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6,5 Trilhões? É só para o “Cafezinho e a Gorjeta”

Meus caros, no apagar das luzes deste ano que já se despede, naquele recinto de arquitetura arrojada que carinhosamente apelidamos de WonderLand, nossos incansáveis representantes — exaustos, imagino eu, de tanto zelo pela coisa pública — finalmente aprovaram o Orçamento de Pindorama para 2026. E, vejam só, não estamos falando de trocados.
A peça orçamentária prevê, com a precisão que só os nossos “astrólogos” da economia conseguem ter, a bagatela de 6,5 trilhões de reais. É um número tão vasto, tão cheio de zeros, que o cérebro humano comum, acostumado a contar moedas para o pão, tem dificuldade em processar a grandeza da cifra.
A meta fiscal é uma obra de arte do abstracionismo: busca-se um superávit de 34,2 bilhões, que será considerado um sucesso retumbante se o déficit for zero (segurem o riso, por favor, a etiqueta exige compostura) ou se o saldo positivo chegar a 68,6 bilhões. Ou seja, a meta é um alvo móvel, desenhado numa parede de gelatina.
Deste oceano de dinheiro, a maior parte — 6,3 trilhões — vai para os orçamentos fiscal e da seguridade social. Mas o que salta aos olhos, com o brilho de um néon em beco escuro, é a fatia destinada ao “serviço da dívida”. Estamos falando de 1,82 trilhões de reais. Sim, 28% de todo o esforço nacional será drenado exclusivamente para pagar juros. É o dízimo mais caro da história, pago no altar do sistema financeiro.
E então chegamos à parte tragicômica, aquele momento em que a realidade flerta com o escárnio. No meio dessa dança de trilhões, reservou-se um “troco de pão” para as famosas emendas parlamentares: 61 bilhões de reais.
Deste montante, 37,8 bilhões são as chamadas “emendas impositivas”. Para o leitor não iniciado nos mistérios de WonderLand, explico: são ordens de pagamento que o Executivo é obrigado a acatar. É uma ferramenta poderosa, onde cada nobre parlamentar decide, com sua “sabedoria infalível”, onde aplicar recursos em seus redutos eleitorais. Pavimentação aqui, um trator ali, um posto de saúde acolá.
A imprensa, sempre diligente, gasta litros de tinta explicando a mecânica dessas emendas. Mas há um silêncio ensurdecedor sobre o protagonista dessa festa. Ninguém diz, com a clareza necessária, de onde sai esse dinheiro.
Pois bem, eu digo. O dinheiro sai do seu bolso, caro leitor. Sai do “cara pálida” que levanta cedo, do empresário que luta contra a burocracia, do trabalhador que vê seu salário corroído. Não existe mágica, não existe árvore de dinheiro nos jardins do Planalto. Todo esse valor vultoso, alocado para dívidas, emendas e custeio da máquina, brota exclusivamente da arrecadação de tributos. Nós somos os sócios majoritários dessa empresa chamada Brasil, mas somos tratados como penetras na festa dos dividendos.
E aqui deixo a pergunta, que desce indigesta como salgado de feira vencido: com um orçamento de dimensões faraônicas, por que Pindorama ainda não possui um trajeto seguro? Por que patinamos na lama da ineficiência? Por que as promessas, renovadas a cada ciclo de quatro anos como votos de casamento malfadado, jamais se materializam em qualidade de vida real?
Temos o dinheiro de uma potência, mas a gestão de um condomínio em guerra.
O ano de 2026 promete. E aos viventes destas terras tropicais, sugiro que preparem as bandagens e estoquem o iodo. A “mordida” no nosso bolso será forte, e a festa, como sempre, será paga por quem nem foi convidado.



Estado do Ceará

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