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Em revés para a cúpula democrata, progressista vence primárias ao Senado em Michigan | Mundo

O candidato republicano ao Senado pelo Michigan, Mike Rogers, discursa ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump, no Campo de Provas da General Motors, em Milford, Michigan, EUA, em 27 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Carlos Osorio

A ala progressista do Partido Democrata conquistou uma vitória de destaque com a vitória de Abdul El-Sayed nas eleições primárias para o Senado dos Estados Unidos em Michigan, segundo projeções divulgadas nesta quarta-feira. O resultado fortalece o discurso antiestablishment do partido às vésperas das eleições legislativas de novembro.

El-Sayed, cuja campanha se concentrou em saúde pública, economia e no fim da ajuda militar incondicional dos Estados Unidos a Israel, tornou-se o primeiro candidato progressista a vencer uma prévia estadual em um Estado conquistado pelo presidente Donald Trump na eleição de 2024. Em novembro, ele enfrentará o ex-deputado republicano Mike Rogers.

A votação de terça-feira, vista como um teste decisivo sobre os rumos do Partido Democrata, terminou em disputa apertada. El-Sayed derrotou por pequena margem a deputada federal Haley Stevens, candidata moderada apoiada pela cúpula do partido e por grupos pró-Israel.

Com 99% dos votos estimados apurados até às 10h do horário da Costa Leste dos EUA desta quarta-feira (11h do horário de Brasília), El-Sayed liderava Stevens por 48,5% a 47,5%, segundo a Associated Press. A AP e a CNN declararam sua vitória horas depois de a NBC News fazer o mesmo.

“Dinheiro fora da política. Dinheiro no seu bolso. Medicare para Todos”, escreveu El-Sayed na rede X ao declarar vitória.

O presidente Donald Trump ironizou a vitória do progressista em publicação na plataforma Truth Social e a classificou como “uma ótima notícia para o Partido Repúblicano”. “El-Sayed, um comunista fracassado que odeia os judeus e Israel, é o vencedor projetado em sua disputa contra a socialista. Como de costume, as pesquisas erraram feio desta vez. Não se esperava que ela tivesse um desempenho tão bom quanto teve. Agora, as políticas malucas dos ‘Dumocratas’ [trocadilho para ‘burros’ e ‘democratas’] só vão piorar!”, acrescentou na postagem.

Estado-pêndulo do meio-oeste

A disputa colocou frente a frente progressistas e moderados em torno do apoio americano a Israel, tema que marcou diversas eleições primárias democratas neste ano. Diferentemente de outras disputas em redutos tradicionalmente liberais, porém, tratava-se de uma eleição estadual em um importante Estado-pêndulo do meio-oeste, por uma vaga que os democratas consideram essencial para tentar recuperar a maioria no Senado.

Stevens contou com dezenas de milhões de dólares em gastos de um super PAC pró-Israel, e seus apoiadores argumentavam que ela teria mais chances de vencer a eleição geral.

Analistas apontavam como uma vantagem para El-Sayed o fato de Michigan abrigar uma das maiores comunidades árabe-americanas dos Estados Unidos, onde a oposição a Israel é particularmente forte.

O resultado deve ser acompanhado de perto por possíveis candidatos democratas à Presidência em 2028, que buscam uma estratégia para reconquistar o eleitorado após a derrota para Trump em 2024.

A vitória de El-Sayed tende a aprofundar o debate interno no partido sobre o apelo eleitoral do populismo econômico, das campanhas antiestablishment e de uma postura mais dura em relação a Israel.

Os resultados também refletem uma tendência mais ampla de deslocamento do eleitorado democrata para a esquerda. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na terça-feira mostrou que os eleitores que se definem como liberais representam hoje 71% dos democratas, ante 55% em 2012. A ampla maioria considera essenciais políticas como saúde universal, ampliação do acesso ao aborto e aumento de impostos para grandes empresas e pessoas de alta renda.

O levantamento também revelou forte ceticismo entre democratas em relação ao apoio americano a Israel. Apenas 16% defendem a continuidade da ajuda militar e econômica ao país, enquanto 57% se opõem a ela, sugerindo que as críticas de El-Sayed à política externa dos EUA refletem uma posição cada vez mais comum dentro do partido.

O candidato republicano ao Senado pelo Michigan, Mike Rogers, discursa ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump, no Campo de Provas da General Motors, em Milford, Michigan, EUA, em 27 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Carlos Osorio

Primárias em cinco Estados

Eleitores de Kansas, Michigan, Missouri, Virgínia e Washington também escolheram na terça-feira candidatos democratas à Câmara dos Deputados. Algumas dessas disputas podem ser decisivas para definir se os democratas retomarão o controle da Casa nas eleições de novembro. Quatro desses distritos são considerados altamente competitivos.

Em um distrito da região de Lansing, em Michigan, o ativista climático progressista William Lawrence venceu a indicação democrata depois que dois candidatos moderados dividiram os votos do centro. Em novembro, ele enfrentará o deputado republicano Tom Barrett.

No Estado de Washington, a deputada democrata Marie Gluesenkamp Perez e o líder republicano no Senado estadual, John Braun, avançaram para a eleição geral no sistema de prévia que classifica os dois candidatos mais votados. O progressista Brent Hennrich terminou em terceiro lugar, distante dos líderes.

Na Virgínia, os democratas indicaram a ex-deputada Elaine Luria e a promotora do condado de Henrico, Shannon Taylor, em dois distritos considerados competitivos para novembro.

Já no Missouri, a democrata progressista Cori Bush fracassou na tentativa de recuperar sua cadeira na Câmara em uma revanche contra o deputado Wesley Bell, repetindo o confronto de 2024. Um super PAC pró-Israel gastou mais de US$ 8 milhões para derrotar Bush em 2024 e mais de US$ 3 milhões neste ano para impedir seu retorno ao Congresso. Bell é considerado amplo favorito para vencer em novembro, já que o distrito da região de St. Louis é tradicionalmente democrata.

O deputado americano Wesley Bell conversa com repórteres após a Câmara dos Deputados aprovar uma resolução sobre poderes de guerra no conflito em curso com o Irã, no Capitólio, em Washington, DC, EUA, em 23 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Eric Lee
O deputado americano Wesley Bell conversa com repórteres após a Câmara dos Deputados aprovar uma resolução sobre poderes de guerra no conflito em curso com o Irã, no Capitólio, em Washington, DC, EUA, em 23 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Eric Lee



Valor Econômico

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