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Empresas não quebram por falta de esforço, mas por decisões, alerta especialista

Fonte Freepik

Nova leitura sobre dívidas tributárias mostra como fatores emocionais e cognitivos impactam diretamente a saúde financeira dos negócios

Empresários que trabalham muito, faturam bem e ainda assim enfrentam dificuldades financeiras não são exceção. São, na verdade, parte de um padrão mais comum do que se imagina. Segundo a advogada tributarista e especialista em neurociências das decisões Fernanda Marota, o problema raramente está na falta de esforço ou conhecimento técnico, mas na forma como as decisões são tomadas sob pressão.

Com mais de 13 anos de atuação, a especialista explica que vieses cognitivos, que são atalhos mentais naturais do cérebro, influenciam diretamente escolhas financeiras e tributárias, levando empresas a acumularem passivos de forma silenciosa ao longo do tempo.

“O empresário não decide simplesmente não pagar impostos. Na maioria das vezes, ele adia essa decisão para priorizar urgências imediatas. O problema é que esse adiamento, repetido ao longo do tempo, cria um efeito acumulativo que pode comprometer toda a operação”, afirma.

Entre os principais fatores está a tendência de priorizar ganhos imediatos em detrimento de riscos futuros, além do excesso de otimismo, que leva muitos empresários a acreditarem que dificuldades financeiras serão resolvidas rapidamente.

Outro ponto crítico é a dificuldade de separar mentalmente o faturamento do valor que já pertence ao Fisco. Na prática, parte do dinheiro que entra no caixa da empresa não está realmente disponível, mas essa percepção nem sempre acontece na rotina da gestão.

O resultado desse conjunto de decisões é um ciclo silencioso de endividamento. Hoje, a dívida ativa da União ultrapassa R$ 2,6 trilhões, sendo majoritariamente composta por empresas de pequeno e médio porte.

Com a chegada da Reforma Tributária e a implementação do modelo de split payment, que prevê o desconto automático de tributos no momento da transação, esse cenário tende a mudar. Embora o mecanismo reduza a possibilidade de adiamento de impostos, ele também pode expor fragilidades no fluxo de caixa de empresas que dependiam desse recurso para operar.

“A reforma não resolve o problema de fundo. Ela apenas torna mais visível. Empresas que não têm clareza sobre sua estrutura financeira podem sentir um impacto imediato no caixa”, explica.

Para a especialista, o caminho não está apenas no conhecimento técnico, mas na criação de processos mais conscientes e estruturados de tomada de decisão.

“No fim, o que quebra uma empresa não é uma grande decisão errada, mas uma sequência de pequenas decisões tomadas sob pressão, sem clareza do impacto real. Entender isso muda completamente a forma de gerir um negócio”, conclui.

Arquivo pessoal

Fernanda Marota

Fernanda Marota é advogada tributarista com mais de 13 anos de experiência e especialista em neurociências das decisões. Graduada em Direito pelo Mackenzie, possui MBA em Gestão Tributária pela FIPECAFI e especialização em Neurociências pela PUC PR. Atua no diagnóstico estratégico de empresas, conectando aspectos fiscais, financeiros e comportamentais para ajudar empresários a tomarem decisões mais conscientes e sustentáveis.

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