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Com apoio da Secult, jogo de tabuleiro criado no Ceará celebra a cultura da Chapada do Araripe em coautoria com crianças da Fundação Casa Grande

Com apoio da Secult, jogo de tabuleiro criado no Ceará celebra a cultura da Chapada do Araripe em coautoria com crianças da Fundação Casa Grande

As memórias e as riquezas culturais da Chapada do Araripe ganham forma em um novo jogo de tabuleiro desenvolvido no Ceará em parceria com crianças da Fundação Casa Grande, em Nova Olinda, no sul do estado. O lançamento de “Imaginário Cariri” acontece no sábado (13/6), às 10 horas, na Reitoria da Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza.

O projeto reúne diferentes características que o tornam singular: foi produzido integralmente no Ceará, da concepção à fabricação; valoriza a memória e o patrimônio cultural do Cariri; aposta no protagonismo infantil; e incorpora recursos de acessibilidade voltados para pessoas com deficiência visual.

Voltado principalmente para crianças a partir de 11 anos, “Imaginário Cariri” propõe uma experiência lúdica que convida os participantes a mergulharem na riqueza cultural, histórica e ambiental da Chapada do Araripe por meio de lendas, personagens, mestres da cultura, objetos e lugares emblemáticos da região. A dinâmica estimula a imaginação, o compartilhamento e a descoberta coletiva, transformando saberes do território em brincadeira e narrativa.

A iniciativa foi desenvolvida pelo SMD LAB – Laboratório Experimental de Jogos, Comunicação e Audiovisual e pelo IGREJOTA – Incrível Grupo de Estudos em Jogos de Tabuleiro, ambos vinculados ao curso de Sistemas e Mídias Digitais (SMD) da Universidade Federal do Ceará (UFC). Além de professores, egressos, estudantes e servidores da universidade, o processo contou com a participação de crianças e adolescentes de 5 a 16 anos integrantes da Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri.

O jogo foi criado no âmbito do projeto “Cultura lúdica na Chapada do Araripe: criação de jogo de tabuleiro em coautoria com crianças da Fundação Casa Grande”, contemplado no 4º Edital Cultura Infância, da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult Ceará), por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e com apoio da Pró-Reitoria de Cultura da UFC, através do Programa de Promoção da Cultura Artística.

Lançamento em Nova Olinda

A primeira apresentação do jogo aconteceu no final de maio, durante o VII Seminário Internacional Bacia Cultural Sociobiodiversa da Chapada do Araripe – Patrimônio da Humanidade, realizado em Nova Olinda. Vitória Facundo, produtora executiva do projeto, celebrou o retorno à Fundação Casa Grande, espaço que desde 2024 acolheu os encontros entre a equipe de desenvolvimento e as crianças do Cariri.

“Vamos realizar rodadas de apresentação do jogo em diversos espaços públicos, mas começar pela Fundação foi especial, pois todas as narrativas, personagens e mecânicas do jogo foram elaboradas em criação conjunta com as crianças da Fundação”, explica.

Criação coletiva inspirada no território

Foto: Bruno Moura

A construção do “Imaginário Cariri” aconteceu de forma colaborativa, envolvendo oficinas criativas, encontros e processos de experimentação realizados desde 2024 com crianças da Fundação Casa Grande. Ao longo das atividades, os participantes contribuíram com ideias, histórias, personagens e referências culturais que passaram a integrar as mecânicas do jogo. O percurso incluiu etapas de escuta das crianças, prototipagem, testes e ajustes até chegar à versão final.

José Venâncio tem 13 anos e é supervisor de comunicação da Fundação Casa Grande. Ao participar do processo de elaboração do jogo, criou a personagem Dindilda, “a mulher do dindin”. “Achei muito interessante a gente fazer os personagens para o jogo e gostei bastante de como o jogo funciona e achei bem bonito os desenhos que eles fizeram a partir dos nossos desenhos”.

Infâncias como protagonistas da criação

Foto: Bruno Moura

Para Andrea Pinheiro, professora da UFC e coordenadora do SMD Lab, a participação infantil é um dos aspectos centrais da experiência.

“É um jogo em que as crianças têm uma participação central ao propor como elas enxergam e imaginam o território a partir das lendas, dos elementos que constituem a diversidade cultural da Chapada do Araripe e a gente conseguiu fazer isso com o envolvimento delas desde o início em todas as etapas do jogo”.

Ela destaca ainda que a proposta busca aproximar o público das riquezas culturais do Ceará.

“Eu acho que essa é uma marca muito importante, de olhar para nossa região do Cariri cearense e ver ali potencialidades, riquezas e apresentar no jogo de maneira lúdica, que pode ser jogado por pessoas de várias idades e de forma que elas possam conhecer e se apropriar dessas riquezas e belezas que a gente tem aqui no Ceará”, afirma.

Foto: Maitê Paiva

Inclusão e acessibilidade no centro da experiência

Além de valorizar a cultura regional e as infâncias, o jogo também foi pensado para ampliar o acesso de pessoas com deficiência visual. O projeto incorporou recursos de acessibilidade, utilizando elementos táteis e estratégias de design que permitem a participação conjunta de jogadores videntes e não videntes.

Segundo Alan George Bezerra, agente de acessibilidade do jogo e homem com deficiência visual, a convivência e a inclusão estão entre os principais impactos da proposta.

“Pensamos em como uma pessoa com deficiência visual pode jogar rápido, com autonomia e sem ela se sentir deslocada. Uma grande contribuição é a inclusão, a coparticipação e a transformação na mentalidade das pessoas sobre acessibilidade”, explica.

Para ele, o contato com as crianças da Fundação Casa Grande também revelou a potência do processo coletivo.

“Foi muito legal perceber não só as crianças grandes, que foram pensando em coisas mais aprimoradas, mas muito especial o esforço das pequenas em fechar os olhos para sentir como eu me sentia jogando. Eu acredito que esse é um dos maiores impactos desse jogo, que é a convivência”, analisa.

Memória, fantasia e invenção

A dimensão imaginativa do jogo nasce diretamente da relação das crianças com as memórias e os elementos culturais da região. Para Glaudiney Mendonça, professor do curso de Sistemas e Mídias Digitais e coordenador do IGREJOTA, a proposta convida os jogadores a criarem suas próprias narrativas.

“A ideia do jogo de trazer a imaginação através da memória, que é a principal metáfora que a gente utiliza e que veio exatamente dessa experiência de as crianças criarem histórias, personagens inspirados em acontecimentos cotidianos e na cultura da região”. Para ele, além de ser competitivo e divertido, “é também um jogo para enaltecer a cultura da região, destacar elementos culturais e convidar as pessoas para imaginar”.

Mais do que um jogo de tabuleiro, “Imaginário Cariri” se apresenta como uma experiência de valorização das infâncias, do brincar e dos saberes da Chapada do Araripe, reafirmando a cultura como espaço de convivência, criação e pertencimento.

Foto: Vitória Facundo

Este projeto integra a Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), é realizado pelo Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, e apoiado pelo Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura.

Serviço

Lançamento do jogo de tabuleiro cearense “Imaginário Cariri”
Dia 13 de junho de 2026 (sábado), às 10h
Salão Nobre da Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC)
(Av. da Universidade, 2853 – Benfica, Fortaleza – CE)

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Secretaria da Cultura

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