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Com apoio da Secult, Festival de Música Chorinho na Praia celebra cultura, formação e identidade no litoral de Cascavel

Com apoio da Secult, Festival de Música Chorinho na Praia celebra cultura, formação e identidade no litoral de Cascavel







23 de janeiro de 2026 – 16:23


ASCOM Festival de Música Chorinho na Praia


 

Grupo NewChoro realizador do evento em apresentação na segunda noite do Festival. Créditos: Arlene Nogueira

 

O Festival de Música Chorinho na Praia foi marcado por dois dias de celebração cultural à beira-mar, neste último final de semana 17 e 18, tendo como força motriz idealizadora, o grupo NewChoro, de Cascavel (CE), um coletivo formado por jovens do município, com atuação local e projeção nacional e internacional. 

Vencedor do Edital de Apoio a Festivais Culturais, da Secretaria da Cultura do Ceará, , o grupo realizou o evento com excelência, reafirmando sua maturidade artística e capacidade de gestão cultural. O festival é uma realização do grupo NewChoro e do Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, via Política Nacional Aldir Blanc. Conta com apoio do Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura. 

A iniciativa nasceu a partir das rodas de choro realizadas na Feirinha da Caponga, quando o grupo NewChoro percebeu o potencial cultural do território para algo maior. O festival, segundo o idealizador Aldeílson Freitas, é resultado de um processo construído de forma coletiva, com persistência, articulação institucional e forte envolvimento comunitário.

De acordo com Aldeílson Freitas, a viabilização do evento só foi possível por meio do acesso às políticas públicas de fomento à cultura. Após uma primeira tentativa sem êxito, a aprovação em edital permitiu que o projeto saísse do papel, somando-se ao apoio da Prefeitura Municipal de Cascavel e de secretarias parceiras. “A gente vem idealizando esse festival já há algum tempo, desde as primeiras rodas de choro que aconteceram aqui na Feirinha da Caponga. Foi ali que percebemos que tinha um grande potencial para virar algo maior”, afirmou.

O morador de Canindé, Deoclécio Guerra, que frequenta a Caponga há mais de quatro décadas, destacou a importância do festival para a valorização do chorinho e da cultura local. Apaixonado pelo gênero musical, ele afirmou que acompanhar o evento foi motivo de grande alegria e ressaltou o impacto cultural positivo para o município de Cascavel.

“Sou de Canindé, mas ando na Caponga há 40 anos. Sempre curti chorinho e hoje assistir ao festival foi uma alegria. É uma maravilha para Cascavel, traz riqueza para a nossa cultura”, afirmou Deoclécio.

O participante também parabenizou os organizadores e músicos envolvidos, desejando longevidade à iniciativa cultural. Para ele, ações como essa fortalecem a identidade cultural da região e contribuem para a continuidade do chorinho junto às novas gerações.“Parabéns ao grupo NewChoro e que esse trabalho se perpetue por muitos anos”, completou.

A força do festival também foi percebida pelo público e por profissionais da comunicação presentes. O renomado  jornalista Nelson Augusto, da Rádio Universitária da UFC, destacou o impacto cultural e simbólico do evento:

““É muito gratificante acompanhar a primeira edição de um festival como esse, que valoriza a música brasileira de qualidade, especialmente o choro instrumental, um gênero que tem pouco espaço nas emissoras comerciais. Iniciativas como essa são fundamentais, e o cuidado da organização e o acolhimento da comunidade local fizeram toda a diferença.”

Para o músico Luiz José, que se apresentou no segundo dia, o festival cria um elo fundamental de ligação da música do choro aqui no Ceará. “É emocionante ver um evento como esse pulsar tão forte no coração das pessoas. No sábado, o público foi simplesmente fantástico, o espaço ficou lotado e ultrapassou as expectativas iniciais, que giravam em torno de três mil pessoas. Estimamos cerca de dez mil pessoas presentes.”

Carlinhos Patriolino, outro artista que se apresentou junto com o grupo realizador, NewChoro, e já dividiu os palcos com diversas estrelas nacionais e internacionais da música, também comemora o festival que já nasceu grande.

 

Grupo Murmurando em apresentação na segunda noite do Festival. Créditos: Arlene Nogueira

O Festival que nasceu grande: pela primeira vez o Chorinho é protagonista no Festival de Música em Caponga 

Orquestra Cabulosa iniciou o segundo dia com muita autenticidade e ancestralidade.

