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O 1% QUE MOVE O PIB BRASILEIRO: Enquanto 99% das empresas se financiam com dívida cara e acesso restrito a crédito, menos de 1% cresce com estrutura financeira internacional | PressWorks

O 1% QUE MOVE O PIB BRASILEIRO: Enquanto 99% das empresas se financiam com dívida cara e acesso restrito a crédito, menos de 1% cresce com estrutura financeira internacional | PressWorks

O crescimento das empresas brasileiras esbarra, historicamente, em um mesmo ponto de estrangulamento: a forma como o capital é estruturado. Não se trata de capacidade operacional, tampouco de mercado. Dados do relatório de IED (Investimento Estrangeiro Direto), de acordo com o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco, mostram que menos de 1% das empresas brasileiras concentram mais de 33% do PIB. A diferença estrutural que explica essa concentração não está no porte inicial dessas companhias, mas na forma como elas financiam crescimento. Essas empresas operam com estrutura de capital internacional, fora das limitações tradicionais do sistema de crédito brasileiro.

A DIFERENÇA ESTRUTURAL DO CRÉDITO INTERNACIONAL

O crédito corporativo no Brasil opera com prazos curtos de 6 meses a 3 anos, limites próximos a 20% do faturamento e custo financeiro entre 20% e 22% a.a. Em contraste, estruturas de crédito internacional são desenhadas a partir do projeto e do ciclo operacional, com custos entre 6% e 12% a.a, pagando apenas juros sem PMT, volumes que chegam de 50% a 250% do faturamento e prazos de 3 a 15 anos. Essa diferença não apenas reduz em até 60-70% o custo do dinheiro, como preserva liquidez, libera garantias e amplia a capacidade de investimento criando uma vantagem competitiva estrutural no crescimento do negócio.

Na prática, muitas empresas brasileiras ampliam faturamento e operação, mas veem a liquidez se deteriorar mês a mês à medida que o serviço da dívida consome grande parte do caixa. A razão é objetiva: uma parcela relevante do resultado gerado é absorvido pela despesa financeira (PMT). Em média, empresas no Brasil destinam cerca de quatro meses do ano ao pagamento de juros, amortizações e encargos bancários antes de gerar caixa livre para o próprio negócio.

O modelo de financiamento brasileiro comprime o caixa, reduz margem e limita a capacidade de reinvestimento. O crescimento existe, mas não se converte em liquidez. A empresa passa a girar mais, faturar mais e reter menos recursos, tornando-se dependente de dívida cara para sustentar o giro da operação. Estudos que utilizam bases como S&P Capital IQ e Economatica classificam como “empresas zumbis” aquelas cujo EBITDA não é suficiente para cobrir, de forma recorrente, as despesas financeiras, além de apresentarem indicadores de solvência que apontam risco elevado de inadimplência.

Nos mercados emergentes, os números já são considerados preocupantes: 7,6% das empresas são classificadas como zumbis estáticas e 5,5% como zumbis dinâmicas. No Brasil, entretanto, a distorção é significativamente maior. Cerca de 16% das empresas listadas enquadram-se como zumbis estáticas e 14% como zumbis dinâmicas, com picos que ultrapassam 20% em determinados anos, a ponto de o próprio estudo utilizar o termo “zombieland” para descrever o ambiente corporativo do país.

Em 2025, os pedidos de RJ no país cresceram 147%, sobretudo entre empresas com ativos relevantes. Em grande parte desses casos, o endividamento representa apenas 10% a 20% do valor do patrimônio imobilizado. Na prática, empresas com R$ 300 milhões em ativos são levadas à RJ por dívidas entre R$ 30 milhões e R$ 60 milhões. Apesar de manterem 80% a 90% do patrimônio livre, tornam-se ilíquidas porque o sistema de crédito doméstico bloqueia ativos, encurta prazos e interrompe qualquer reestruturação fora do Judiciário.

A Lógica de Financiamento das Empresas Internacionalizadas

Essas empresas produzem 15 a 20 vezes acima da média brasileira, como relatado na CPG, isso porque operam com uma lógica diferente de estruturação financeira. Em vez de discutir limites bancários ou renegociações pontuais, estruturam capital a partir de engenharia financeira internacional, com foco em liability management, a gestão ativa dos passivos.

Não se trata de “tomar crédito”. Trata-se de estruturar financiamento internacional para ampliar capacidade de investimento, reperfilamento de dívidas e volume robusto de capital de giro, permitindo sustentar crescimento acelerado preservando caixa e liquidez. Nesse contexto, ganha relevância o modelo de Project Finance Assets Investment, no qual o financiamento está vinculado à capacidade do projeto de gerar caixa, e não apenas ao balanço histórico da empresa. A lógica é simples: o ativo financia o projeto, o projeto gera caixa e o caixa fortalece a estrutura patrimonial. O crescimento deixa de pressionar a liquidez e passa a reforçá-la.

No modelo predominante do crédito doméstico, um imóvel avaliado em R$ 300 milhões é integralmente travado para garantir uma dívida de R$ 30 milhões. O ativo deixa de gerar valor econômico, a empresa perde liquidez e a operação fica estagnada. Já em estruturas de financiamento internacional, o mesmo imóvel é tratado como base de alavancagem. Em vez de ser imobilizado, o ativo permite estruturar R$ 100 milhões ou mais em capital, o suficiente para liquidar a dívida existente e ainda recompor caixa livre para investimento e continuidade operacional. A diferença não está no ativo, mas na engenharia financeira aplicada.

Luciano Bravo: A Estrutura por Trás do Capital Internacional

Durante décadas, o financiamento internacional esteve fora do alcance da maioria das empresas brasileiras. Não por falta de resultado, mas por ausência de estrutura técnica. Hoje, a Inteligência Comercial, da qual Luciano Bravo é CVO, atua como braço técnico e comercial em parceria com fundos de investimento na Europa e Estados Unidos, dispondo-se de € 2 bilhões em capital internacional direcionados à estruturação de operações de financiamento internacional no Brasil.

Com base nessa estrutura, Luciano Bravo atua há mais de 10 anos em operações de estruturação financeira internacional aplicadas à realidade das empresas brasileiras, viabilizando funding compatível com o porte e a necessidade real de capital, permitindo quitar passivos, recompor liquidez e viabilizar projetos de expansão fora das limitações do sistema de financiamento local.



Valor Econômico

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