Autoridades do governo dos EUA disseram nesta sexta-feira (13) que não haverá mudanças nas amplas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump sobre aço, alumínio e milhares de produtos feitos com esses metais, a menos que o próprio Trump as anuncie.
Uma autoridade da Casa Branca, respondendo a uma reportagem do Financial Times segundo a qual o governo estaria planejando reduzir tarifas sobre alguns produtos de aço e alumínio com possíveis isenções, afirmou que Trump “jamais comprometerá o fortalecimento da manufatura doméstica, que é essencial para nossa segurança nacional e econômica, especialmente a produção de aço e alumínio”.
A autoridade disse que o governo está implementando “uma agenda tarifária ágil e sofisticada” para impulsionar a produção americana nos setores de aço, alumínio e outras áreas da indústria manufatureira.
“No entanto, a menos que seja oficialmente anunciado pelo governo, qualquer reportagem sobre mudanças no atual regime tarifário é mera especulação sem fundamento”, afirmou a autoridade.
Falando mais cedo à CNBC, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que “não considero excelente a reportagem que vimos hoje” do FT, mas acrescentou que pode haver algumas modificações.
“Se algo for feito, acredito que seria algum tipo de esclarecimento sobre itens incidentais, mas, novamente, essa será uma decisão do presidente”, disse Bessent.
Um porta-voz do Departamento de Comércio dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre a reportagem do FT, que citou fontes não identificadas afirmando que o governo Trump estava revisando as tarifas e concederia isenções para alguns itens. O escritório do Representante de Comércio dos EUA também não respondeu de imediato.
A CNBC informou que o assessor da Casa Branca para comércio e manufatura, Peter Navarro — que tem defendido de forma enfática a política tarifária agressiva de Trump — disse fora das câmeras à emissora que não havia base factual para a reportagem do FT de que o governo planejava reduzir as tarifas sobre aço e alumínio.
O Departamento de Comércio supervisiona as tarifas da Seção 232, aplicadas por motivos de segurança nacional, que Trump dobrou no ano passado sobre aço e alumínio, incluindo milhares de produtos derivados feitos com esses metais, como diversas peças importadas de automóveis, maquinário e eletrodomésticos.
A especulação sobre possíveis mudanças nas tarifas surge no momento em que Trump volta sua atenção para o aumento do custo de vida dos americanos em um ano de eleições legislativas de meio de mandato.
O Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) afirmou na quarta-feira, em sua previsão fiscal anual, que os consumidores americanos estão arcando com cerca de 95% dos custos das tarifas de Trump, seja por meio de preços mais altos de bens importados ou de preços mais elevados cobrados por produtos manufaturados domesticamente.
O American Iron and Steel Institute (AISI) instou nesta sexta-feira o governo Trump a manter as tarifas sobre aço e alumínio, argumentando que a capacidade excedente de aço subsidiada por governos na China e em outros países representa uma ameaça à segurança nacional dos EUA.
“As tarifas de aço da Seção 232 impostas pelo presidente Trump são essenciais para impedir que essa capacidade excedente alimente novas ondas de importações prejudiciais ao mercado dos EUA, o que representaria uma ameaça profunda à segurança nacional americana e minaria a saúde da indústria siderúrgica dos Estados Unidos”, afirmou o presidente do AISI, Kevin Dempsey, em comunicado.