O dólar à vista encerrou a sessão de hoje em alta frente ao real, em um dia esvaziado e sem direcionadores claros devido ao feriado do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos. Por conta disso, o pregão foi marcado pela liquidez mais baixa, o que pode ter explicado a amplificação do movimento da moeda.
A maior valorização também se deu possivelmente com a briga pelo nível da cotação entre comprados e vendidos na moeda americana, já que amanhã ocorre a formação da última Ptax do mês, que serve como referência para os mercados futuros liquidados em dezembro.
Encerradas as negociações desta quinta-feira (27), o dólar à vista avançou 0,32%, cotado a R$ 5,3516, depois de ter encostado na mínima de R$ 5,3290 e tocado na máxima de R$ 5,3586. Já o euro comercial registrava valorização de 0,33%, a R$ 6,2052.
No exterior, a moeda americana não apresentava uma direção única, e o real registrou o pior desempenho entre as 33 divisas mais líquidas acompanhadas pelo Valor. Já o índice DXY, que compara a divisa americana a uma cesta de seis pares desenvolvidos, recuava 0,03%, perto das 17h20, aos 99,563 pontos.
Desde o começo do pregão de hoje, o dólar à vista exibiu valorização. Na ausência de orientadores de fora, os agentes estiveram mais atentos a questões locais. Dados do Caged vieram mais fracos do que o esperado pelo mercado, mas não afetaram o câmbio, da mesma forma que comentários do presidente do BC, Gabriel Galípolo, não fizeram preço nas negociações. Para um gestor de moedas, a queda do real hoje se deu em um ambiente em que os agentes estão mais cautelosos com a moeda brasileira por conta da sazonalidade de fluxo de fim de ano. Ele também mencionou a aproximação da formação da Ptax de fim de mês como possível gatilho para movimentos mais bruscos aqui, se comparado ao movimento dos pares.
Amanhã, a liquidez tende a se manter ainda baixa e a volatilidade pode aumentar mais com a formação da Ptax de fim de mês. Apesar da alta de hoje, na semana o dólar segue em queda. O banco ING diz, em nota, que a correção do dólar nesta semana tem mais a ver com o ajuste em torno da perspectiva de cortes do Federal Reserve (Fed), por conta de comentários menos conservadores de dirigentes, do que uma rotação de saída de moedas consideradas mais seguras.
Na mesma linha, comentários recentes de dirigentes do Federal Reserve (Fed) foram vistos pela AZ Quest como indicativos claros de que a autoridade deverá cortar juros em dezembro. Por conta disso, a gestora, que via antes possibilidade de o dólar recuperar terreno, agora prevê ainda espaço para as moedas de mercados emergentes valorizarem. Essa foi a leitura feita por Eduardo Aun, sócio e gerente de portfólio da AZ Quest Investimentos.
“Vimos na comunicação dos diretores e presidentes do Fed, em especial o [dirigente do Fed de Nova York, John] Williams e a [dirigente do Fed de San Francisco, Mary] Daly, que o BC americano está pendendo para um corte. As opiniões desses dois diretores foram bem relevantes a ponto de o mercado passar a precificar o corte de 0,25 ponto percentual em dezembro”, afirma. “Neste sentido, esse corte vem em um momento importante para as moedas, em especial de mercados emergentes. Até vimos um movimento mais incipiente nesta semana de dólar mais fraco.”
Mesmo com o real aquém dos pares hoje, a moeda brasileira ainda tem valorização semelhante a eles na semana. Operadores voltam a mencionar o diferencial de juros como uma âncora para o câmbio. Neste sentido, a Oxford Economics diz, em nota, que mantém sua recomendação para moedas de países com juros elevados. “Ao comparar os retornos excedentes entre países em relação ao dólar americano, as moedas de alto rendimento da América Latina apresentaram um desempenho superior neste ano, lideradas pelo real”, diz a economista Maya Senussi, acrescentando que a moeda brasileira deve continuar oferecendo altos retornos, dado seu elevado “carry”.