O senador e candidato à presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro (RJ), disse nesta terça-feira (18) que autoridades do Poder Judiciário teriam atuado para impedir que partidos do Centrão apoiassem a sua candidatura, mas não citou nomes. A declaração, no entanto, soou como uma indireta à reaproximação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Eles se reuniram pela primeira vez – após meses de afastamento – na casa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
“Apesar de esses partidos não terem vindo formalmente, seria importante ter o tempo de TV e rádio, mas hoje todos estão vendo as razões. Eles receberam ameaças de altas autoridades em Brasília para não se juntarem à minha candidatura. O sistema está com medo de Flávio Bolsonaro”, disse em entrevista à rádio Itatiaia.
Ele acrescentou que, embora não tenha o apoio formal de outras legendas, os partidos de direita terão papel importante na sua gestão, se for eleito. “Todas as pessoas desses partidos, inclusive as mulheres que foram cogitadas para ser vice-presidente, Teresa Cristina, Dani Marques, Simone Marquetto, todas estão comigo e participaram da construção do nosso plano de governo. Elas terão um papel muito importante em meu governo. As principais lideranças desses partidos, o Tarcísio [de Freitas], o Ricardo Nunes, estão com a gente apesar de não ter o apoio formal”, disse.
Imagem de Bolsonaro será usada “no limite” da legislação
O senador também afirmou que pretende usar a imagem do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) “no limite do que a legislação permitir”. “O jurídico vai me dar o limite até onde eu posso usar a imagem do presidente Bolsonaro e de que forma”, declarou. Bolsonaro está em prisão domiciliar e foi proibido pelo ministro Alexandre de Moraes de receber visitas com cunho político e se manifestar durante o período eleitoral.
Flávio mencionou que Moraes não permite que o ex-presidente “sequer se comunique por carta, proíbe a visita dos filhos, proíbe tudo”.
Sem a presença de Bolsonaro na campanha, o PL tem usado imagens do ex-presidente. Na convenção do PL, ele apereceu em um vídeo gerado por IA declarando apoio ao filho. Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vão se reunir nesta terça-feira para discutir o episódio e há expectativa de que conversem sobre a possibilidade de endurecer as regras contra o uso de deepfakes, que imitam a voz e a s feições de uma pessoa real.
Nikolas diz que ‘membros do STF perseguem oposição’
Após ter sido alvo de críticas de aliados por não estar presente na abertura da campanha de Flávio, o deputado federal Nikolas Ferreira (MG-PL) participou nesta terça da agenda de campanha do Flávio em Belo Horizonte e disse que parte dos membros do STF perseguem quem faz oposição ao governo Lula.
“Nós já estamos vendo o que uma parte desse Supremo tem feito perseguindo opositores. Aquela turma ali que condenou o Bolsonaro, foram cinco argentinos para julgar o Pelé? Que tipo de parcialidade é essa? Tiraram, digamos assim, o nosso camisa 10 para poder disputar as eleições. Agora, eles não contavam que tinham o camisa 10 também no banco para poder encarar e ser o titular. Eu não tenho dúvidas”, disse Nikolas.
Flávio participou de um “adesivaço” no bairro Betânia, região oeste de Belo Horizonte, onde fez uma caminhada de quatro quadras até o comitê de campanha, na rua Úrsula Paulino, a principal via do bairro. Após falar com a imprensa, ele fez uma visita ao Café Nice, no centro da capital mineira, onde tomou café com candidatos do PL.
À tarde, o candidato segue para Brasília, onde participará de um evento da União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs).