Na abertura do segundo semestre legislativo, realizada nesta terça, dia 5, a Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) leu e aprovou um manifesto contra o tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos. A sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, assinada pelo presidente Donald Trump, incide diretamente sobre exportações cearenses, como pescado e frutas, e deve entrar em vigor nesta quarta, dia 6.
O manifesto, intitulado “Manifesto em favor da economia e do povo do Ceará”, foi lido pelo deputado Danniel Oliveira (MDB) e é assinado pelo presidente da Casa, Romeu Aldigueri (PSB). A votação favorável teve o apoio de 31 deputados, em meio a discussões entre parlamentares da base e da oposição, especialmente representantes do Partido Liberal (PL), sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O deputado Guilherme Sampaio, líder do Governo na Alece, informou que há diálogo entre o Governo do Estado e o Governo Federal para minimizar os impactos econômicos da medida. Na semana anterior, o governador Elmano de Freitas (PT) esteve em Brasília para tratar do tema com representantes da União.
Por outro lado, o deputado Felipe Mota (União Brasil), da oposição e ligado ao setor do agronegócio, criticou o que considera a politização do tema, relacionando o aumento das tarifas à recente prisão domiciliar de Bolsonaro. Para ele, a falta de diálogo entre os governos brasileiro e norte-americano prejudica os produtores.
A decisão do ministro Alexandre de Moraes (STF) sobre a prisão domiciliar de Bolsonaro reacendeu o debate político, com repercussões também no cenário internacional. O governo dos EUA, por meio do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental, condenou a medida e declarou que responsabilizará quem colaborar com a ordem judicial, ampliando a tensão diplomática entre os países.