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O Dragão, a Onça e o Milagre do Primo Pobre

O Dragão, a Onça e o Milagre do Primo Pobre

Meus caros viventes desta Pindorama de Macunaíma.
A gente aqui, sentado em berço esplêndido, tem uma mania muito feia — e digo isso com a autoridade de quem observa a “brincadeira” de camarote. Quando a coisa desanda, a culpa é sempre de um alinhamento astrológico desfavorável. É o dólar que espirrou em Nova York, é a pressão atmosférica na nascente do Velho Chico, ou é praga de padrinho. Nunca é a nossa inapetência. Somos campeões mundiais em terceirizar a culpa.
Enquanto a gente gasta saliva e latim explicando o inexplicável, o nosso vizinho, o “Paraguái” — aquele primo que a gente sempre olhou de cima, com aquela soberba de Barão do Café falido —, resolveu parar de reclamar da vida e foi à luta. E o danado, vejam só, aprendeu a falar mandarim com sotaque guarani.
Desde a época de Solano Lopez, quando o pau cantou e a viola quebrou em 1868, aquelas bandas não viam um horizonte tão azul. E não foi milagre de Santo, não. Foi aula com o Dragão Chinês. O sujeito lá adotou a tal da Maquila. Pra quem não é versado no “economês” e esqueceu o que já redigi em outras crônicas, explico no popular: é chamar o gringo e dizer “venha, meu rei, fabrique aqui na minha casa, pague uma merreca de imposto e venda lá fora”. É a esperteza do matuto aplicada à macroeconomia.
E o resultado? Ah, meus amigos… O resultado é de fazer nossos “doutores” da economia rasgarem o diploma. O Paraguai fechou 2025 exportando 1,3 bilhão de dólares nesse esquema. O emprego cresceu 18%. Dezoito! Aqui, se o emprego cresce meio por cento, o governo solta fogos e decreta carnaval fora de época.
Mas a onça paraguaia não quer só beber água, quer o rio todo. Inventaram agora o tal “Paraguai 2X”. A meta é dobrar o PIB em 10 anos. Sair de 45 para 90 bilhões de dólares. Enquanto a gente leva dez anos para aprovar a construção de uma passarela, eles querem dobrar a riqueza nacional focando no simples: comida, metal, floresta e tecnologia. É o “arroz com feijão” bem temperado que sustenta, enquanto a gente quer inventar banquete gourmet e morre de indigestão.
O segredo do sucesso? Dizem as más línguas — e as boas também — que é uma tal de segurança jurídica. Vejam que excêntrico! Lá, parece que o combinado não sai caro. Energia barata, imposto que não mata o vivente e lei que não muda conforme o humor do juiz. O Paraguai virou a moça bonita do baile, e o investidor, que não é bobo nem nada, está tirando ela pra dançar.
Eles usam tudo: a hidrovia, o Mercosul, e até a “energia barata” (que nós ajudamos a pagar, diga-se de passagem, numa caridade muito cristã).
Aí fica aquela pergunta martelando na cabeça, igual picapau em tronco oco: Por que o Guarani, que já comeu o pão que o diabo amassou, levantou, sacudiu a poeira e está dando um baile de valsa? E nós, o gigante deitado, continuamos aqui, “patinando” na lama da nossa própria burocracia, cheios de pose, mas sem sair do lugar?
Pelo jeito, o Dragão Chinês ensinou o pulo do gato para a onça, e nós ficamos aqui, papagaiando desculpas.



Estado do Ceará

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