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Em ameaça ao mercado de trigo, Rússia e Ucrânia atacam embarcações no Mar Negro | Mundo

Navio pega fogo após ataque com drone russo em Odessa — Foto: Victor Sayenko/Reuters

Ucrânia e Rússia lançaram nesta quinta-feira ataques com mísseis e drones contra embarcações no Mar Negro e no Mar de Azov, intensificando as hostilidades em uma área vital para as exportações de grãos e provocando uma alta nos preços globais do trigo.

As Forças Armadas da Ucrânia afirmaram ter atingido pelo menos 11 embarcações russas, enquanto o Ministério da Defesa da Rússia disse que seus militares atacaram um navio e uma lancha rápida ucranianos que seguiam para portos na região de Odessa.

O comandante das forças de drones da Ucrânia, Robert Brovdi, afirmou no Telegram que entre os alvos mais recentes estão cinco navios-tanque de petróleo no Mar Negro e Mar de Azov, além de um navio-tanque de gás, três cargueiros graneleiros e dois rebocadores.

Segundo ele, o número total de embarcações atingidas pelas forças ucranianas neste mês chegou a 147.

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que suas forças também atingiram instalações militares e industriais em Kiev envolvidas na produção e no armazenamento de drones de médio e longo alcance, além de estruturas de infraestrutura nos portos de Odessa e Pivdennyi.

A Ucrânia vem atacando embarcações no Mar de Azov desde o início de julho. Brovdi afirmou na quarta-feira que Kiev também passou a atingir navios russos no Mar Negro, dando continuidade à campanha para interromper a logística das forças de Moscou e isolar a Crimeia, anexada pela Rússia.

Kiev também tem atacado infraestrutura energética russa, incluindo refinarias e navios-tanque de petróleo, para enfraquecer a capacidade de Moscou de sustentar a guerra, que já entra em seu quinto ano.

A Rússia intensificou os ataques aos portos ucranianos de águas profundas no Mar Negro, na região da Grande Odessa, responsáveis por grande parte das exportações de grãos e outras cargas do país e considerados vitais para sua economia em tempo de guerra.

Navio pega fogo após ataque com drone russo em Odessa — Foto: Victor Sayenko/Reuters

Restrições à navegação

Os ataques ucranianos obrigaram a Rússia, maior exportadora mundial de grãos, a restringir a navegação no Mar de Azov — rota responsável por cerca de um quarto de suas exportações de grãos, disseram fontes à Reuters. Segundo elas, as restrições continuavam nesta quinta-feira.

Dois dos três portos ucranianos no Mar Negro operavam normalmente na manhã desta quinta-feira, enquanto o porto de Chornomorsk reduziu drasticamente o recebimento de grãos, informou a estatal ferroviária ucraniana Ukrzaliznytsia.

A empresa informou que 901,3 mil toneladas de grãos foram enviadas aos portos desde o início de julho, “o que, naturalmente, é menos do que no mês passado”.

Autoridades ucranianas disseram que mísseis balísticos russos atingiram pelo menos dois distritos de Kiev na madrugada desta quinta-feira, provocando incêndios e matando duas pessoas.

Autoridades de pelo menos três regiões russas também relataram mortes e feridos causados por ataques noturnos de drones e foguetes ucranianos.

Os preços do trigo na Europa subiram 7% na quarta-feira, à medida que a escalada dos ataques no Mar Negro aumentou as preocupações com importantes rotas de exportação de grãos, levando operadores a prever que parte da demanda migre para fornecedores da União Europeia.

Os contratos futuros de trigo negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) avançaram 5% na quarta-feira, embora tenham reduzido parte dos ganhos nas primeiras negociações desta quinta-feira.

A Ucrânia perdeu cerca de um terço de sua capacidade de exportar grãos por meio dos portos do Mar Negro devido aos ataques russos com mísseis e drones, informou a principal associação de produtores rurais do país.

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, pediu o restabelecimento da liberdade de navegação no Mar Negro.

“Esta também é uma questão fundamental para a Ucrânia. É vital, porque o Mar Negro é a principal rota para a exportação de produtos ucranianos”, disse ele a jornalistas.



Valor Econômico

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