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Mensagens de ex-presidente do BRB indicam possível fraude em capitalização para favorecer Master | Finanças

Mensagens de ex-presidente do BRB indicam possível fraude em capitalização para favorecer Master | Finanças

Mensagens enviadas por Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), indicam que ele teria atuado de forma irregular para favorecer o Master, de Daniel Vorcaro, permitindo aumentos de capital para viabilizar a compra de carteiras do banco. A conclusão integra uma ação ajuizada pelo BRB em 23 de fevereiro contra o Master, Vorcaro, João Carlos Mansur, da Reag, e fundos de investimento.

O documento aponta indícios de fraude, “reorganização societária, mobilidade acelerada de participações acionárias e risco de dissipação patrimonial por parte de terceiros direta ou indiretamente envolvidos na Operação Compliance Zero”. Diz também que o BRB adquiriu, entre julho de 2024 e outubro de 2025, R$ 26 bilhões em carteiras de crédito do Master e do Will Bank.

A ação afirma que foram identificadas “graves irregularidades nessas operações”, dentre as quais se destacam os cerca de R$ 13 bilhões em títulos podres originados pela empresa Tirreno. O processo pede o bloqueio de ações do BRB detidas com os acusados ligados ao Master.

Mensagens atribuídas a Costa indicam que ele teria definido por conta própria três fundos ligados ao Master e à Reag que fariam aportes no BRB. “Vai dividir em três veículos. Por favor, faça uma nova de 250 mm [milhões de reais]”, diz em uma mensagem.

A conversa envolve o processo de aumento de capital do BRB feito em maio de 2024. Na ocasião, foram captados R$ 290 milhões de investidores privados ligados a fundos do ecossistema Master/Reag, sob intermediação direta da gestão de Costa no banco distrital.

As ações em favor do Master teriam permitido que, ao final de 2025, aproximadamente 23,5% do capital social do BRB estivesse sob a titularidade de acionistas ligados ao banco de Vorcaro ou mencionados em investigações.

“Por meio de ACPs [aumento de capital próprio] realizados de forma irregular (com participação de partes que não eram acionistas do BRB até a data de corte e com triangulação de venda de participações), especialmente para fomentar a aquisição de carteiras de crédito do Banco Master, aproximadamente 23,5% das ações do BRB foram adquiridas por pessoas, físicas e jurídicas, com vínculos diretos e indiretos com o ecossistema do Master/Reag”, diz trecho da ação.

“Referidos fundos possuem, ao final, beneficiários ligados ao ecossistema Master/Reag, o que justifica o bloqueio/aresto das participações em questão, para fins de possibilitar a futura indenização do BRB pelos prejuízos causados pela verdadeira fraude perpetrada”, prossegue.

Segundo a ação, os fundos ligados ao Master não poderiam participar diretamente da operação de aumento de capital, porque não integravam o quadro acionário do BRB na data de corte para o início dos aportes. “À luz das regras do ACP privado, apenas acionistas posicionados em 17/05/2024, correspondente à data de corte, estavam legitimados a exercer o direito de preferência e a participar das rodadas de sobras”, diz trecho do processo.

Costa foi preso na semana passada, na quarta fase da Operação Compliance Zero. Segundo a Polícia Federal (PF), há indícios de que ele teria recebido propina para facilitar operações fraudulentas com o Banco Master.

As investigações afirmam que ele receberia seis imóveis, avaliados em R$ 146 milhões. Os pagamentos foram “travados”, segundo a PF, depois de Vorcaro ser informado de forma irregular sobre investigações sigilosas envolvendo o Master. Ainda assim, teriam sido rastreados pagamentos a Costa em montante superior a R$ 74 milhões.

Nesta quarta-feira, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a analisar a decisão do ministro André Mendonça que mandou prender Costa. Na quarta fase da Compliance Zero, também foi preso o advogado Daniel Monteiro, que atuou em favor do Master.

O Valor entrou em contato com a defesa de Paulo Henrique Costa, mas não houve manifestação até o fechamento desta edição.



Valor Econômico

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