Realizado nos dias 17 e 18 de janeiro, na Praia da Caponga, o festival transformou o litoral de Cascavel em um grande palco para o chorinho e outras expressões da música brasileira. Ao longo de dois dias de programação, o público acompanhou mais de 10 horas de apresentações gratuitas, distribuídas em dois palcos simultâneos, o Palco Pixinguinha, principal, e o Palco Macaúba, alternativo,  ambos nomeados em homenagem a referências simbólicas da cultura e da música brasileira. O músico Luiz José, que se apresentou no festival também avalia a dinâmica do evento:

“Isso demonstra a força do festival e o interesse do público. Quero parabenizar o NewChoro e todos que participaram, tanto no palco principal quanto no palco alternativo. A dinâmica dos palcos foi muito interessante: enquanto uma apresentação terminava, outra já começava, mantendo o fluxo contínuo de música. Parabéns a toda a organização do programa e muito obrigado.”

No total, 11 atrações entre artistas e grupos passaram pelos palcos do Festival de Música Chorinho na Praia, reunindo nomes consagrados da cena musical cearense e nacional, além de iniciativas comunitárias e formativas. A programação contou com Grupo Murmurando, Letícia Marram, Marimbanda, Orquestra Cabulosa, NewChoro com participação especial de Carlinhos Patriolino, Luiz José e Grupo, além das apresentações do Soprando Sonhos, Sedusamba, J. Bosco e Marcos Silvano, Coco do Balbino e da Orquestra Soprando Sonhos, celebrando o choro, o samba, a música instrumental e as manifestações da cultura popular em diálogo direto com o território.

Segundo Aldeilson, a curadoria artística teve como eixo central a valorização do choro e o reconhecimento dos mestres da cultura cearense, articulando tradição e contemporaneidade. Nesse sentido, o festival homenageou referências simbólicas da cultura local por meio da nomeação dos palcos, ao mesmo tempo em que reuniu atrações cearenses com projeção nacional e internacional, além de artistas e grupos da própria Caponga. “A nossa intenção foi unir o choro, valorizar os mestres cearenses e também abrir espaço para os artistas locais, que brilharam nas duas noites de festival”, explicou Aldeílson.

A resposta do público superou as expectativas da organização. Já na primeira noite, o evento ultrapassou as metas de público previstas, demonstrando forte adesão da comunidade e dos visitantes. Para o idealizador, o resultado confirma a força do festival e do território. “O público abraçou o evento. Foi um número fantástico, acima do que a gente esperava, e isso nos deixou muito felizes”, destacou Aldeilson.

Além do impacto cultural, o Festival de Música Chorinho na Praia teve forte repercussão na economia local, impulsionando feirinhas criativas, barracas de alimentação, serviços informais e o comércio da região. Artesãos, produtores locais e trabalhadores da cadeia do turismo foram diretamente beneficiados pela intensa circulação de público, reforçando o potencial do turismo cultural como estratégia de desenvolvimento sustentável, movimentando cerca de 30 mil reais.

“Estive presente nos dois dias e pude perceber o cuidado da comunidade local, a educação das pessoas, o acolhimento tanto nos locais de hospedagem quanto nos bares, restaurantes e barracas. É importante destacar também o impacto da economia criativa que gira em torno do festival. Conversando com os pescadores e moradores nativos, percebi o quanto a comunidade está preparada para receber bem quem vem de fora” , comenta o comunicador Nelson Augusto. 

Praia de Caponga transforma-se em corredor cultural e valoriza o Festival, reunindo um público em torno de dez mil pessoas.

Chorinho acessível 

A intérprete Juliana Aguiar passando toda a sensibilidade e ritmo do chorinho ao público. Créditos: Arlene Nogueira

O festival também se destacou pelo cuidado com a acessibilidade, garantindo que a magia do chorinho chegasse a todos os públicos. As apresentações contaram com transmissão ao vivo em telão e com a presença de intérpretes de Libras no palco durante toda a programação, não apenas nos momentos de cerimonial, mas também ao longo das apresentações musicais.

Durante os shows, as intérpretes Juliana Aguiar e Luana Aguiar realizaram um trabalho sensível e contínuo de musicalização em Libras, traduzindo ritmos, sensações e emoções. 

Elas descreveram o som dos instrumentos, a dinâmica das composições e a atmosfera criada no palco, permitindo que o público surdo vivenciasse a experiência completa do chorinho. Todo esse processo foi transmitido ao vivo, ampliando ainda mais o alcance e a potência inclusiva do evento.

Com uma programação diversa, acessível e conectada ao território, o festival reafirmou a praia como espaço de fruição artística, convivência e valorização da cultura popular. A presença de recursos como intérpretes de Libras, audiodescrição e estrutura adequada ampliou o acesso e reforçou o compromisso do festival com a inclusão, o direito à cultura e a democratização das artes.

