O ex-ministro Aldo Rebelo lançou sua pré-candidatura à Presidência nas eleições de 2026, pelo partido Democracia Cristã (DC), durante um ato neste sábado (31), em São Paulo. Em seu discurso, ele fez críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Também já lançaram pré-candidaturas à Presidência, pelo campo da oposição, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD); o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Lula vem declarando que deve concorrer à reeleição em outubro. Outros nomes são cogitados para a corrida, como os governadores do Paraná, Ratinho Junior (PSD), e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD).
Rebelo fez críticas à política ambiental do governo Lula, ao declarar que as restrições à exploração de bens naturais e as demarcações de terras indígenas têm potencial de prejudicar a economia. O ex-ministro disse que o país precisa “de um choque de investimento privado”, já que faltam recursos públicos suficientes para alavancar o desenvolvimento nacional, segundo ele. Também defendeu que o empreendedorismo deixe de ser “criminalizado” no Brasil.
Após dizer que o país atravessa um momento de “desequilíbrio institucional”, o pré-candidato criticou disputas entre o Congresso Nacional e o STF em torno de questões como o marco temporal para a demarcação de terras indígenas. Para ele, o STF assumiu um protagonismo político indevido e está excessivamente sujeito a interpretações individuais de seus 11 ministros.
“Não é um problema pessoal, é institucional. O Supremo não pode ser um Poder acima dos demais”, afirmou Rebelo, acrescentando que as relações estáveis entre as instituições são fundamentais para a segurança jurídica e que é preciso superar o “bloqueio institucional” que impede o país de crescer.
O evento de lançamento reuniu cerca de 500 pessoas, segundo a organização. Além de militantes e dirigentes do DC, o ato contou com a presença do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que nesta semana filiou Ronaldo Caiado a seu partido e anunciou a escolha do candidato a presidente entre o governador de Goiás e os governadores do Paraná e do Rio Grande do Sul.
Ex-filiado ao Partido Comunista do Brasil (PC do B), Rebelo deixou em 2017 a legenda, onde fez a maior parte de sua carreira política. Depois, passou por Partido Socialista Brasileiro (PSB), Solidariedade (SD), Partido Democrático Trabalhista (PDT) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Sua filiação ao DC, partido de linha conservadora, ocorreu em 2025.
Ele foi ministro no primeiro mandato de Lula, à frente da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais, e também fez parte do governo Dilma Rousseff (PT), nas pastas de Esporte, Ciência e Tecnologia e Defesa. Em 2024, foi secretário municipal de Relações Internacionais da gestão Ricardo Nunes (MDB), em São Paulo.
O político também foi deputado federal de 1991 a 2015 e presidiu a Câmara dos Deputados de 2005 a 2007.
Nos últimos anos, ele se afastou da esquerda e tem se alinhado ao bolsonarismo. Rebelo já foi citado por aliados de Flávio Bolsonaro como um possível candidato a vice. Consultado sobre essa hipótese no início deste mês, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou ao Valor que a vaga na chapa de Flávio ainda não tinha sido discutida, mas que o ex-ministro “é um ótimo nome”. Na mesma ocasião, Rebelo declarou que seu plano é concorrer a presidente, não a vice.
O ex-presidente Jair Bolsonaro já fez elogios públicos a Rebelo e se referiu a ele como “um cara fantástico, em todos os aspectos”.