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Blocos simultâneos têm tumulto, foliões prensados e grades derrubadas no centro de São Paulo | Brasil

Anistia ampla, geral e irrestrita é impossível, diz relator | Política

O encontro de dois grandes blocos na mesma região no início da tarde deste domingo (8) se transformou em uma confusão em São Paulo. As grades de segurança montadas para conter o publico na rua da Consolação foram derrubadas pelos foliões que ficaram prensados por causa do excesso de público.

Pela primeira vez, a rua recebeu dois megablocos que atraem milhares de pessoas: o Acadêmicos do Baixo Augusta e a estreia do DJ Calvin Harris, em bloco patrocinado pela marca oficial do Carnaval de São Paulo.

A confusão ocorreu perto da concentração do bloco de Calvin Harris. Em suas redes sociais, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse que a gestão municipal proibiu o acesso de pessoas à região e acionou um plano de contingência. Ele disse ainda que o número de agentes da GCM e ambulâncias foi reforçado na área.

Por volta das 16h, a Policia Militar solicitou que as pessoas evitem a região da rua da Consolação.

A reportagem viu pessoas passando mal e outras gritando por ajuda dos bombeiros. Um grupo começou a escalar grades de imóveis ao redor para tentar fugir do empurra-empurra. Alguns chegaram a invadir a área externa da Escola Paulista de Magistratura.

O estudante de administração Bernardo Andrade, 23, conta que estava na esquina da Consolação com a rua Piauí, onde estava concentrado o bloco do DJ escocês, quando foi arrastado.

“Não estava nem em pé, mas estava sendo carregado”, disse o estudante, que foi ao local para ver a atração internacional e o cantor Natanzinho Lima. “Tentamos chegar bem perto do trio porque não dá para ouvir o som de longe”, contou.

Após a queda das grades, houve empurra-empurra, e a massa de pessoas fugiu para ruas transversais. A reportagem viu ao menos três pessoas sendo socorridas por bombeiros civis no meio da multidão.

Parte do público que ficou prensado tentou levantar as grades de segurança por conta própria. “Achei que fosse morrer”, disse a estudante Cíntia Santos, 22, ao lado das amigas. Ela decidiu voltar para casa depois da confusão.

O bloco patrocinado pela Skol teve dificuldade de andar e ficou parado na Consolação na altura da rua Piauí. Calvin Harris estava previsto para começar a tocar às 14h, mas só deu início depois das 15h.

Os trios pediam para as pessoas não se empurrarem e terem cuidado com quem está passando mal. Os organizadores também pediam calma à multidão. A música voltou a tocar por volta das 15h, quando os trios retomaram o trajeto.

A bióloga Giselle Meneses Vânia, 22, conta que foi embora sem ver o DJ. “A grade caiu, os seguranças disseram que a gente ia ser pisoteado. Muita gente teve crise de pânico e passou mal”, diz. “É muita falta de organização colocar um bloco desse tamanho em uma rua tão estreita”, continuou.

A Polícia Militar afirma que há “grande concentração de foliões” e que está adotando “todas as medidas necessárias para garantir a segurança e a coordenação do público”. Segundo a corporação, não há registros de feridos graves até o momento.

Em nota, o Acadêmicos do Baixo Augusta citou “falta de organização” e “não cumprimento dos horários combinados”.

O bloco atrasou a saída da rua da Consolação em mais de uma hora “por questões de segurança” devido ao excesso de público do bloco da Skol com o DJ Calvin Harris, que ocupou a mesma via.

“Com 17 anos de história, o maior bloco da cidade e um dos maiores do Brasil foi desrespeitado de forma triste e violenta, mostrando a todos uma prova clara da falta de competência para realizar o que foi proposto e do compromisso da cidade com os blocos que recriaram o Carnaval de São Paulo”, disse o bloco.

Em nota na tarde deste domingo, a prefeitura disse que “o recorde de público em bloco na rua da Consolação fez com que a administração liberasse as vias de acesso como áreas de escape e também determinou a retirada de gradis para melhorar a mobilidade dos foliões”.

Por volta das 16h, disse a gestão municipal, o “desfile transcorria na região central sem incidentes e com atenção dos agentes da GCM e da PM para garantir a segurança dos foliões. A Prefeitura informa ainda que os postos médicos operaram para o atendimento de pessoas que procuraram o serviço”.

A partir das 14h55, acrescentou a prefeitura, “foi acionado o plano de contingência com as seguintes ações: readequação das linhas de vida, abertura das transversais da Consolação para saída de público, a entrada de pessoas ao circuito Consolação foi bloqueada e a GCM assumiu a frente da linha de condução do trio elétrico para que esse seguisse sem parada”.

A decisão de colocar os dois blocos no mesmo local e dia, anunciada pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), gerou apreensão tanto para foliões tradicionais da vizinhança quanto para moradores que há anos pedem o fim dos cortejos carnavalescos no local. Já havia especialmente temor de dificuldade na dispersão das multidões que ambos podem levar para o asfalto.

Nunes conversou sobre o tema com a Folha e afirmou na oportunidade que havia estrutura suficiente para garantir a ordem e a segurança. Já a patrocinadora Ambev disse seguir as regras dos órgãos competentes.

Presidente do Conselho Comunitário de Segurança dos bairros Consolação, Higienópolis e Pacaembu, Marta Porta já havia avaliado na semana passada que o espaço é inadequado para receber multidões.

“O que prognostiquei aconteceu. A quantidade de pessoas não é suportável no espaço. Pela quantidade de problemas que poderia ter acontecido, acredito que foi minimizado porque a Polícia Militar e a Subprefeitura da Sé fizeram uma organização excepcional, melhor que a do ano passado”, disse Marta, destacando que a quantidade de pessoas superou o limite da região. “Acredito que servirá de referência para não voltar a colocar dois megaeventos no mesmo dia no ano que vem.”

Marta, que também é vice-presidente de uma associação de moradores e comerciantes da av. Paulista e entorno, diz ter sido surpreendida com o anúncio da criação da autorização de um novo megabloco na região.

“O comprometimento com o maior patrocinador do Carnaval resultou em coisas que talvez a própria organização da SPTuris e da PM não estivessem de acordo. O prefeito deve ter pensado no dinheiro primeiro e o resto seja o que Deus quiser.”

Por isso, ela afirma que vai esperar o Carnaval acabar para se reunir com os demais dirigentes da associação de moradores para reunir todo o material que tiverem, denúncias e observações dos moradores para fazer alguma manifestação ou reunião com o prefeito para levar as considerações.

A rua da Consolação está em uma área em que se permite ruído de até 65 decibéis durante o dia, o que é considerado muito permissivo, ficando abaixo apenas de áreas industriais da cidade. Mas a representante dos moradores afirma que medições realizadas no ano anterior apontaram para mais de 120 decibéis.



Valor Econômico

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