O PSD realizou neste domingo (26), em São Paulo, convenção nacional e oficializou a candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado à Presidência da República. Com uma chapa puro-sangue, Caiado terá como vice o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que havia combinado que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participaria da primeira parte do evento, mas ele faltou à cerimônia.
Após a confirmação, Caiado afirmou, em entrevista, que é um candidato que não entra em “brigas inúteis”, criticou o PT e, indiretamente, Flávio Bolsonaro. “Sou um candidato com coragem para libertar o país do sequestro do PT e das facções. Não queremos um candidato que seja um ‘Kinder Ovo’, com uma surpresinha todo dia. Mas um candidato com vida pregressa que nunca se envolveu com rachadinha, mensalão, petrolão, escândalo do Master ou o das aposentadorias. Quem rouba com a mão esquerda, ou quem rouba com a mão direita, é ladrão.”
O senador Flávio Bolsonaro (RJ) é o principal adversário de Caiado na disputa pelo eleitorado da direita. Nas últimas semanas, Caiado mudou o tom de sua campanha. Inicialmente, o foco das críticas era o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Agora, ele passou a criticar com mais intensidade Flávio, diante da sucessão de crises enfrentadas pelo adversário.
O ex-governador de Goiás tem dito ainda que as pesquisas indicam que o senador seria derrotado pelo presidente Lula em um eventual segundo turno e, por isso, seria o adversário preferido do petista. “O Lula trata o Flávio como peru de Natal, trata ele bem no primeiro turno para servir no segundo turno. É essa a realidade”, disse durante entrevista à imprensa em Santo Ângelo (RS).
Caiado também usou as redes sociais para criticar Flávio após a reunião do senador com diplomatas, na terça-feira (21). No X, afirmou que o encontro deveria ter sido aproveitado para fortalecer a imagem do Brasil, ampliar mercados e atrair investimentos, e não para questionar o sistema eleitoral.
“Havia 42 embaixadores numa sala: dava para vender soja, abrir mercado para a indústria e atrair investimentos. Escolheram falar de urna eletrônica!”, escreveu. Na última quinta-feira (23), Caiado comparou a reaproximação entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro a um capítulo do programa Casos de Família.
Nas redes sociais, sem citar os dois, o ex-governador de Goiás afirmou que, enquanto “uma família que conhecemos” resolve questões internas, ele está concentrado em um projeto de futuro para tirar o país das garras do PT.
Pesquisa Datafolha divulgada ontem mostra Caiado com 4% dos votos válidos no primeiro turno, atrás de Lula (45%) e Flávio (36%) e empatando tecnicamente com Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), ambos com 3%.
Segundo apurou o Valor, Caiado também deverá participar de convenções estaduais do PSD nas próximas semanas, em uma agenda voltada à consolidação de sua candidatura. O presidenciável foi convidado para os encontros em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, além de uma convenção no Distrito Federal, prevista para ocorrer nos próximos dias. Ontem (25), ele participou da convenção estadual do PSD no Paraná.
A avaliação de dirigentes da legenda é que ter o presidente do partido como vice pode facilitar a construção de alianças durante a campanha, já que ele agrega capacidade de articulação política, interlocução com diferentes forças partidárias e experiência na formação de maioria no Congresso – atributos considerados centrais para a campanha.