Formação, políticas públicas e coletividade: o chorinho que nasce do território

O Festival contou com atrações locais como o Grupo Coco do Balbino. Créditos: Arlene Nogueira

 

A trajetória do NewChoro está diretamente conectada às ações formativas da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará), por meio dos Laboratórios da Escola Porto Iracema das Artes, onde o grupo participa de processos de formação continuada e desenvolve, de forma paralela, iniciativas culturais que fortalecem o ecossistema da música no Estado. Essa articulação entre formação, criação e circulação foi fundamental para a consolidação do Festival de Música Chorinho na Praia.

Para a artista e produtora Maria Tainara, integrante do grupo, a realização do festival representa a materialização de um sonho coletivo construído ao longo do tempo.

“Sempre foi um desejo do NewChoro trazer o chorinho de forma forte para a praia. A gente já fazia rodas mensais na orla, e o festival nasceu dessa vontade de aproximar o gênero das pessoas e do território. Foram dois dias de muito trabalho, aprendizado e emoção, com o coração transbordando gratidão”, afirma.

A realização do evento evidenciou o papel estratégico da Secult Ceará, tanto no fomento direto via Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), que garantiu os recursos para a execução do projeto, quanto na construção de um ambiente de qualificação artística e profissional. 

Esse conjunto de políticas possibilita que grupos do interior cearense alcancem novos patamares de criação, circulação e impacto social, refletindo-se na qualidade da programação, na organização do festival e no diálogo profundo com o território da Caponga.

Ao final, o Festival de Música Chorinho na Praia consolidou-se como um exemplo de como políticas públicas bem articuladas, lideradas pela Secult Ceará em parceria com o Ministério da Cultura, podem transformar iniciativas locais em grandes encontros culturais, fortalecendo artistas, territórios e comunidades, com o chorinho ecoando da Caponga para muito além do litoral cearense.

No palco, o músico Luiz José celebrou o encontro e a força coletiva que tornou o festival possível. “Desejo vida longa a esse festival. Agradeço a quem me convidou, Aldeilson do NewChoro, grande músico, grande produtor, uma pessoa humana e segura. Agradeço também à Lili Aragão, que sempre está nos apoiando. Muito obrigado a todos vocês. Agora, vamos tocar”, convidou.                              

Lugar de Mulher é onde ela quiser, inclusive no chorinho

             

  Letícia Marram outra artista em destaque na cena musical, na primeira edição do Festival.

Viabilizado por meio de edital, o festival nasce de um sonho construído coletivamente e diverso. Para Maria Tainara, a realização também reafirma a importância do apoio mútuo e da ocupação de espaços historicamente marcados pela predominância masculina no choro instrumental. Estar à frente da produção, subir ao palco e conduzir um festival torna-se, assim, um gesto de afirmação.

Foi assim a passagem da artista, ora como produtora do festival, ora artista se apresentando com o NewChoro e outros grupos. Estiveram também se apresentando no Festival as artistas  Amanda Nunes, Letícia Marram, Laídia Evangelista e Sueli Helena com muito talento e beleza.

“Poder ocupar esse lugar, produzir e tocar é muito significativo para mim. Espero que, nos próximos anos, tenhamos cada vez mais mulheres tocando choro com a gente”, destaca. Para a musicista e produtora Tainara, o festival foi também um espaço de aprendizado, marcado pela simplicidade, coragem e pela força da sintonia entre as pessoas envolvidas. 

 

Maria Tainara durante apresentação NewChoro

Ao destacar o papel do feminino no choro, Tainara chama atenção para os desafios enfrentados pelas mulheres em um espaço historicamente masculinizado.“O choro ainda é um ambiente muito masculino, e a gente passa por preconceitos simplesmente por ser mulher. Muitas vezes colocam em dúvida se combina ou não uma mulher tocando determinados instrumentos”, afirma. Mesmo diante dessas barreiras, ela ressalta a importância da presença feminina como potência estética e simbólica dentro do gênero. “A gente vai trazendo a beleza, o talento e o nosso jeito de tocar. Eu fico muito feliz e honrada em representar as mulheres no pandeiro”, completa. Tainara também expressa o desejo de que essa realidade se transforme nos próximos anos. “Espero que, daqui a algum tempo, a gente tenha cada vez mais mulheres no regional de choro tocando com a gente”, conclui.

Diante do sucesso da primeira edição, Aldeilson Freitas afirmou que a continuidade do projeto já está nos planos. “Com certeza teremos a segunda edição do Festival de Música Chorinho na Praia, aqui na Praia da Caponga”, garantiu, reforçando o compromisso de consolidar o evento no calendário cultural do município e do litoral cearense. Entre acordes e encontros, o Festival de Música Chorinho na Praia segue ecoando coletividade, pertencimento e futuro.






Secretaria da Cultura

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