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Nos carros elétricos, Brasil ultrapassa os Estados Unidos

Nos carros elétricos, Brasil ultrapassa os Estados Unidos

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Um relatório da Ember revela que, entre março e agosto, a venda global de veículos elétricos (VEs) cresceu 11%, enquanto os veículos a combustão caíram 6%, substituindo o consumo de 200 milhões de barris de petróleo e gerando uma economia de US$ 20 bilhões. O Brasil, junto com Índia e Japão, viu um aumento significativo nas vendas de carros 100% elétricos, com a Ember destacando a capacidade de produção interna como crucial.

O Brasil se consolidou como polo regional de manufatura de VEs, com a fábrica da BYD prevista para produzir 300 mil veículos por ano. Enquanto isso, os EUA e a China enfrentam desafios na adoção de VEs, com os EUA vendo uma queda na participação de BEVs para 6%. No Brasil, 20,1% dos emplacamentos de veículos em 2026 foram eletrificados, com 167 mil BEVs e 137 mil PHEVs. A infraestrutura de recarga também está em expansão, com cerca de 30 mil pontos de recarga no país.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Um relatório da Ember, think-tank internacional de análise energética, dimensiona o impacto da crise do petróleo – causada pelo fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, no fim de fevereiro – na venda de veículos elétricos (VEs) no mercado automotivo global.

Intitulado Segurança energética: como os veículos elétricos estão reduzindo a vulnerabilidade à importação de petróleo, o estudo, divulgado na quarta-feira, 14 de outubro, fornece dados atualizados sobre as vendas de carros novos em 56 países, com números surpreendentes.

No período entre março e agosto – marcado pelo bloqueio total de Ormuz, impedindo o transporte de petróleo dos países produtores do Oriente Médio –, a venda global de carros elétricos avançou 11% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já as vendas de veículos com motor a combustão recuaram 6%.

O recuo dos Estados Unidos é evidente. Dos 56 países monitorados pelo levantamento mensal de vendas de VEs da Ember, 49 já superam os EUA em participação de vendas carros 100% elétricos (conhecidos pela sigla BEVs). Quinze países ultrapassaram os EUA pela primeira vez este ano, entre eles o Brasil, com avanço de 8% de vendas de BEVs entre março e setembro.

O relatório indica que Brasil, Índia e Japão – reconhecidos pela força de sua indústria automotiva – estão agora registrando um aumento considerável nas vendas de veículos 100% elétricos. A crescente capacidade de produção interna de BEVs no Brasil é citada pela Ember como decisiva para o aumento de vendas dessa categoria no mercado doméstico.

Na América Latina, informa o relatório, o Brasil consolidou sua posição como polo regional de manufatura de veículos elétricos com a inauguração da fábrica da BYD em 2025, cuja capacidade de produção deverá ser ampliada para 300 mil veículos por ano. A montadora chinesa já ocupa a quarta posição do mercado brasileiro, com 8,5% de participação. “Novas exigências de conteúdo local estão impulsionando esse investimento com sucesso”, ressalta o estudo.

O crescimento dos veículos eletrificados no mercado nacional já havia sido destacado na semana passada, quando a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou o balanço anual de emplacamento de veículos leves, a combustão e elétricos, em 2026.

Dos 2,159 milhões do total de automóveis e comerciais leves emplacados de janeiro a setembro, 434 mil fazem parte das três categorias de eletrificados, correspondendo a 20,1% do mercado nacional – crescimento de 126,2% em relação ao período de janeiro a setembro de 2025.

Entretanto, apenas 72 mil unidades foram classificadas como fabricação nacional, enquanto 262 mil chegaram prontas do exterior e outras 100 mil foram montadas no País com conjuntos de peças importadas.

Os veículos 100% elétricos (BEVs) lideram a categoria, com 167 mil emplacamentos, aumento de 206,1% em relação a 2025. Os híbridos plug-in (PHEVs) – carros com dois sistemas (motor elétrico com bateria recarregável e motor a combustão) – somaram 137 mil emplacamentos (avanço de 110,7% na base anual) e os híbridos convencionais (HEV), que não precisam recarregar a bateria, com 130 mil emplacamentos, tiveram crescimento de 80%.

