O bolsonarismo lançou uma campanha nas redes sociais em defesa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, e a transformou em bandeira da campanha do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. Em tom religioso, e mirando os evangélicos, o desagravo a Mendonça será pauta, junto com o “Fora, Moraes” e o “Fora, Lula”, do ato relativo ao Sete de Setembro convocado para esta segunda-feira na Avenida Paulista.
Num momento em que o crescimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre os evangélicos preocupou o PL, o contra-ataque do ministro do STF Alexandre de Moraes ao colega André Mendonça, relator do caso Master na Corte, virou arma do bolsonarismo, que deflagrou nas plataformas um processo de vitimização do magistrado, ligado à Igreja Presbiteriana. Ele foi alçado à Suprema Corte em 2021 como o ministro “terrivelmente evangélico” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A rodada da pesquisa Quaest divulgada em 16 de agosto mostrou que Lula cresceu 6 pontos percentuais entre os evangélicos. Segundo esse levantamento, 50% do segmento religioso aprova o desempenho do petista. Em junho, esse índice era de 44%.
O tom religioso da campanha apareceu no vídeo gravado pelo próprio Mendonça, divulgado na quarta-feira (2), no qual ele agradeceu as orações dirigidas a ele. “Meus irmãos e minhas irmãs, minha palavra se dirige a vocês essencialmente para agradecer tantas mensagens de oração e de carinho. Estejam certos de que suas preces a Deus têm sido fundamentais para me sustentar e sustentar a minha família”, afirmou. O vídeo foi compartilhado por várias lideranças bolsonaristas, como os candidatos do PL ao Senado, Carlos Jordy (RJ) e Bia Kicis (DF).
Em paralelo, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, candidata ao Senado, também divulgou nas redes sociais uma mensagem de apoio a Mendonça. Michelle lembrou que que ela e outros “intercessores” buscaram apoio espiritual para que Mendonça fosse confirmado para a vaga no Supremo, e classificou o ministro como “escolhido e ungido do Senhor”. Ao final, cumprimentou o ministro por ele não ter recuado: “E você permaneceu. Obrigada!”.
O Valor já mostrou que aliados de Flávio vão usar a crise no Supremo para turbinar ainda mais o ato relativo ao Sete de Setembro. O líder do PL no Senado e candidato à reeleição, Carlos Portinho (RJ), disse que o “Fora Moraes” vai inflamar ainda mais o evento, que antes iria se voltar apenas ao “Fora, Lula”, às críticas ao governo, e à retomada da pressão pela anistia aos presos pela tentativa de golpe de Estado em 2022, começando pelo ex-presidente Bolsonaro.
Esse movimento preocupa coordenadores da campanha lulista pelo receio de que o eleitor identifique Moraes como um aliado de Lula, conforme a narrativa do bolsonarismo. Por ter sido relator do processo sobre a tentativa de golpe, Moraes se transformou em espécie de “herói” dos petistas. Em alguns atos políticos do PT, militantes chegam a gritar palavras de ordem como “Moraes, guerreiro do povo brasileiro”. Em contraponto, no bolsonarismo, Moraes é o algoz, que mandou o ex-presidente para a prisão.
A crise no STF inflamou a partir de terça-feira (1), quando Mendonça levantou o sigilo de um relatório da PF que identificou mensagens do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, a Moraes. Numa delas, o ex-banqueiro consulta o ministro se seria hora de deixar o Brasil, porque corria risco de prisão.
A turbulência escalou na quinta-feira (3), depois que Moraes pediu que Mendonça seja investigado por suposto abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Ele ainda acusou o colega de quebra da imparcialidade judicial e favorecimento de grupos políticos.
Flávio Bolsonaro, candidato à presidência da República pelo PL
Reuters/Tita Barros
Valor Econômico