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Caso Epstein: quem são os brasileiros citados nos arquivos e o que eles dizem | Brasil

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva  — Foto: Ricardo Stuckert/PR

A divulgação dos documentos relacionados ao processo do financista e criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein fez com que vários nomes mencionados nos arquivos ficassem em evidência.

Os documentos mostram que Epstein tinha interesse no Brasil e tentava se aproximar de políticos e empresários brasileiros. Apesar disso, nem todos os nomes mencionados nos documentos tiveram contato direto com o magnata. Muitas das menções são comentários feitos em trocas de mensagens com terceiros.

Veja quem é mencionado e em que contexto:

As citações ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos arquivos não trazem menção a nenhum ato ilícito por parte do presidente brasileiro.

O presidente Lula tem seu nome citado várias vezes nos arquivos revelados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, embora na maior parte ele seja apenas citado como parte de artigos e notícias enviados a Jeffrey Epstein.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: Ricardo Stuckert/PR

Lula é mencionado em um e-mail atribuído ao filósofo Noam Chomsky. A mensagem enviada a Epstein em 2018, em um contexto no qual o magnata pede opiniões sobre um artigo opinativo que pretende enviar para publicação no jornal Washington Post para se defender de acusações.

Em determinado momento da troca de e-mails, Epstein questiona sobre o impacto da prisão na mente de uma pessoa. Chomsky, então, menciona o petista, que na época estava preso na sede da Polícia Federal em Curitiba e foi visitado pelo filósofo. Na mensagem, ele diz que Lula era o “prisioneiro político mais importante do mundo”.

Outro momento importante aconteceu quando Epstein trocava mensagens com Steve Bannon, ex-assessor e estrategista de Donald Trump, próximo da família Bolsonaro.

Epstein menciona em mensagem enviada em 2018 que Chomsky ligou para ele com Lula da prisão. A Presidência da República nega que a conversa tenha acontecido.

Os documentos não mostram contato direto do ex-presidente Jair Bolsonaro com Epstein, nem tenha participado de alguma atividade ilícita.

Epstein manteve várias conversas sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro com Steve Bannon. Em uma troca em outubro de 2018, Epstein diz que não gostava do fato de que Bolsonaro dizia ser “fake news” a associação com Bannon.

Jair Bolsonaro — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo
Jair Bolsonaro — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

Epstein diz entender o motivo de Bannon manter sua atividade por baixo dos panos, mas diz que preferia que Bolsonaro usasse um boné “MBGA”, uma referência ao slogan “MAGA” utilizado por Donald Trump, que significa “Fazer o Brasil Grande de Novo”.

Em 2018, Bolsonaro também aparece em uma conversa entre Epstein e o eslovaco Miro Lajcak, que havia acabado de deixar o cargo de Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, na qual ele diz que Bannon pretendia visitar Bolsonaro no Brasil.

O empresário Eike Batista é mencionado múltiplas vezes nos documentos, embora não haja um contato direto entre os dois nos arquivos. Entre 2012 e 2013, Epstein demonstrou interesse no empresário, com quem aparentemente manteve contato por meio do lobista britânico Ian Osborne.

Vários e-mails enviados por Osborne mencionam encontros com Eike Batista em eventos.

Eike Batista — Foto: Jorge William/Agência O Globo
Eike Batista — Foto: Jorge William/Agência O Globo

Em janeiro de 2013, Epstein contatou Osborne e pediu para que convidasse Batista para visitar sua ilha para um almoço com Elon Musk. Não há confirmação se esse encontro ocorreu.

Ao jornal O Globo, Eike Batista disse que nunca conheceu, nem nunca falou ou se encontrou com Epstein.

Os documentos também mencionam Luma de Oliveira, atriz que, à época, era casada com Eike Batista.

O arquiteto brasileiro Arthur Casas aparece nos documentos liberados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Ele foi contatado pela assistente de Epstein em 2016 para a realização de um projeto arquitetônico na ilha da qual o magnata era dono.

Arthur Casas, — Foto: Bob Wolfenson/Divulgação
Arthur Casas, — Foto: Bob Wolfenson/Divulgação

O escritório do arquiteto informou que uma equipe realizou uma visita técnica na ilha, mas que o contato não ultrapassou o limite profissional e que a contratação não avançou.

Marido do lorde britânico Peter Mandelson, o brasileiro Reinaldo Ávila da Silva aparece nos arquivos pedindo ajuda financeira ao criminoso sexual para realizar um curso de osteopatia.

Nas mensagens, trocadas em 2009, Silva detalha os custos do curso e pede 10 mil libras esterlinas (cerca de R$ 70 mil pela cotação atual). Epstein responde que faria a transferência, ao que o brasileiro responde com um agradecimento.

Além disso, em 2010, Reinaldo contatou Epstein novamente com um novo pedido de dinheiro e seus dados bancários. O financista encaminhou a mensagem a seu contador pedindo o envio de 13 mil dólares (R$ 67 mil na cotação atual) ao brasileiro.

Os documentos mostram uma relação próxima de Epstein e Mandelson, que levou à perda do cargo de embaixador do Reino Unido em Washington em setembro do ano passado.

Ao Financial Times, uma pessoa próxima a Mandelson declarou que não nenhum relacionamento entre Reinaldo e Epstein, e que ambos não mantinham boa relação.

Os documentos revelados pelo Departamento de Justiça trazem o nome da modelo e apresentadora Luciana Gimenez em um extrato bancário como beneficiária de uma movimentação financeira de fevereiro de 2019. Não há nenhuma outra menção ao nome nos arquivos.

A repercussão fez com que a apresentadora se manifestasse publicamente. Ela explica que seu banco, o Deutsche Bank, foi obrigado a fornecer dados de todas as movimentações financeiras realizadas em determinados dias à Justiça dos Estados Unidos como parte do processo de Epstein. Isso inclui até mesmo as operações que não tinham ligação direta com o financista.

Com a divulgação dos documentos do processo, o arquivo com seu nome também foi exposto. Em vídeo publicado no seu Instagram, ela diz que as movimentações não têm nada a ver com Epstein. Ela também chamou o financista de “lixo” e disse ter “repúdio, ódio e nojo”.

Luciana Gimenez também explica que a movimentação que consta no documento é de apenas US$ 22,09, e saiu de sua própria conta de investimento para sua conta-corrente. Os relatos iniciais diziam que a movimentação tinha sido de US$ 12,6 milhões, mas o valor foi resultado de uma leitura errada do documento.



Valor Econômico

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