No total, o número de veículos elétricos e híbridos comercializados no País ultrapassou a marca histórica acumulada de 1 milhão de unidades exatamente em setembro. Nos nove primeiros meses, o segmento respondeu por 69% do aumento total das vendas de veículos leves.

A liderança e vice-liderança dos carros 100% elétricos e híbridos plug-in entre os eletrificados chamam a atenção pela necessidade de uma ampla oferta de pontos públicos e semipúblicos de recarga de bateria. Dessas duas categorias, 49% da frota nacional são 100% elétricos (BEV) e 51% são híbridos plug-in (PHEV) – estes possuem dependência parcial da infraestrutura, pois também operam com motor a combustão.

Dados de agosto da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) apontam para a existência de cerca de 30 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga – crescimento de 76,9% em 12 meses. A relação entre veículos elétricos e pontos de recarga, indicador de boa cobertura, por exemplo, revela uma média de 21,4 veículos por ponto de recarga pública ou semipública – abaixo de países como Chile (12,4 veículos por ponto), mas não muito distante dos EUA, (18,6).

Outros indicadores confirmam avanço dessa infraestrutura. Os carregadores de recarga lenta (AC) – usados em condomínios, estacionamentos, shoppings e empresas – correspondem a 61,8% da rede. Já os de recarga rápida (DC) representam 38,2% da rede, mas respondem por 63% dos novos pontos instalados entre junho e setembro de 2026, com crescimento em todas as regiões do País.

Crise de Ormuz

A ampliação do uso de VEs, aponta o estudo, substituiu o consumo de cerca de 200 milhões de barris de petróleo bruto no período. Esse salto gerou uma economia de US$ 20 bilhões aos países importadores nos primeiros seis meses da crise global causada pela guerra no Oriente Médio.

Os carros 100% elétricos respondem pela maior parte dessa economia (US$ 16,5 bilhões), cabendo o restante aos veículos híbridos plug-in. Os dados sobre HEV não aparecem no estudo.

A Ember afirma que a queda nos custos de tecnologia, os preços elevados dos combustíveis e as diretrizes de políticas públicas estão ajudando as opções totalmente elétricas a conquistar uma fatia crescente das vendas de carros novos.

No entanto, à medida que a transição global para veículos elétricos continua avançando, alguns mercados automotivos tradicionais estão ficando cada vez mais para trás, incluindo Estados Unidos e China — os dois maiores mercados em números absolutos.

Políticas públicas na China desaceleraram a adoção de veículos elétricos no país. O relatório não informa a variação do mercado chinês até setembro, alegando que a maior parte das vendas de carros no país asiático ocorre no final do ano. Já os EUA de Donald Trump, após reduzirem o apoio federal estipulado pelo governo Joe Biden aos VEs no ano passado, viram a participação dos veículos BEVs nas vendas de veículos leves cair para 6% nos primeiros oito meses de 2026.

Excluindo esses dois países, as vendas globais de BEVs cresceram cerca de 45% entre janeiro e agosto de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

O relatório da Ember indica que o avanço dos eletrificados no mercado global de veículos leves veio para ficar. Para muitos países líderes, novos recordes foram alcançados por meio da continuação de uma tendência, em vez do início de algo completamente novo.

A Noruega registrou uma participação de vendas de BEV de 98% nos primeiros oito meses de 2026, tendo já ultrapassado 95% durante vários meses em 2025. É um dos doze mercados monitorados pelo rastreador de vendas de veículos elétricos da Ember onde os veículos elétricos a bateria (BEVs) superaram um terço das vendas de carros novos até agora em 2026.

Na América Latina, o Uruguai tornou-se o principal mercado para a adoção de carros 100% elétricos, registrando uma participação de 38% nas vendas de BEVs nos primeiros oito meses de 2026.

Mesmo antes da crise de Ormuz, os veículos 100% elétricos já proporcionavam economia nos custos de operação — uma vantagem que se ampliou ainda mais com a atual interrupção no fornecimento de combustíveis fósseis.

Pesquisas indicam que, na União Europeia, os motoristas de carros a gasolina são cinco vezes mais afetados pelo fechamento do Estreito de Ormuz do que os condutores de um BEV típico. Paralelamente, no Reino Unido, o custo de rodar com um BEV é agora até nove vezes menor do que com um carro a gasolina ou a diesel.



Ceará Agora e Diário do Nordeste

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