O governador em exercício de São Paulo, Felicio Ramuth (PSD), classificou nesta segunda-feira (5) o PT (Partido dos Trabalhadores) como um “partido narcoafetivo”. A declaração foi feita durante agenda em Santo Amaro, na zona sul da capital paulista.
Questionado sobre a situação na Venezuela e um possível novo fluxo migratório em direção ao Brasil, Felicio declarou que a cidade de São Paulo e outras regiões do país devem estar preparados para receber essas pessoas. Foi então que o governador em exercício emendou a crítica ao PT.
“Mas a tendência é ser justamente o contrário. Eu acredito que esse êxodo vai acabar levando aquelas pessoas, principalmente na fronteira, a retornar ao seu país, onde ele vai poder desfrutar de liberdade e vai deixar de ter aquele Estado ‘narcoafetivo’, como nosso PT, que temos aqui no nosso país. Lamentavelmente, o partido que está no poder aqui no Brasil é um partido ‘narcoafetivo’”, disse Felicio a jornalistas.
A CNN Brasil entrou em contato com o PT para comentar a declaração de Felicio Ramuth e aguarda retorno.
PT condena ação dos EUA na Venezuela
Horas após a ação dos EUA que resultou no último sábado (3) na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, o PT divulgou um comunicado em que condena a operação militar conduzida por Washington.
“O Partido dos Trabalhadores (PT) condena veementemente a agressão militar dos Estados Unidos da América contra a República Bolivariana da Venezuela e seu povo. Diante dos fatos divulgados, o ato se caracteriza como um sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama”, diz a nota.
Ainda segundo a legenda, o ataque norte-americano representa “uma séria preocupação para o Brasil” por compartilhar cerca de dois mil quilômetros de fronteira com a Venezuela. “A América Latina deve permanecer como uma zona de paz”, destaca a sigla.
Como os EUA capturaram Maduro em solo venezuelano?
A ação dos Estados Unidos que capturou o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, foi uma surpresa, para muitos. Mas, de acordo com fontes da agência de notícias Reuters, o planejamento de uma das operações mais complexas dos EUA recentemente estava em andamento há meses e incluía ensaios detalhados.
As tropas de elite dos EUA, incluindo a Força Delta do Exército, criaram uma réplica exata do esconderijo de Maduro e praticaram como entrariam na residência fortemente fortificada.
A CIA, a agência de inteligência americana, tinha uma pequena equipe na Venezuela desde agosto, que foi capaz de fornecer informações sobre o padrão de vida de Maduro, o que tornou a captura dele mais fácil, de acordo com fontes da CNN e da Reuters.
Duas outras fontes disseram à Reuters que a CIA também tinha um “ativo” próximo a Maduro que monitorava seus movimentos e estava pronto para identificar sua localização exata à medida que a operação se desenrolava.
Com as peças no lugar, Trump aprovou a operação há alguns dias, mas os planejadores militares e de inteligência sugeriram que ele esperasse por condições climáticas melhores e menos nuvens.
Às 22h46 de sexta-feira (2), no horário de Washington, Trump deu o aval final para o que seria conhecido como Operação Resolução Absoluta, segundo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, general Dan Caine.
Então, Trump assistiu a uma transmissão ao vivo dos eventos cercado por seus assessores na mansão de Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida.
Os detalhes do desenrolar da operação, que durou horas, baseia-se em entrevistas com quatro fontes familiarizadas com o assunto e em detalhes revelados pelo próprio Trump.
“Já fiz algumas operações muito boas, mas nunca vi nada parecido com isso”, afirmou o presidente à Fox News poucas horas após a conclusão da missão.
(Com informações de Gabriela Piva, da CNN Brasil, em São Paulo)