Depois de passar a maior parcela do pregão com uma alta mais intensa, o Ibovespa devolveu boa parte dos ganhos perto do fechamento, em virtude da piora registrada em Nova York. Mais uma vez, a intensificação das perdas nas bolsas americanas voltou a pesar sobre o índice. O aumento da aversão a risco global também afetou em cheio ações de commodities, como a Vale e a Petrobras.
Com o forte movimento registrado na reta final do pregão, o Ibovespa encerrou longe das máximas, com leve alta de 0,23%, aos 182.127 pontos, depois de oscilar entre os 181.569 pontos e 184.017 pontos. O movimento local, no entanto, foi bem mais contido do que o visto em Nova York. Por lá, o Nasdaq cedeu 1,59%; S&P 500 exibiu baixa de 1,23%; e o Dow Jones recuou 1,20%.
Segundo um gestor, a intensificação das perdas em NY não teve um gatilho específico, mas levou a um recuo mais expressivo, especialmente de ações de commodities. Aqui, os papéis ordinários da Vale e os preferenciais da Petrobras encerraram nas mínimas, com queda de 3,33% e 1,39%, respectivamente.
Desde os primeiros minutos do pregão, as ações da Vale apresentaram um dia mais negativo. Segundo analistas, o desempenho de mineradoras globais foi afetado pelo acúmulo de estoques de minério de ferro em portos da China. Em NY, os recibos de ações (ADRs) da Vale também fecharam com queda expressiva, de 4,40%, em linha com as perdas de pares globais, como Rio Tinto Group e BHP Group, que recuaram 5,56% e 4,32%, nessa ordem.
Já blue chips de bancos fecharam mistas: as PN do Itaú Unibanco foram destaque de alta após a divulgação do balanço hoje, ao avançar 2,02%; na ponta contrária, as ON do Banco do Brasil lideraram as perdas, no valor de 2,63%, juntamente com as units do Santander, que recuaram 1,20%.
Hoje, o Itaú reportou lucro de R$ 12,32 bilhões no quarto trimestre, o que representa uma alta de 3,7% em relação ao trimestre anterior e de 13,2% na comparação anual. O resultado foi considerado acima das estimativas de consenso do mercado.
Para o Citi, a receita de tarifas da companhia superou novamente as despesas, “mostrando a disciplina de custos rigorosa do banco” e melhorias em eficiência. Além disso, o Itaú registrou uma alíquota efetiva de imposto de cerca de 31%. A projeção para 2026 sugere um lucro R$ 50,6 bilhões, 2% abaixo do esperado pela casa, apesar de uma faixa de alíquota de imposto mais alta.
Já as ações preferenciais do Bradesco fecharam em alta de 0,81%. O banco divulgará o resultado após o fechamento de hoje.
Em relatório assinado por Gustavo Medeiros e Ben Underhill, a gestora global Ashmore Group destaca que a dinâmica mais interessante na América Latina está ocorrendo no setor financeiro.
Os especialistas afirmam que as empresas passaram por um forte re-rating (reclassificação), de 1,4 vez o valor patrimonial entre 2022 e 2024 para 2,4 vezes atualmente. A gestora diz que, à primeira vista, isso pode desestimular investidores, mas que, ao observar o quadro mais amplo, chama atenção que os bancos negociaram, em média, a 3,5 vezes o valor patrimonial durante o período de forte expansão entre 2003 e 2007.
“Seria possível voltarmos a níveis estruturalmente mais elevados de preço sobre o valor patrimonial? Bancos são apostas alavancadas na economia. Se os preços das commodities voltarem a ganhar força (materiais já estão) e políticas melhores levarem a um crescimento econômico mais forte, isso é plausível. Entre 2003 e 2007, a América Latina cresceu cerca de 5% ao ano, contra 3% ao ano entre 2022 e 2024”, escrevem.
O volume financeiro negociado pelo Ibovespa chegou a R$ 25,2 bilhões e a R$ 33,3 bilhões na B3.