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“Laranjas” e ligação com PCC: entenda operação que prendeu vereador em SP

"Laranjas" e ligação com PCC: entenda operação que prendeu vereador em SP

Um esquema de lavagem de dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital) operado por meio da empresa de transporte coletivo Transunião foi desarticulado na manhã desta quinta-feira (25) pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo) e a Polícia Civil. O vereador Senival Moura (PT) foi preso na ação.

A ofensiva, batizada de Operação Última Parada, revelou que a concessionária funcionava como uma engrenagem financeira para a facção criminosa.

As apurações que culminaram na operação tiveram início em 2020, logo após o assassinato de Adauto Soares Jorge, que até então ocupava a presidência da Transunião.

A partir da investigação deste crime, as autoridades reuniram provas que demonstram o uso da empresa de ônibus como um instrumento estruturado para a lavagem de capitais do PCC.

O fluxo do dinheiro

De acordo com o MPSP e o Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), a viação não era comandada apenas por sua estrutura oficial.

As investigações comprovaram a existência de um núcleo paralelo responsável por tomar as decisões estratégicas relativas à Transunião.

Era este grupo oculto que ordenava, por exemplo, a transferência direta de valores dos cofres da concessionária para criminosos ligados à facção.

Mudança societária suspeita

Um dos principais indícios de irregularidades e do uso de “laranjas” ocorreu na própria estrutura societária da companhia, cuja mudança teve origem delituosa, segundo as investigações

De acordo com a Polícia Civil, o capital social da Transunião registrou um salto de pouco mais de R$ 100 mil para uma cifra superior a R$ 50 milhões, sem que a origem dos recursos fosse devidamente esclarecida.

Ainda segundo a polícia, apenas no ano de 2025, a concessionária auferiu mais de R$ 300 milhões por operar no sistema de transportes paulistano.

Conexões com a máfia

As investigações ainda apontaram pontos de contato da origem desse dinheiro com circuitos financeiros investigados em operações anteriores, como a Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi.

Esta última, deflagrada pela PF (Polícia Federal), focou no tráfico internacional de drogas operado de forma conjunta pelo PCC e pela ‘Ndrangheta, grupo mafioso sediado na Itália.

A lavagem de dinheiro em empresas de ônibus já havia sido alvo do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), força-tarefa de investigação vinculada ao MPSP, em 2024, quando a Operação Fim da Linha desarticulou operações financeiras da facção por intermédio das viações UPBUS e Transwolff.

Desdobramentos e prisões

Ao todo, a operação cumpre 103 mandados de busca e apreensão na capital paulista, na Grande São Paulo e em Extrema (MG). Cinco mandados de prisão foram expedidos.

Até o momento, três já foram presos. A CNN Brasil confirmou que, além de Senival, Jair Ramos de Freitas, vulgo Cachorrão, e Devanil de Souza Nascimento, ambos réus pelo assassinato do ex-presidente da Transunião, também foram detidos.

Lourival de França Monario, atual presidente da Transunião, e Leonel Moreira Martins, que seria o operador financeiro do esquema, ainda seguem foragidos.

O Poder Judiciário decretou também o bloqueio de R$ 194 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados e à empresa, além do bloqueio de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.

Por fim, foi determinado o afastamento de toda a diretoria da Transunião e a comunicação à Prefeitura de São Paulo para a adoção de medidas cabíveis, incluindo uma eventual intervenção administrativa, para assegurar que o transporte da população não seja interrompido.

Em nota, a Prefeitura informou que a operação dos ônibus da empresa segue funcionando, com a frota atendendo normalmente as linhas sob sua responsabilidade e sem prejuízo ao atendimento da população.

Já o prefeito Ricardo Nunes disse por meio de comunicado enviado que as medidas cabíveis em relação à empresa serão tomadas assim que a administração for notificada pelos órgãos competentes

Além disso, ressaltou que aguarda a notificação oficial da decisão judicial para avaliar seus termos e definir as providências necessárias a partir de agora.

A CNN Brasil tenta contato com as defesas dos citados e da Transunião. O espaço segue aberto.



Revista do Ceará e CNN

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