Altos funcionários colombianos, incluindo os ministros das Relações Exteriores e da Defesa, reuniram-se nesta sexta-feira (13) em Caracas com seus colegas venezuelanos para discutir cooperação energética, segurança e comércio, informou o governo da Venezuela.
Foi o primeiro encontro presencial entre os dois países vizinhos da América do Sul desde a destituição, no início de janeiro, do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Inicialmente, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, deveria se reunir com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, no que seria seu primeiro encontro bilateral em nível presidencial. No entanto, a reunião foi cancelada devido ao que os governos chamaram de “força maior”, sem fornecer mais detalhes.
Em Caracas, o ministro da Defesa da Colômbia, Pedro Sánchez, reuniu-se com seu homólogo venezuelano, Vladimir Padrino, para coordenar estratégias de segurança na fronteira compartilhada de 2.200 quilômetros entre os dois países.
Ao mesmo tempo, os chanceleres Rosa Villavicencio, da Colômbia, e Yván Gil, da Venezuela, trabalham em planos para “priorizar a fraternidade e a convivência pacífica”, informou o gabinete de Rodríguez em comunicado.
Autoridades de comércio também discutiram temas ligados ao intercâmbio comercial e ao turismo, enquanto representantes do setor de energia — incluindo o ministro colombiano de Minas e Energia, Edwin Palma — concentraram-se em um projeto anunciado nesta semana entre as estatais Ecopetrol e PDVSA para reparar um trecho danificado de um gasoduto binacional. O projeto permitiria que Bogotá importe gás natural da Venezuela.
Rodríguez, que antes ocupava o cargo de vice-presidente, tenta atrair investidores para os setores de petróleo e mineração, enquanto busca estabilizar o país após a captura de Maduro por forças dos Estados Unidos.
O presidente dos EUA, Donald Trump, tem elogiado repetidamente a líder venezuelana, que, por sua vez, recebeu autoridades americanas e potenciais investidores em Caracas. Os dois países também restabeleceram formalmente suas relações diplomáticas.
Petro, que mantinha uma relação cordial com Maduro, teve diversos atritos com Trump. Ainda assim, os dois líderes demonstraram tom positivo após um encontro presencial em Washington no mês passado e tiveram uma conversa telefônica amigável, na quinta-feira (12), segundo o gabinete do presidente colombiano, na qual discutiram a economia na região de fronteira entre Colômbia e Venezuela.
Trump também tem pressionado a Colômbia a intensificar a cooperação no combate ao narcotráfico, enquanto Petro afirma que o país registrou apreensões recordes de drogas durante seu governo.
Migrantes venezuelanos na Colômbia
Colômbia e Venezuela têm profundos laços históricos e culturais, especialmente nas regiões de fronteira, onde muitas famílias possuem dupla nacionalidade.
Nos últimos anos, quase 3 milhões de venezuelanos migraram para a Colômbia, fugindo do colapso econômico em seu país.
A Colômbia registrou um superávit comercial de US$ 973,4 milhões com a Venezuela em 2025, exportando produtos como alimentos, tabaco, químicos, plásticos e máquinas, segundo a agência estatística colombiana. As importações vindas da Venezuela somaram US$ 98,3 milhões, incluindo ferro e aço, fertilizantes e papel.
A estatal venezuelana PDVSA realizará os reparos no gasoduto Antonio Ricaurte, que está inativo há anos, informou o Ministério de Energia da Colômbia. O gasoduto tem 225 quilômetros de extensão e capacidade de transporte de 500 milhões de pés cúbicos de gás.