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A Barbárie com Sobrenome e a Disney como Punição

A Barbárie com Sobrenome e a Disney como Punição

Meus caros, muitas vezes já ocupei este espaço para falar da minha Gaya, minha bulldog inglesa, e do amor atávico que nutro pelos cães. Quem me lê sabe: em minha casa, a empatia se estende a quem tem quatro patas, asas ou guelras. Aprendemos, desde a infância, que o cão é o melhor amigo do homem. A tragédia, meus diletos, é que a recíproca raramente é verdadeira.Nestes dias, fomos atropelados por uma notícia dantesca, vinda das plagas de Meienbipe — nome original das terras que hoje chamamos de Santa Catarina, mas que, dado o comportamento de certos habitantes que arrotam superioridade racial e moral, talvez devessem se chamar “Santa Catareich”.Quatro… como chamá-los? O termo “adolescentes” me parece generoso demais; “seres humanos” me soa biologicamente impreciso. Vamos chamá-los de projetos de psicopatas.A cronologia do horror revira o estômago de qualquer vivente com alma. Primeiro, tentaram afogar e pregar um prego na cabeça de um cão caramelo. Fracassaram na morte, mas não na crueldade. Não satisfeitos, encontraram o Orelha, um cão comunitário, amado pelo bairro, dono daquela doçura que só os animais possuem.O que se seguiu foi uma sessão de tortura medieval. Açoites, pauladas. O Orelha foi resgatado com vida, mas sua dor era tamanha, tão inominável, que a única saída decente foi a eutanásia. A morte, para ele, foi um alívio diante da maldade humana.Agora, vamos à anatomia do monstro. A ciência diz que a psicopatia se revela cedo: crueldade com animais, frieza, falta de remorso. O roteiro foi seguido à risca. Mas o que mais choca não é apenas a bestialidade dos filhos, e sim a cumplicidade dos pais.O ato foi filmado. E qual foi a reação da “família de bem”, abastada e tradicional? Levar os rebentos para a delegacia? Pedir perdão de joelhos? Não. Um familiar do “Gruppenleiter” da turma foi até o porteiro que testemunhou o crime e, com a delicadeza de um revólver na cara, exigiu silêncio e a destruição das imagens.Vejam que tocante exemplo de educação cívica. Como dizemos aqui no meu Siará: “O costume de casa vai à praça!”. O que esperar de frutas que caíram de árvores podres? Estamos criando uma geração que, protegida pelo dinheiro e pela impunidade, hoje tortura cães; amanhã, espancará mulheres, humilhará subordinados e atropelará quem ousar cruzar seu caminho.E a Justiça? Ah, a Justiça de Pindorama… A meritíssima juíza (die Richterin, para mantermos o clima local), após dias com o caso em mãos, teve uma súbita epifania, uma revelação mística: descobriu, tardiamente, que era “amiga íntima” das famílias e se declarou impedida. Que coincidência oportuna, não? A memória ética só despertou quando o caso virou escândalo nacional.Felizmente, a polícia local, menos dada a chás da tarde com a elite, indiciou os pais e apreendeu os eletrônicos dos “anjinhos”. A internet, esse tribunal implacável que é mais rápido que fofoqueira de janela, já tratou de expor nomes e rostos.Mas o grand finale do escárnio ainda estava por vir. Dois dos torturadores, após a barbárie, foram “punidos” pela família com… uma viagem para a Disney!É isso mesmo. Torturou até a morte? Ganha o Mickey de prêmio. Fica aqui meu aviso à embaixada americana e aos parques de Orlando: redobrem a segurança do Pluto e do Pateta. Com essas duas “flores da candura” soltas por lá, nem os personagens de desenho animado estão a salvo.



Estado do Ceará

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