Ler o resumo da matéria
Hong Kong se tornou o maior hub global de wealth management offshore, superando a Suíça, com ativos offshore de US$ 2,950 trilhões em 2025, um crescimento de 10,7%. O Boston Consulting Group projeta que a diferença entre os dois centros financeiros deve aumentar para quase US$ 600 bilhões até 2030, impulsionada pela acumulação de riqueza na Ásia e pela força industrial da China.
A cidade se beneficia da retomada do mercado de IPOs e do crescimento de fortunas asiáticas. No entanto, a proximidade com a China traz riscos, como o aumento da fiscalização sobre contas de investimento. Enquanto isso, a Suíça e outros países continuam a ser importantes para a riqueza da Europa e América Latina. O número de family offices em Hong Kong cresceu 25%, refletindo políticas fiscais atrativas.
O governo local planeja ampliar incentivos fiscais, enquanto a presença de investidores do Oriente Médio tem aumentado. A liderança de Hong Kong destaca a mudança do eixo de grandes fortunas para a Ásia.
* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed
Hong Kong ultrapassou a Suíça e se tornou o maior hub global de wealth management cross-border (para gestão de recursos offshore), em um movimento que simboliza a mudança do eixo da gestão de grandes fortunas para a Ásia.
Segundo o Global Wealth Report 2026, do Boston Consulting Group (BCG), os ativos offshore registrados no centro financeiro asiático cresceram 10,7% em 2025, para US$ 2,950 trilhões. O volume foi suficiente para colocar Hong Kong ligeiramente à frente da Suíça, com US$ 2,946 trilhões, historicamente vista como o principal destino global para a gestão de patrimônio internacional.
A virada é estreita, mas tende a ganhar distância. O BCG projeta que a rápida acumulação de riqueza na Ásia deve ampliar a diferença entre Hong Kong e Suíça para quase US$ 600 bilhões até 2030, apoiada na força industrial da China e na retomada do mercado de IPOs em Hong Kong.
O avanço acontece em um momento de expansão das fortunas privadas globais, que cresceram no ritmo mais forte desde 2021, apesar das tarifas comerciais e da instabilidade macroeconômica. No total, a riqueza privada global chegou a US$ 333 trilhões.
O motor principal dessa mudança é a China. O fluxo de capital vindo do continente, combinado com a retomada do mercado acionário local, reforçou o papel de Hong Kong como ponte entre as fortunas asiáticas e os mercados globais. Ao lado de Singapura, a cidade forma hoje o principal ecossistema para servir o capital asiático.
A ascensão de Hong Kong, no entanto, vem acompanhada de uma tensão estrutural. A mesma proximidade com a China continental que impulsionou a cidade ao topo do ranking também aumenta sua exposição às decisões de Pequim.
Bancos em Hong Kong passaram a apertar os controles para abertura de contas de investimento de clientes chineses, depois de uma ofensiva regulatória contra canais usados para aplicar recursos em mercados externos. Ao mesmo tempo, o regulador local intensificou a fiscalização sobre corretoras envolvidas em ofertas de ações, em meio à retomada dos IPOs que ajudou a reforçar o apelo da cidade como centro financeiro global.
Do outro lado, Suíça, Estados Unidos e Reino Unido seguem como os principais canais para a riqueza da Europa, do Oriente Médio e da América Latina. A disputa, portanto, não é apenas por volume de ativos, mas por geografia, proximidade com o cliente e capacidade de capturar a riqueza onde ela está sendo criada.
Esse deslocamento também aparece no crescimento dos family offices. Em Hong Kong, o número de single-family offices avançou 25% em relação a 2023, chegando a 3.384 no fim do ano passado. Uma pesquisa da Deloitte encomendada pelo governo mostrou que cada um administra pelo menos US$ 10 milhões, enquanto mais de 1.000 têm sob gestão US$ 100 milhões ou mais.
E isso é resultado de políticas para vender de forma mais agressiva seus impostos baixos, a profundidade de seu mercado de talentos e a retomada dos mercados de capitais para atrair a elite global.
O governo tem usado a ausência de imposto sobre ganho de capital e de imposto sucessório, além de concessões fiscais para veículos de investimento familiares, como parte da estratégia para atrair family offices.
O esforço começa a dar resultado. Tensões geopolíticas, incluindo a instabilidade no Oriente Médio, têm levado famílias ultra-ricas a diversificar parte do patrimônio para a Ásia.
Christopher Hui, secretário de Serviços Financeiros e do Tesouro de Hong Kong, já afirmou que o governo pretende ampliar incentivos fiscais para mais classes de ativos. Ele também citou um aumento claro da presença de investidores do Oriente Médio nos recentes encontros de wealth promovidos pela cidade.
Para Hong Kong, assumir a liderança global é a confirmação de que o centro financeiro conseguiu transformar sua proximidade com a China em uma vantagem competitiva no mercado internacional de fortunas.
Já para a Suíça, a perda do primeiro lugar não significa irrelevância. O país mantém uma base mais diversificada de clientes e segue sendo um símbolo de estabilidade patrimonial.
Mas o ranking do BCG deixa claro que a próxima etapa de crescimento de grandes fortunas está cada vez mais ligada à Ásia. E Hong Kong passou a ocupar o centro desse mapa.