Uma grande reviravolta no caso do desaparecimento de Nancy Guthrie foi possível graças à experiência técnica do Google, disse uma pessoa familiarizada com a investigação à CNN.
A mãe da apresentadora do “Today”, Savannah Guthrie, desapareceu há mais de uma semana no Arizona. Mas, na terça-feira (10), as autoridades revelaram imagens de uma pessoa mascarada e armada na porta dela no dia em que desapareceu, depois de inicialmente dizerem que o vídeo não poderia ser recuperado. Engenheiros do Google, que é dono do Nest, conseguiram recuperar os dados após vários dias.
A tarefa era tão tecnicamente complexa que os investigadores não sabiam se seria bem-sucedida, disse a fonte. Um oficial do FBI afirmou no X que as imagens foram liberadas poucas horas após obtidas.
A CNN entrou em contato com o Nest e o Google para comentários.
O xerife do Condado de Pima, Chris Nanos, inicialmente disse que “não havia vídeo disponível” porque Guthrie “não tinha assinatura” do serviço de gravação de vídeo do Google, que mantém os vídeos das câmeras do Nest acessíveis na nuvem do Google.
Mas o Nest ainda salva cerca de três horas de histórico de vídeo “baseado em eventos” gratuitamente antes de ser excluído. Esses dados ficam na nuvem e servidores do Google. Mesmo que os dados tenham sido excluídos dos sistemas do Google, eles ainda poderiam existir em algum lugar e ser recuperados, porque até arquivos programados para exclusão podem existir até serem substituídos por novos dados, disse Nick Barreiro, analista forense de áudio e vídeo e fundador da Principle Forensics.
“Uma função de exclusão apenas diz ao sistema de arquivos para ignorar esses dados e liberar aquele espaço no disco rígido para novos dados… então, até que seja realmente utilizado novamente, esses dados antigos ainda são recuperáveis,” disse Barreiro. “Eu já tive casos em que consegui voltar meses ou até anos e encontrar pequenos fragmentos de arquivos de vídeo que ainda estavam no disco rígido.”
O diretor do FBI, Kash Patel, escreveu nas redes sociais, na terça-feira, que as autoridades, “trabalhando de perto com nossos parceiros do setor privado,” recuperaram alguns vídeos “de dados residuais localizados nos sistemas de backend” no caso Guthrie.
Os investigadores haviam enviado um mandado de busca para o Google em relação às câmeras do Nest na residência de Guthrie na semana passada, acrescentou a fonte. Esse tipo de ação é comum em uma investigação criminal.
Adam Malone, o principal especialista em crises cibernéticas da consultoria de cibersegurança Kroll e ex-agente especial do FBI com foco em cibersegurança, disse à CNN que os vídeos gravados por sistemas baseados em nuvem passam por “camadas e camadas” de componentes para fazer o aplicativo funcionar.
Por exemplo, “pode haver uma camada que apenas processa os dados em um novo formato comprimido”, disse Malone. “Pode haver outra que os renderiza em um determinado formato visual.”
As imagens e seus dados subjacentes podem passar por centenas de milhares de servidores e sistemas ao redor do mundo — aumentando a chance de dados residuais serem deixados para trás.
“Todas essas camadas possuem código, e conforme os dados se movem para ser processados e disponibilizados ao cliente, eles passam por diferentes camadas de subaplicativos, subservidores e subcomponentes de armazenamento,” explicou Malone, falando de maneira geral sobre arquitetura de aplicativos e manuseio de dados.
Cada um desses componentes apresentaria uma oportunidade para a recuperação dos dados, disse Malone.
“Eles teriam olhado para seus fluxos de desenvolvimento e perguntado: ‘Ei, nós processamos algum dado? Temos dados históricos que ainda estão aqui esperando para serem excluídos?’” disse Malone. “Pode ser que esse, por algum motivo, estivesse em uma fila que ainda não havia sido processada e que simplesmente ainda existisse.”