O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira (6) que a concretização de uma candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), à Presidência da República representava um risco de a direita perder as disputas pelo Planalto e pelo Estado mais populoso do Brasil. Em entrevista a um podcast, o senador reiterou que será candidato a presidente e que anunciará antes das eleições de outubro quem nomeará para o Ministério da Fazenda se for eleito.
“Tem um pessoal no entorno dele que não é que quer ver o Tarcísio presidente da República. Eles querem ver o Tarcísio longe de São Paulo. Essa é a minha leitura. Um Tarcísio fora de São Paulo abre um palanque importante para outros players. O que eu sempre digo: o Tarcísio tem que estar forte e eu tenho que estar forte. A gente tem que estar junto em um palanque. É isso que vai acontecer”, declarou Flávio em entrevista ao influenciador Paulo Figueiredo.
Ao longo do ano passado, Tarcísio era apontado como possível candidato ao Planalto e recebia o apoio de lideranças de partidos da direita. O governador, ex-ministro da Infraestrutura no governo Bolsonaro, dizia a aliados que só aceitaria entrar na disputa se recebesse aval do ex-presidente. Em entrevistas, Tarcísio segue reiterando que será candidato à reeleição em São Paulo.
Na entrevista, Flávio afirmou que a relação com o governador de São Paulo está “boa”. O senador disse que a chance de ele desistir da sua candidatura ao Executivo federal é “zero” e que só entrega o posto de candidato ao pai. O ex-presidente Jair Bolsonaro está inelegível e cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes.
Flávio ainda afirmou que avaliou que as pesquisas de intenção de voto após ele anunciar a pré-candidatura teriam feito o mercado mudar de opinião em relação à sua viabilidade eleitoral.
“As primeiras pesquisas já surpreenderam esse pessoal, porque eles eram céticos. As pesquisas que vinham sendo apresentadas me colocavam muito atrás em relação aos outros nomes. Já as primeiras pesquisas, que me dão um resultado inclusive acima de outros nomes que estavam sendo colocados na mesa, que inclusive eram de preferência do mercado, como era o caso do Tarcísio, eles [dizem] ‘opa, está fazendo sentido, não é tão arriscado assim colocar o nome do Flávio Bolsonaro para concorrer à presidência'”, falou o senador. Ele anunciou em dezembro ter sido o escolhido pelo pai para ser candidato.
Desde que anunciou que irá concorrer à Presidência, o senador tem feito encontros com empresários para falar da sua candidatura. De acordo com ele, o seu objetivo é mostrar para esses integrantes do mercado que ele dará continuidade ao plano econômico de Paulo Guedes, que foi ministro da Economia no governo do seu pai.
“Nessas conversas [com o mercado], eu explico que não tem como um candidato ser inviável se ele aparece com mais de 30% na pesquisa sem ter feito movimento nenhum pelo Brasil”, disse Flávio, em referência a si mesmo. “Com relação à plataforma econômica, que eu não tenho o que inventar. Foi um trabalho genial, magistral do Paulo Guedes.”
O parlamentar afirmou que repetirá a estratégia do pai e anunciar ainda durante a campanha quem nomeará para o comando da economia. “Pretendo anunciar [o nome], inclusive para a transparência de uma chapa como essa. ‘Olha, o rumo que a economia vai seguir com o Flávio Bolsonaro vai ser este aqui'”, afirmou.
O senador não mencionou nomes possíveis, apenas disse será um liberal, alinhado à visão econômica de Paulo Guedes. “Com certeza [será um liberal]. Vamos dar continuidade a aquilo que o Paulo Guedes vinha fazendo”, declarou.