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Brasil e EUA estreitam laços no combate ao tráfico, mas desconfiança segue

Brasil e EUA estreitam laços no combate ao tráfico, mas desconfiança segue

Brasil e Estados Unidos estreitaram os laços diplomáticos no combate ao tráfico de armas e drogas, em cooperação anunciada nesta sexta-feira (10). Ainda assim, as relações entre os governos de Brasília e Washington continuam sob certa desconfiança.

O governo brasileiro trata o projeto piloto fruto deste acordo, baseado no compartilhamento de dados, como a primeira parceria relevante entre ambos os países desde a aproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o líder americano, Donald Trump.

A cooperação, além de necessária para a segurança pública, é uma maneira de o governo Lula demonstrar pragmatismo e alinhamento entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca para assuntos de Estado.

“Hoje marca o primeiro passo relevante depois da conversa entre o presidente Lula e o presidente Trump, no sentido de avançar na cooperação e no combate ao crime organizado entre os dois países”, destacou o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Atualmente, o Brasil recebe dos americanos dados sobre contêineres saindo de portos e aeroportos dos Estados Unidos. A Receita Federal compartilha os dados com a Polícia Federal, que analisa as informações com técnicas de inteligência próprias em busca de armas ilegais não identificadas na origem.

Cada apreensão no Brasil gera mais capacidade de resposta, como a identificação de métodos de ocultação. Agora, essas informações de apreensões em tempo real também serão compartilhadas com os Estados Unidos.

A expectativa é que esse fluxo contínuo de informações gere mais expertise para os Estados Unidos deterem envios de cargas suspeitas. O objetivo é permitir que as autoridades americanas interceptem remessas ilegais antes mesmo que elas deixem o solo dos EUA.

Segurança como ponte diplomática

O Palácio do Planalto aposta na agenda de acordos de combate a crimes transnacionais para suavizar as recentes turbulências na relação com Washington. Após o impacto do tarifaço e das tensões em torno da Lei Magnitsky, a coordenação contra o crime organizado surge como um terreno comum de interesses mútuos.

A avaliação de membros do governo Lula é de que o Brasil provou ter feito o dever de casa com a Operação Carbono Oculto, por exemplo.

Mesmo com a proximidade da família Bolsonaro com o clã Trump, o governo brasileiro tenta demonstrar que a relação entre os dois países é movida por interesses de Estado e parcerias institucionais sólidas.

A diplomacia brasileira também atua para desarmar potenciais focos de crise, como a discussão sobre a classificação de facções brasileiras como organizações terroristas pelos EUA — tema que o Itamaraty monitora de perto, mas que atualmente classifica nos bastidores como um “balão de ensaio”.

Ainda assim, há mais pontos de atrito. Por exemplo, integrantes do governo Trump que já criticaram abertamente autoridades brasileiras; debates na Organização Mundial do Comércio (OMC), que colocam os dois países em lados contrários; e a investigação americana em curso sobre as supostas barreiras comerciais impostas pelo Brasil.

O encontro entre os presidentes Lula e Donald Trump, inicialmente previsto para março, foi adiado por tempo indeterminado devido ao cenário de instabilidade no Oriente Médio, que reconfigurou as prioridades da agenda externa de Washington.

Durigan nos EUA e minerais críticos

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, viaja para Washington para reuniões no Banco Mundial e FMI (Fundo Monetário Internacional) na semana que vem. Há ainda uma expectativa de encontros com representantes do governo americano para discutir parcerias financeiras.

Está na mesa do governo brasileiro desde fevereiro um acordo proposto pelos Estados Unidos para a cooperação em minerais críticos.O Brasil mantém cautela sobre o acordo, dado o objetivo americano de criar um mercado independente do domínio da China no setor.

O governo brasileiro ainda tem dúvidas se Washington quer prioridade para empresas americanas no mercado brasileiro – e cobra compromissos quantificáveis para a viabilização de investimentos.



Revista do Ceará e CNN

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