O Datafolha divulgou nesta quarta-feira (29) pesquisa segundo a qual 59% consideram que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), “agiu mal” ao proibir, neste mês, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar.
O levantamento também indica que 59% são favoráveis à manutenção de Bolsonaro em prisão domiciliar e 62% avaliam que o ex-presidente não deve ter acesso às redes sociais enquanto cumpre a pena.
Os dados fazem parte de um recorte da pesquisa presidencial divulgada pelo Datafolha na última sexta-feira (24), que mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente no primeiro turno e em todas as simulações de segundo turno também.
O instituto entrevistou 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 22 e 23 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa, contratada pela Folha da Manhã, empresa responsável pelo jornal Folha de S.Paulo, está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01166/2026.
O levantamento foi realizado antes da convenção nacional do PL, no último sábado (25), que oficializou a candidatura de Flávio à Presidência e exibiu um vídeo gerado por Inteligência Artificial (IA) com a imagem de Bolsonaro. Nesta quarta-feira (29), Moraes deu 48 horas para o ex-presidente esclarecer se autorizou o uso de sua imagem e voz na produção do material. Segundo o ministro, uma eventual autorização pode configurar descumprimento das regras estabelecidas sobre a prisão domiciliar, o que pode gerar a suspensão desse modelo de prisão, enquanto a ausência de consentimento pode levar à apuração de eventual irregularidade de jurisprudências e normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por parte de Flávio e o PL, o que abre possibilidade para inelegibilidade.
Proibição de Flávio à visita
Segundo o Datafolha, 59% dos entrevistados afirmam que Alexandre de Moraes “agiu mal” ao impedir que Flávio Bolsonaro visite o pai. Outros 36% avaliam que o ministro “agiu bem”, enquanto 2% responderam que ele “não agiu bem nem mal” e 4% disseram não saber opinar.
Entre os eleitores que declararam ter votado em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2022, 35% consideram que Moraes agiu mal ao impor a restrição. Nesse recorte, a margem de erro é de três pontos percentuais. O Datafolha não divulgou os resultados referentes aos entrevistados que afirmaram ter votado em Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022 para essa pergunta.
Neste mês, Moraes proibiu Flávio de visitar o pai por 90 dias, suspendeu por 30 dias as visitas dos demais familiares, vetou contatos de natureza político-eleitoral até as eleições e proibiu a divulgação de manifestos. As restrições foram impostas após Flávio ler uma carta escrita por Bolsonaro e anunciar que o conteúdo seria divulgado nas redes sociais. Para Moraes, o episódio violou a ordem judicial que impede o ex-presidente de se manifestar politicamente por meio de terceiros. O ministro entendeu que a declaração do senador antes da leitura demonstrava que ambos sabiam que a carta seria publicada.
Apesar das novas restrições, advogados, médicos e fisioterapeutas continuam autorizados a entrar na residência onde Bolsonaro cumpre a pena, em Brasília. Flávio, embora integre a defesa do pai e tivesse acesso ao local até então, ficou impedido de realizar visitas presenciais. A defesa do ex-presidente recorreu da decisão, alegando que as medidas extrapolam a suspensão dos direitos políticos e restringem a liberdade de pensamento. Os advogados também afirmam que a expressão “visitas com finalidade político-eleitoral” é genérica e não estabelece critérios objetivos.
Em relação ao regime de cumprimento da pena, 59% defendem que Bolsonaro permaneça em prisão domiciliar. Outros 35% são contrários à medida e 6% não souberam responder.
Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão após ser condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes. Depois de permanecer preso desde novembro de 2025 na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, e posteriormente na Papudinha, ele obteve em março autorização para cumprir prisão domiciliar em razão de seu estado de saúde. Como condição, ficou proibido de utilizar celular, internet ou redes sociais, direta ou indiretamente.
Já sobre o acesso às redes sociais, 62% dizem que o ex-presidente não deveria poder utilizar as plataformas enquanto estiver em prisão domiciliar. Para 35%, ele deveria ter esse direito, enquanto 3% não opinaram.
Entre os entrevistados que afirmaram ter votado em Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, 32% entendem que o ex-presidente não deveria poder usar redes sociais durante o cumprimento da prisão domiciliar. Nesse segmento, a margem de erro é de quatro pontos percentuais. O instituto não divulgou o resultado correspondente entre os eleitores que declararam voto em Lula no segundo turno de 2022 para essa questão.