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Coluna Sociedade – Segunda feira 19 de outubro de 2026

Coluna Sociedade - Segunda feira 19 de outubro de 2026

Adeus, Sonia Pinheiro: a delicadeza e a eternidade da nossa “flor da crônica”

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Há quem acredite que a coluna social se resume ao registro do efêmero, a festa da noite anterior, o brinde capturado pela lente, os trajes de destaque. Mas basta apurar o olhar para perceber que, no fundo, o que escrevemos diariamente é a história viva de Fortaleza e do Ceará, com e cheia de afetos, memórias e nomes que constroem a nossa identidade.

Ao longo de décadas no jornalismo e na cobertura dos grandes momentos da nossa terra, aprendemos a admirar aqueles que souberam transformar a crônica diária em literatura leve, ética e afetuosa. É sob o peso e a saudade dessa responsabilidade que nos despedimos da inesquecível jornalista e colunista Sonia Pinheiro, a “flor da crônica”, alcunha carinhosa dada por Lúcio Brasileiro a quem surgia como a mais jovem cronista da “loira desposada do sol”.

Sonia nos deixou, momento triste. Potiguar de Natal, Soninha veio para Fortaleza no início dos anos 1970 para cursar Jornalismo na Universidade Federal do Ceará (UFC). Uma visita à sede do jornal O Estado para divulgar um curso de cinema mudou seu destino: o então presidente do veículo, Venelouis Xavier Pereira, encantou-se com a sua presença e a convidou, ao lado de três amigas, para estagiar na redação.

O jornalismo cearense ganhou ali uma de suas estrelas mais brilhantes. Emprestou seu talento e sensibilidade a veículos como Tribuna do Ceará, Diário do Nordeste, O Povo e, mais recentemente, O Otimista. Deixou marcas profundas no meio, celebrando a cumplicidade com os fotógrafos, em especial na histórica parceria com o querido João Batista, e encantando gerações com uma escrita sedutora. Dominava o português com rara elegância, entrelaçando com maestria e leveza nuances do inglês e do francês em suas crônicas.

Mas o grande brilho de Sonia residia em seu caráter, sua discrição absoluta e sua postura ética impecável. Num ambiente tantas vezes marcado pela competição e pelo fascínio dos holofotes, Sonia fez o caminho inverso: preferiu a sobriedade, a essência e o afeto.

Sonia deixa o exemplo, não existe legado maior! 

As fotos são de várias pessoas, minhas, do João Batista, do Luís Sérgio Santos. 

Au revoir, querida Sonia. Siga na luz!



Estado do Ceará

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