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Fragmentação na direita prejudica campanha de governador de MG, avaliam especialistas | Política

Atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões — Foto: Vanessa Carvalho/Valor

A fragmentação na direita local e o possível lançamento da candidatura do senador Cleitinho (Republicanos) ao governo de Minas Gerais devem dificultar os planos do atual governador do Estado e pré-candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD), avaliam cientistas políticos ouvidos pelo Valor.

Alçado ao governo após Romeu Zema (Novo) renunciar para concorrer ao Planalto, Simões aparece hoje atrás nas pesquisas. Na última rodada da Genial/Quaest, divulgada em abril, está empatado em quarto lugar com Ben Mendes (Missão), ambos com 4% das intenções de voto.

Naquela sondagem, o governador fica atrás de Cleitinho, que lidera com 30% das intenções; do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PSD), com 14%. O senador Rodrigo Pacheco (PSB) — que até então era a aposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Estado — também aparecia à frente de Simões, com 8% das intenções de voto, mas desistiu da candidatura. O instituto deve divulgar uma nova pesquisa, agora com o pré-candidato do PT, o deputado federal Patrus Ananias.

“O Mateus Simões é um candidato sem carisma. Apesar de ter uma boa relação com os prefeitos, isso não é algo que se reflete em votos facilmente. Ele mudou do Novo para o PSD, quando havia possibilidade de um acordo nacional com o PL, que foi frustrado com o lançamento da campanha do Flávio Bolsonaro”, avalia o cientista político, professor do Ibmec e da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Adriano Cerqueira.

A possível candidatura de Cleitinho deve trazer mais dificuldades para Simões, avalia o especialista. O Republicanos realiza neste sábado a convenção do partido no Estado, ainda sob a incerteza sobre os planos do senador.

“Para Simões, ter o apoio do eleitorado do Bolsonaro é essencial. Havendo fragmentação ele vai enfrentar mais dificuldades”, avaliou Cerqueira.

O posicionamento de Romeu Zema na pré-campanha nacional é um agravante para as articulações de Simões no Estado. Apesar de seu partido ter como candidato ao Planalto Ronaldo Caiado, o governador apoiará o antecessor, que tem feito críticas ao pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, o que prejudicou sua imagem junto ao eleitorado bolsonarista. Com isso, fica inviabilizada uma aliança entre PL, PSD e Novo.

“O mercado político é igual à bolsa de valores, ele precifica oportunidades futuras. E a precificação do Mateus Simões está diminuindo com o passar do tempo. Até o momento, ele não conseguiu emplacar com o eleitor. Ele tem governo, mas não tem voto”, afirma o doutor em ciência política e diretor do Instituto Ver Pesquisa e Estratégia, Malco Camargos.

Camargos acrescenta que, embora tenha sido reeleito com folga em 2022, Zema perdeu popularidade ao longo do seu segundo mandato. Na pesquisa Genial/Quaest de abril, ele tinha 52% de aprovação dos eleitores, contra 62% em abril de 2024. O percentual de eleitores que desaprovam o governo atingiu 41% em abril, contra 31% um ano antes.

“Falta para o Simões um governo mais bem avaliado, o reconhecimento de ações do governo e mais conexão com as pessoas”, observa o especialista.

Para Camargos, as eleições em Minas Gerais devem enfrentar mais uma vez uma polarização entre PT e PL, apesar das dificuldades enfrentadas pelos partidos para definir seus candidatos.

“Assim que o PL definir o seu candidato, a polarização no Estado vai ganhar força”, avaliou Camargos.

Já na avaliação de Cerqueira, a demora do PL na definição do candidato adiou a polarização. “A indefinição no plano nacional está gerando repercussão em Minas, com os partidos tendo dificuldades para definir nomes.”

O PL prefere apoiar uma candidatura do senador Cleitinho ao governo de Minas Gerais. Mas dada a demora do parlamentar em tomar uma decisão, o partido avalia opções. Internamente, tem como possíveis candidatos o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli e o presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe.

A direção nacional da legenda também conversa com representantes da Federação União Progressista para formar uma aliança no Estado, tendo como candidato Marcelo Aro (PP), ex-secretário da Casa Civil de Romeu Zema. A maior preocupação é garantir palanque para a campanha de Flávio Bolsonaro.

Na avaliação de Cerqueira, a demora na decisão de Cleitinho deve-se a dúvidas do parlamentar sobre os apoios que terá se for eleito governador. “O Cleitinho está querendo ter uma visão mais nítida da conjuntura nacional. De modo geral, os candidatos estão esperando o último momento para tomar uma decisão. A decisão do PT pelo Patrus Ananias foi porque não conseguiu avançar nas conversas com outros partidos”, afirmou Cerqueira.

O PT, após meses de negociações com outros partidos para apoiar um candidato em Minas Gerais, decidiu na última semana pela candidatura própria, com o deputado federal Patrus Ananias. A legenda tentou por meses convencer Rodrigo Pacheco a concorrer ao governo de Minas Gerais, sem sucesso. Também tentou formar aliança com Alexandre Kalil, que se recusou a repetir a aliança feita com Lula em 2022.

Mesmo internamente, o PT tentou convencer a ex-prefeita de Contagem Marília Campos a ser candidata ao governo, mas ela não quis abrir mão de ser candidata a uma vaga no Senado.

Cerqueira acrescentou que o PT ainda está desgastado em Minas Gerais por causa da gestão do ex-governador Fernando Pimentel, entre 2015 e 2018. “Tanto é assim que a Marília Campos não quis ir para o sacrifício. Ela sabe que não ia ganhar concorrendo ao governo, mas tem mais chance de ir para o Senado”, disse o cientista político.

Atual governador de Minas Gerais, Mateus Simões — Foto: Vanessa Carvalho/Valor



Valor Econômico

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