21 de janeiro de 2026 – 15:55
#Lei Paulo Gustavo
Ascom filme “A Lenda de Keya” – Texto
A obra tem roteiro e direção de Cláudio Martins e conta com o ator Silvero Pereira no elenco
O filme “A Lenda de Keya”, primeiro longa-metragem de animação cearense com temática sobre pertencimento indigena e encantados, será lançado em 2026 pelo roteirista e diretor Cláudio Martins. A obra, que é o primeiro longa-metragem brasileiro a ter cenas com diálogos em Tupi Antigo, conta com consultores especializados e povos indígenas do Ceará. O filme recebeu apoio do Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura.
A obra conta a história de Ana (Itauana Ciribeli), uma menina órfã e teimosa, que encontra uma tartaruga encantada e ferida em meio aos arames do quintal do orfanato onde mora. Após esconder o animal, Ana percebe que seu casco tem símbolos misteriosos.
Quando a tartaruga é doada por uma falsa ONG, Ana e seu amigo Iacatan (Silvero Pereira) fogem e se lançam numa jornada que os leva a grutas ancestrais, criaturas encantadas e a um povoado escondido no coração da floresta. Lá, Ana descobre que as marcas que surgem em sua pele a ligam a uma antiga profecia. Entre perseguições, batalhas e revelações, Ana precisa aceitar quem realmente é, e entender que pertencimento não é sobre onde nasceu, mas onde é aceita e amada.
A ideia do filme “Keya” nasceu em 2020, durante a pandemia do covid-19. “Na pandemia fiquei recluso, próximo a Serra da Ibiapaba. Isso me trouxe lembranças da infância onde passava férias na casa da minha avó materna biológica. Ainda criança, percebia costumes e hábitos que ela tinha. Na adolescência, descobri e entendi que ela era indígena,” conta Cláudio, que começou a produzir animações em 2017, após estudar sobre narrativas e animações em Los Angeles.
Segundo Cláudio, na região onde a avó morava os moradores contavam muitas histórias sobre grutas, encantados e indígenas, o que ocasionou uma torrente de ideias no cineasta. Mesmo tratando-se de uma obra ficcional e com liberdade poética, Cláudio decidiu buscar entender mais sobre a cultura dos povos indígenas. Para isso, buscou a consultoria de Daniel Munduruku, autor indígena e ativista.
Em seguida, Cláudio conheceu o povo Pitaguary, na Pacatuba, Região Metropolitana de Fortaleza. Por meio da cacique dona Rosa, o cineasta foi apresentado aos artistas Leandro Lima e Thalia Yanza, que falaram sobre a importância dos grafismos para seu povo. Os dois foram convidados por Cláudio para produzir esses elementos, bastante presentes na obra.
Outro povo convidado foram os Anacés do Kauipe. Por meio do Paulo Anacé, a produção irá capturar os áudios da natureza na própria região.
Ainda, no filme, várias cenas são dialogadas em Tupi Antigo. Para isso, a produção procurou um especialista da USP para ajudar com a construção das falas dos indígenas que aparecem no filme.
A palavra “Keya”, que dá título ao filme, é conhecida em diversos povos, significando “flor sagrada”, “mãe-natureza”, “tartaruga protetora” e “abençoada”. “Essa pluralidade simboliza exatamente o espírito do filme: uma narrativa enraizada em tradições, mas que fala a todos os povos, porque carrega em si a força da diversidade humana”, explica Cláudio.
O filme conta ainda com recursos de acessibilidade como legenda para surdos e ensurdecidos, audiodescrição e Libras.
O filme “A Lenda de Keya” tem apoio do Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, via Lei Paulo Gustavo; e do Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura, via Edital de Apoio ao Audiovisual Cearense Produções — modalidade longas.
Cláudio Martins e Silvero Pereira (Foto: divulgação)
Sobre os atores principais
Itauana Ciribeli
De origem indígena, é dubladora há vinte anos, tendo dado a voz a diversas produções da Disney como “Cinderela II”, “Casa do Mickey”, dentre outras.
Silvero Pereira
Ator cearense, conhecido por papéis nos filmes “Bacurau” e “Maníaco do parque”, além das novelas da TV Globo “Pantanal” e “Força do querer”.
Sobre Cláudio Martins
Estudou narrativa e animação em 2017 em Los Angeles, Estados Unidos. Lá foi convidado para produzir um curta-metragem com o colega Pedro Paulo Araújo, brasileiro radicado nos Estados Unidos, e com participação em grandes produções. Em seguida Cláudio produziu outras curtas-metragens como “Sebastiana” e roteirizou “Juzé”, além de participações em séries e mini-séries de outras produtoras.