13 anos, Tom, de 10, e Kiki, de 8.
É também comum que o marido, Rony Meisler, seja cumprimentado pelas conquistas profissionais da empresária. Outro dia, ele foi ao Flamengo e, em tom de pilhéria, ouviu: “Como é que você, vascaíno, mobiliou o Flamengo?”. Ao que ele respondeu: “Cara, eu não tenho nada a ver com isso, não”. É tudo coisa de Anny — e só dela.