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Saúde mental entra no centro do debate sobre políticas públicas e produtividade no Brasil

24/02/2026

O avanço dos casos de ansiedade e depressão no Brasil deixou de ser apenas uma questão clínica e passou a integrar o debate econômico e social. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que o país está entre os que apresentam maiores índices de transtornos de ansiedade no mundo, cenário que impacta diretamente o sistema público de saúde, o ambiente corporativo e a produtividade nacional.

Especialistas em economia da saúde alertam que os custos associados a transtornos mentais incluem afastamentos frequentes do trabalho, queda de desempenho, aumento de gastos com tratamentos e sobrecarga nos serviços públicos. Diante desse quadro, cresce a discussão sobre políticas preventivas que integrem atividade física, educação emocional e práticas de regulação do estresse como ferramentas complementares à assistência tradicional.

No Brasil, iniciativas que unem exercício físico, yoga e meditação começam a ganhar espaço tanto em projetos comunitários quanto em plataformas digitais. A abordagem preventiva, antes vista como alternativa complementar, passa a ser considerada estratégia de médio e longo prazo para reduzir impactos estruturais.

A educadora física e professora de yoga Letícia Angelini Alves Benicio, com 18 anos de experiência e mestrado em Envelhecimento Ativo realizado em Portugal, defende que o investimento em prevenção emocional pode gerar retorno social significativo. Após uma década de atuação internacional em países como Nova Zelândia, Austrália, Irlanda e Portugal, ela voltou ao Brasil e direcionou seu trabalho para a área de saúde mental, desenvolvendo projetos voltados à prevenção da ansiedade por meio do movimento e da meditação.

Letícia Angelini Alves Benicio

Entre as iniciativas, destaca-se a implementação de um programa presencial em comunidade da Cidade de Deus, em parceria com a ONG NOIZ, levando práticas de yoga e autoconhecimento a públicos em situação de vulnerabilidade. Para Letícia, democratizar o acesso a ferramentas de autocuidado é passo essencial para reduzir desigualdades no campo da saúde emocional.

Além das ações presenciais, o avanço das plataformas digitais ampliou o alcance dessas práticas. Programas estruturados de saúde mental online têm permitido que pessoas em diferentes regiões do país tenham acesso a métodos organizados de autogestão da ansiedade. A digitalização, nesse contexto, funciona como instrumento de descentralização do cuidado.

Analistas apontam que a incorporação de práticas preventivas em políticas públicas e ambientes corporativos pode contribuir para redução de custos futuros e melhoria da qualidade de vida da população. A integração entre saúde física e mental, quando estruturada de forma técnica e baseada em evidências, tende a fortalecer o debate sobre bem estar como componente estratégico do desenvolvimento nacional.

O desafio agora é transformar iniciativas isoladas em políticas consistentes. A saúde mental, historicamente negligenciada, passa a ocupar posição central nas discussões sobre produtividade, educação e sustentabilidade social. O fortalecimento de projetos preventivos pode representar não apenas avanço individual, mas investimento estrutural no futuro do país.

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