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França anuncia mapa do caminho para longe dos combustíveis fósseis | Mundo

Extração de petróleo — Foto: Bloomberg

A França anunciou na plenária de abertura da Conferência de Santa Marta, na terça-feira, na Colômbia, seu roadmap para longe dos combustíveis fósseis. É a primeira grande economia a divulgar seu mapa do caminho pelo fim da dependência de combustíveis fósseis.

O roteiro francês tem o objetivo de eliminá-los gradualmente com datas definidas — 2040 para carvão, 2045 para petróleo e 2050 para gás. A energia nuclear responde por cerca de 70% da energia elétrica produzida no país.

“Gostaria também de lembrar que, há 10 anos, o presidente [Emmanuel] Macron deu um passo ousado ao decidir encerrar, até 2040, a exploração e a extração de combustíveis fósseis em nosso território nacional”, disse Benoît Faraco, enviado especial da França para negociações climáticas na plenária de abertura do segmento ministerial da Conferência de Santa Marta.

Isso também inclui a Guiana Francesa. “O que gerou muitas perguntas e desafios, para ser honesto, porque está-se observando o que vem acontecendo na Guiana e no Suriname”. Os dois países têm sido fronteira de novas explorações de petróleo.

“Na Guiana Francesa notam que há perspectivas de novas explorações e aproveitamento de recursos, trazendo também potencial de receita para esta comunidade”, seguiu Faraco. “Acredito que essa é a experiência que queremos compartilhar em Santa Marta: que podemos fazer escolhas ousadas, mas também devemos inventar outros caminhos para o desenvolvimento e crescimento”, explicou à imprensa.

“Estamos muito orgulhosos de ser um dos primeiros países a publicar um roadmap doméstico da transição para longe dos combustíveis fósseis”, disse. “É uma prioridade do Ministério”, disse, referindo-se ao ministério francês da Transição Ecológica, Biodiversidade e Negociações Internacionais sobre Clima e Natureza.

O roadmap francês se baseia em três elementos –o primeiro é justamente o da produção de combustíveis fósseis. O segundo aspecto é o planejamento previsto em um decreto para a eliminação gradual do carvão até 2030, com o fechamento previsto das usinas termelétricas a carvão até 2027.

A França será o segundo país, dentro do G7, a fechar as termelétricas a carvão. O primeiro a tomar a decisão é o Reino Unido.

O plano prevê acabar com o consumo de combustíveis fósseis, inclusive gás natural, até 2050, e assim atingir o objetivo de neutralidade climática.

O terceiro elemento do roadmap da França é uma abordagem mais setorial dedicada à eletrificação. “Basicamente responde à questão de como fornecer energia à nossa economia e aos nossos cidadãos sem combustíveis fósseis”, explicou. Um tópico é a proibição de novos sistemas de aquecimento a gás natural a partir de 2027.

Outra vertente é apoiar a aquisição de veículos elétricos aos franceses de renda mais baixa, um programa que já vendeu 50 mil carros. “Todas as vezes que lançamos um site que oferece veículos elétricos com grande apoio do governo, vendemos tudo em três dias”. Seguiu: “A eletrificação não é um privilégio”.

A produção de combustíveis fósseis na França tem 2030 por data final. O mecanismo é o seguinte: em 2018 foram suspensas as novas licenças. As existentes terão que ser encerradas até 2040.

“Para os países que declararam estado de emergência energética depois do início da guerra no Oriente Médio, trata-se de uma questão de soberania e segurança nacional, mais do que uma questão climática”, reconheceu.

A ideia é também apoiar o roadmap para o fim da dependência dos combustíveis fósseis que o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, está preparando e deve apresentar no segundo semestre.

A matriz energética francesa se apoia em energia nuclear. Combustíveis fósseis respondem por apenas 5% da eletricidade.

“Soluções de baixo carbono para a França podem ser a espinha dorsal de uma verdadeira abundância energética. Uma das soluções mais óbvias é a eletrificação, porque a eletrificação e a eletricidade agregam valor local às nossas comunidades, ajudam a moldar o futuro da nossa economia e indústria, e trazem soluções quando os combustíveis fósseis trazem problemas”, diz o enviado climático francês.

“A França deixou oficialmente para trás a vaga ideia de ‘descarbonização’ para adotar uma estratégia explícita de saída dos combustíveis fósseis”, reagiu Andreas Sieber, chefe de política estratégica da 350.org. “Ao visar diretamente o carvão, o petróleo e o gás com prazos finais claros aqui em Santa Marta, o país está enviando a mensagem de que a eliminação gradual dos combustíveis fósseis é, fundamentalmente, uma questão de segurança nacional e sobrevivência econômica”, acrescentou.

A Total, empresa francesa de energia, explora petróleo em outras regiões do mundo, inclusive no Pré-Sal no Brasil. “A Total depende de licenças emitidas por outros países, mas no que diz respeito à França é basicamente o nosso território nacional. Decidimos proibir novas licenças”, disse Faraco ao Valor.

O mapa do caminho brasileiro para longe dos combustíveis fósseis tinha prazo para fevereiro, determinado pelo presidente Lula a quatro ministérios – Casa Civil, Minas e Energia, Meio Ambiente e Fazenda.

Não aconteceu e não se fala mais dele no governo.

Extração de petróleo — Foto: Bloomberg



Valor Econômico

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