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Juros futuros contrariam apetite por risco e sobem com varejo forte e leilão do Tesouro | Finanças

 — Foto: Karolina Grabowska/Pexels

Os juros futuros avançaram em toda a extensão da curva a termo nesta quinta-feira, em um movimento que, embora não tão forte, contrariou a tendência positiva de outros mercados domésticos em um ambiente de apetite por risco local e no exterior. O forte avanço de 1% do setor varejista em novembro deu o tom dos negócios logo no começo do pregão, à medida que afastou a expectativa pelo ciclo de cortes da taxa Selic. Logo depois, a oferta de títulos prefixados no leilão do Tesouro Nacional exerceu pressão sobre a ponta longa da curva.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 subiu de 13,735%, do ajuste anterior, para 13,755%; a do DI de janeiro de 2028 avançou de 13,04% a 13,09%; a do DI de janeiro de 2029 anotou alta de 13,045% para 13,09%; e a do DI de janeiro de 2031 aumentou de 13,34% a 13,39%.

Com menos de duas semanas até a próxima decisão de juros do Banco Central, a alta de 1% das vendas no varejo restrito entre outubro e novembro, conforme mostrou a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada pela manhã, afastou ainda mais a chance de que o Comitê de Política Monetária (Copom) corte a Selic já no próximo dia 28.

O resultado da PMC surpreendeu os investidores, uma vez que superou até o teto das 21 projeções coletadas pelo VALOR DATA, de 0,8%, ao passo em que a mediana apontava avanço de 0,2%.

Para Andressa Durão, economista do ASA, o dado de varejo representa uma surpresa “bastante positiva” para a atividade, mas deve ser lido com cautela, uma vez que a forte expansão do setor foi impulsionada pelas vendas da Black Friday. “É necessário aguardar o [resultado do] mês de dezembro para entender se o movimento representa uma mudança de tendência ou se haverá devolução”, diz.

De qualquer forma, a PMC inspirou alguma cautela adicional dos investidores em relação ao ciclo de cortes da taxa Selic. No mercado de opções digitais de Copom, a probabilidade precificada para que os juros se mantenham no patamar de 15% este mês cresceu de 76% para 78,2%, tendo atingido a máxima de 79%.

Passada a surpresa com o dado, o leilão de 16,5 milhões de títulos prefixados ofertados pelo Tesouro Nacional hoje deu mais uma razão para as taxas desempenharem pior em comparação aos outros mercados locais nesta sessão. Segundo dados da Necton Investimentos, o órgão embute um risco no mercado (medido pela métrica de dv01) de US$ 733 mil, 4,5% maior que a média dos últimos seis meses – o que surpreendeu alguns agentes que esperavam uma atuação mais contida.

“Fiquei surpreso com o montante de risco que o Tesouro emitiu, esperava algo abaixo de US$ 600 mil”, diz um integrante da tesouraria de um banco local, que apostava em uma postura mais cautelosa a fim de deixar o mercado absorver a enorme emissão de 12 milhões de NTN-F 2037 na semana passada. De qualquer forma, ele elogiou o fato de a emissão ter sido mais concentrada em vencimentos de prazos mais curtos, a fim de não pressionar tanto o mercado.

Na visão deste participante do mercado, a renda fixa doméstica tem encontrado dificuldade para desempenhar bem neste começo de ano diante de uma demanda menor do mercado pelos títulos da dívida pública, em meio a incertezas quanto ao ciclo de cortes da Selic e o cenário eleitoral. De qualquer forma, ele interpreta o avanço das taxas como um movimento “ordenado” e que dará lugar a um rali assim que ficar claro o início do ciclo de cortes da Selic.

“O tempo joga contra um corte em janeiro, na minha visão. Mas o BC vai cortar, e quando o fizer, as posições aplicadas (que apostam na queda dos juros) vão desempenhar bem.”

— Foto: Karolina Grabowska/Pexels



Valor Econômico

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