Os Estados Unidos capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em uma operação militar na Venezuela na madrugada deste sábado (3). O presidente norte-americano, Donald Trump, disse à Fox News que o casal está a bordo do navio USS Iwo Jima, e faria uma breve escala na base militar de Guantánamo, em Cuba, antes de ser transferido para Nova York.
Segundo Lucas Leite, professor de relações internacionais da FAAP, transportar Maduro por navio — em vez de avião, que seria mais rápido — “vai muito além da logística”. Para ele, é uma forma de exibir o presidente da Venezuela como “troféu de guerra em uma narrativa pensada para prolongar o impacto midiático”.
O professor entende que Trump busca “humilhar o adversário e enviar um recado regional claro sobre a capacidade dos EUA de capturar líderes no hemisfério ocidental”.
“Um navio militar funciona como território americano móvel, elimina entraves diplomáticos e transforma o traslado em uma demonstração explícita de poder”, completa.
Flavia Loss, professora de relações internacionais do Instituto Mauá de Tecnologia, relembra que o navio participou da invasão dos EUA no Iraque em 2003. Como tem capacidade de operar aeronaves e helicópteros, ela entende que a chegada de Maduro por meio da embarcação pode impressionar o eleitorado de Trump.
“Por isso, o fator tempo não é relevante: trata-se de mais uma estratégia de marketing do governo Trump”, pontua à reportagem.
Essas leituras ocorrem apesar de a FAA (Administração Federal de Aviação) dos EUA proibir a operação de aeronaves americanas em todas as altitudes dentro do espaço aéreo venezuelano neste sábado (3).
A professora Clarissa Forner, professora de relações internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, destaca também o aspecto logístico para além do simbólico. Segundo a internacionalista, o “custo tático” pode ajudar a explicar a escolha.
“Do ponto de vista logístico, embora um transporte via avião pudesse ser efetivamente mais rápido, me parece que a escolha pelo navio se refere ao fato de ser uma embarcação já utilizada para operações anfíbias, o que facilita essa conexão entre o espaço terrestre e marítimo, e que já vinha executando operações na região”, diz à CNN.
Contudo, Forner traz outro ponto de vista: para ela, Trump precisa exibir força no transporte e captura de Maduro por estar mais fraco politicamente. Isso porque pesquisa da CNN de novembro apontou queda significativa na aprovação do presidente dos EUA, atingindo seu menor nível durante o segundo mandato.
“A meu ver, essa operação é menos uma demonstração da força e mais um reflexo, e uma das muitas facetas do processo de declínio de longo prazo do poder estadunidense”, completa a professora.
E completa: “Então, embora o governo construa a operação como uma demonstração de força, também podemos pensar no militarismo como, na verdade, uma expressão do declínio, ou uma reação a esse movimento mais amplo de declínio”.
Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram retirados à força de seu quarto por forças especiais dos Estados Unidos durante a operação militar de grande escala na madrugada deste sábado.
O casal foi surpreendido por volta das 3h (horário de Brasília) enquanto dormia.
A captura, confirmada pelo presidente Donald Trump, foi executada pela Força Delta, unidade de elite do Exército americano, e não resultou em baixas para as tropas dos EUA.
Agora, Trump diz que administrará a Venezuela. Já a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, disse que Nicolás Maduro é o único presidente do país.