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Entenda as questões-chave que EUA e Irã terão de resolver nas negociações nucleares | Mundo

Entenda as questões-chave que EUA e Irã terão de resolver nas negociações nucleares | Mundo

Irã e Estados Unidos afirmam ter chegado a um acordo para encerrar a guerra, o que deve abrir caminho para negociações sobre o programa nuclear iraniano. A seguir, veja um resumo das principais questões que precisarão ser resolvidas nessas conversas.

Por que há preocupação?

O programa de enriquecimento de urânio do Irã há muito desperta preocupações nos Estados Unidos e em seus aliados de que Teerã esteja, ao menos, preservando a opção de produzir armas nucleares no futuro, já que o urânio enriquecido pode ser usado tanto para abastecer usinas nucleares quanto para fabricar o núcleo de uma bomba atômica.

Enquanto usinas nucleares modernas geralmente utilizam combustível enriquecido a até 5% de pureza, o Irã vinha enriquecendo urânio a até 60% — um pequeno passo dos cerca de 90% necessários para uso militar — até que Israel e os Estados Unidos bombardearam suas instalações nucleares em junho passado.

Israel argumentou que o Irã estava se aproximando demais da capacidade de produzir uma arma nuclear, mas a agência nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que não havia indícios confiáveis de um programa coordenado de armas nucleares no país.

Como signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), o Irã tem o direito de desenvolver tecnologia nuclear, incluindo o enriquecimento de urânio, para fins pacíficos. Teerã afirma que jamais produzirá armas nucleares.

No entanto, é o único país a enriquecer urânio a 60% sem ter desenvolvido uma bomba atômica. A quantidade de material enriquecido a esse nível é “motivo de séria preocupação”, segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea).

Os bombardeios israelenses e americanos destruíram ou causaram graves danos às usinas iranianas de enriquecimento de urânio, mas acredita-se que boa parte do material enriquecido produzido por elas tenha sobrevivido.

Uma das principais prioridades do presidente dos EUA, Donald Trump, é retirar do país ao menos o material mais altamente enriquecido.

Antes do início dos ataques de Israel e dos EUA ao Irã, no fim de fevereiro, a Aiea estimava que o Irã possuía 440,9 quilos de urânio enriquecido a até 60%. Essa quantidade seria suficiente, caso fosse enriquecida ainda mais, para produzir dez armas nucleares, segundo um parâmetro utilizado pela agência. O diretor-geral da Aiea, Rafael Grossi, afirmou que a agência acredita que mais de 200 quilos desse material sobreviveram em um complexo de túneis em Isfahan e que outra parte permanece em Natanz.

O Irã também mantinha estoques adicionais de urânio em níveis menores de enriquecimento. A situação exata das instalações atingidas, incluindo o complexo de túneis, permanece desconhecida porque o Irã não permitiu o retorno dos inspetores da Aiea nem informou à agência o que aconteceu com seus estoques de urânio enriquecido.

Trump afirmou que o Irã não pode ter capacidade de desenvolver uma arma nuclear. Embora seja quase impossível impedir isso completamente, é possível tornar esse objetivo muito mais difícil por meio de restrições eficazes.

Foi isso que fez o acordo nuclear de 2015, hoje extinto, firmado entre o Irã e as grandes potências, até que Trump retirou os EUA do pacto em 2018. O Irã respondeu expandindo seu programa muito além dos limites previstos no acordo.

Qualquer novo acordo terá de enfrentar os seguintes pontos:

O que fazer com o urânio mais altamente enriquecido?

Trump afirma que o material deve ser retirado do Irã, enviado para outro país ou destruído. O Irã rejeita ambas as opções.

Um possível compromisso seria diluí-lo (“downblend”, no jargão técnico). As partes, então, precisariam definir até que ponto ele seria diluído e qual nível de enriquecimento poderia permanecer no país.

Uma alta autoridade iraniana disse à Reuters no domingo (14) que o Irã concordou, em princípio, em diluir seu estoque de urânio altamente enriquecido.

Algum enriquecimento ou nenhum?

Os Estados Unidos, em alguns momentos, defenderam o enriquecimento zero em território iraniano. O Irã afirma que não abrirá mão de seu direito de enriquecer urânio.

Caso seja autorizado a continuar, será preciso definir até qual nível de enriquecimento poderá chegar e quanto desse material o país poderá manter. O acordo de 2015 estabelecia esses limites, além de determinar onde o Irã poderia enriquecer urânio e quais máquinas poderia utilizar.

Autoridades afirmaram que uma moratória de dez anos ou mais sobre o enriquecimento está sendo discutida.

Como obter um quadro completo da situação?

Com máquinas e materiais soterrados sob escombros, como garantir que tudo foi contabilizado e que nada foi removido? O Irã também possui um número desconhecido de centrífugas de enriquecimento de urânio armazenadas em locais não revelados. Elaborar um inventário preciso será fundamental.

Como fiscalizar tudo isso?

O acordo de 2015 concedia à Aiea poderes adicionais amplos, incluindo o direito de realizar inspeções surpresa em locais não declarados, prerrogativas que o Irã revogou à medida que o acordo desmoronava. É provável que algo semelhante seja necessário novamente.



Valor Econômico

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