O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cancelou neste sábado a viagem de dois enviados americanos ao Paquistão, país que atua como mediador na guerra envolvendo o Irã, em um novo revés para as perspectivas de paz, após o chanceler iraniano deixar Islamabad sem avanços concretos.
Embora as negociações de paz não tenham se concretizado neste sábado, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou que suas tropas atacassem “com força” alvos do Hezbollah no Líbano, informou seu gabinete, aumentando a tensão sobre um cessar-fogo de três semanas.
Trump disse a jornalistas, na Flórida, que decidiu cancelar a visita dos enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner porque as conversas em Islamabad exigiriam muito deslocamento e custos elevados, além de considerar insuficiente a mais recente proposta iraniana para resolver o conflito.
Antes de embarcar no Air Force One para retornar a Washington, Trump afirmou que o Irã melhorou sua proposta de acordo após o cancelamento da viagem, “mas não o suficiente”.
Em uma publicação nas redes sociais, Trump também afirmou haver “grandes disputas internas e confusão” na liderança iraniana.
“Ninguém sabe quem está no comando, nem eles mesmos. Além disso, temos todas as cartas, eles não têm nenhuma! Se quiserem conversar, tudo o que precisam fazer é ligar!!!”, escreveu na Truth Social.
Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, deixou a capital paquistanesa sem qualquer sinal de avanço após reuniões com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e outras autoridades.
Depois, Araqchi classificou a visita ao Paquistão como “muito produtiva” e afirmou, em rede social, que apresentou a posição iraniana sobre um modelo viável para encerrar permanentemente a guerra contra o país. Segundo ele, ainda resta saber se os Estados Unidos estão “realmente comprometidos com a diplomacia”.
A imprensa iraniana informou que Araqchi seguiu para Mascate, capital de Omã, onde deve se reunir com autoridades para discutir relações bilaterais e desdobramentos regionais.
Sharif afirmou, em publicação na rede X, que conversou com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, sobre a situação de segurança regional e reiterou que o Paquistão está comprometido em atuar como “facilitador honesto e sincero” em busca de paz duradoura e estabilidade.
Teerã descartou uma nova rodada de negociações diretas com os Estados Unidos, e uma fonte diplomática iraniana afirmou que o país não aceitará as “exigências maximalistas” de Washington.
Washington e Teerã seguem em impasse: o Irã mantém em grande parte fechado o Estreito de Ormuz, rota por onde normalmente passa cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás natural liquefeito, enquanto os EUA bloqueiam exportações iranianas de petróleo.
O conflito, atualmente sob cessar-fogo, começou após ataques aéreos de EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. Desde então, o Irã lançou ataques contra Israel, bases americanas e países do Golfo.
A guerra elevou os preços da energia aos níveis mais altos em vários anos, pressionando a inflação e piorando as perspectivas de crescimento global.
Questionado sobre as objeções de Teerã às posições americanas nas negociações, uma fonte diplomática iraniana em Islamabad afirmou à Reuters que o lado iraniano “não aceitará exigências maximalistas”.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que os EUA identificaram alguns avanços por parte do Irã nos últimos dias e esperavam novos progressos ao longo do fim de semana. Segundo ela, o vice-presidente J.D. Vance também estava preparado para viajar ao Paquistão.
Vance liderou uma primeira rodada de negociações com o Irã em Islamabad no início deste mês, sem sucesso.