A continuidade do movimento de rotação global para mercados emergentes alimentou mais um dia de fluxo expressivo para as ações locais nesta segunda-feira. Com o suporte do capital estrangeiro, o Ibovespa quebrou nova marca de fechamento nominal, ao encerrar em alta de 1,80%, aos 186.241 pontos, bem perto da máxima intradiária, de 186.460 pontos. Já na mínima do dia, o índice tocou os 182.950 pontos.
Blue chips de bancos e de commodities voltaram a ser destaque na sessão, especialmente as units do Santander e as preferenciais do Itaú, que ganharam 5,98% e 3,34%, nessa ordem. A exceção ficou para as units do BTG Pactual, que tiveram leve perda de 0,12% após a divulgação do balanço do banco.
Segundo analistas consultados pelo Valor, o resultado da instituição financeira ficou em linha com as expectativas, mas não trouxe uma “grande surpresa positiva”, o que frustrou parte dos agentes financeiros.
“O mercado parece ter se acostumado com trimestres acima do consenso para os resultados do BTG Pactual”, definiu um analista, que não quis ser identificado.
Em nota enviada a clientes, a equipe da Monte Bravo foi na mesma linha e destacou que os números divulgados pelo BTG Pactual foram “fortes”, mas em linha com o que o mercado e a casa esperavam. “Desta forma — e diante da performance relativa das ações nos últimos meses e das altas expectativas criadas —, esperamos uma reação ligeiramente negativa ao resultado”, disse. A casa possui recomendação neutra para as units do banco, com preço-alvo em R$ 58.
Por outro lado, com o apoio da forte valorização nos preços de petróleo e do fluxo estrangeiro, as ações da Petrobras encerraram em alta: as ON subiram 2,03% e as PN avançaram 1,83%, o que indica que houve compra de papel por parte de investidores não residentes. Da mesma forma, a Vale exibiu valorização de 1,96% nesta segunda-feira.
Após recordes em série do Ibovespa, o indicador de amplitude do mercado local está em tendência positiva, com 84% das ações do principal índice acionário acima de suas médias móveis de 200 dias, enquanto o índice Small Cap (com empresas de menor capitalização de mercado) está em 80%, explicou o estrategista-chefe do Itaú BBA, Daniel Gewehr, em relatório.
Ao olhar para setores específicos, a equipe do Itaú BBA afirma que ações ligadas a commodities apresentam o melhor “momentum”. Já o setor doméstico está entre os que mais ficaram para atrás, embora ainda permaneça no quadrante mais favorável, com siderurgia e mineração, óleo e gás e financeiro aparecendo como principais destaques. Do lado negativo, porém, estão setores como agronegócio, saúde, além de papel e celulose.
Ainda que o espaço para um “re-rating” adicional no Brasil seja mais limitado neste momento na comparação com as primeiras semanas do ano, o mercado brasileiro ainda continua a oferecer uma “combinação atraente de valuations, alta liquidez e peso significativo” no índice MSCI Emerging Markets, na avaliação do Santander. “Essas características podem posicionar o Brasil como um receptor natural de fluxos marginais em um cenário de realocação global”, destaca a chefe de pesquisa e estratégia de ações do banco, Aline Cardoso, em relatório.
Embora os estrangeiros já tenham aportado mais de R$ 29 bilhões em ações já listadas neste ano, Cardoso projeta que os fluxos para o Brasil poderiam chegar a US$ 45 bilhões. A estimativa considera um cenário em que o peso do Brasil no MSCI Emerging Markets retorne à média histórica de longo prazo de cerca de 10%, o que poderia gerar um fluxo entre US$ 15 bilhões, em um cenário conservador, e de US$ 45 bilhões, em um cenário mais otimista.
Na sessão de hoje, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 20,7 bilhões e de R$ 27,4 bilhões na B3.
Já em Wall Street, os principais índices fecharam o pregão no positivo: o Nasdaq subiu 0,90%; o S&P teve alta de 0,47%; e o Dow Jones fechou estável, com viés de alta de 0,05%.