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Infraestrutura de saneamento e química sustentável redefinem o mercado de poliureia e poliuretano | Pulse Brand

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A busca por maior durabilidade em infraestrutura de saneamento e por formulações menos intensivas em carbono vem aproximando duas agendas que por muito tempo caminharam em paralelo na indústria de coatings. De um lado, um estudo publicado em 2026 na Scientific Reports mostrou que revestimentos de poliureia usados para proteger concreto em estações de tratamento de esgoto responderam de forma diferente a agentes agressivos como ácido sulfúrico, ureia e fenol. Nas condições testadas, as soluções com fenol tiveram o efeito mais severo sobre propriedades como dureza e resistência à tração, enquanto o ácido sulfúrico, nas faixas analisadas, provocou alterações mais limitadas.

Do outro lado, o avanço da pauta ambiental já aparece de forma mais concreta na cadeia de matérias-primas. Em março, a BASF anunciou a primeira produção comercial na América do Norte de polyether polyols com biomass balance, certificação ISCC PLUS e proposta de uso como solução “drop-in”, isto é, com manutenção de especificações e processamento equivalentes aos materiais convencionais. Na prática, isso sinaliza um movimento relevante: a sustentabilidade começa a ser cobrada não só como discurso corporativo, mas como atributo compatível com escala industrial, previsibilidade e desempenho.

Nesse contexto, a trajetória de Michel Michelacci Francisco ajuda a explicar por que esse debate ganhou densidade técnica em 2026. Com mais de 33 anos de atuação no desenvolvimento, aplicação, inspeção e treinamento em sistemas de poliureia e poliuretano, ele construiu uma carreira justamente na interseção entre desempenho técnico, durabilidade em campo e evolução de formulações industriais. Seu histórico reúne experiência em revestimentos de alto desempenho, impermeabilização, validação de formulações customizadas, redução de VOC, inspeção alinhada a padrões AMPP/NACE e treinamento de mais de 500 profissionais, além de participação em projetos de padronização técnica e em soluções aplicadas a ambientes agressivos e estruturas expostas a elevada exigência operacional. Na prática, sua trajetória acompanha a mudança que hoje movimenta o setor: a passagem de um mercado focado apenas em aplicação para outro em que formulação sustentável, controle de qualidade, vida útil e conformidade técnica passaram a fazer parte da mesma equação.

Para Michel Michelacci Francisco, especialista em poliureia e poliuretano e Technical Services Director da Freedom Chemical, a convergência entre saneamento e formulações sustentáveis está mudando a lógica de especificação do setor. “O mercado começa a sair de uma discussão centrada apenas no custo inicial do material e passa a olhar o ciclo completo: resistência química, preparo de superfície, método de aplicação, inspeção e vida útil. Sustentabilidade real, nesse contexto, é a tecnologia que reduz impacto sem sacrificar desempenho nem aumentar risco operacional”, afirma.

No caso do saneamento, a leitura técnica é especialmente sensível. O estudo da Scientific Reports reforça que não basta tratar a poliureia como solução universal para qualquer ambiente agressivo. O especialista fala que a escolha do sistema depende da natureza química do meio, da espessura especificada, do perfil do substrato e da qualidade da aplicação. Michel observa que, em ambientes de esgoto, a diferença entre sucesso e falha costuma estar menos na promessa comercial do produto e mais na disciplina de execução: inspeção, preparação adequada da superfície, controle de variáveis de aplicação e validação final do revestimento. É justamente nessa frente que o currículo dele enfatiza experiência com metodologias alinhadas a padrões AMPP e NACE, além de treinamento de centenas de profissionais.

Ao mesmo tempo, a sustentabilidade em PU e poliuretano também avança em diferentes frentes. Em fevereiro, o Fraunhofer anunciou uma rota de produção de poliuretano sem uso de isocianato tóxico, substituindo-o por dicarbamato e apontando ganhos potenciais de segurança ocupacional e redução de emissões. Já o Waterborne Symposium 2026 reforçou o peso crescente das tecnologias eco-friendly na agenda global de coatings. Para Michel, esse movimento é relevante, mas precisa ser lido com pragmatismo industrial. “Há uma diferença entre inovação promissora e solução pronta para a rotina fabril. Hoje, o avanço mais tangível está em matérias-primas renováveis, redução de VOC e soluções que o cliente consegue incorporar sem desorganizar a operação”, diz.

A agenda setorial de 2026 reforça essa transição. A AMPP incluiu neste ano novas sessões sobre tratamento de água, dessalinização, infraestrutura civil e proteção de ativos, indicando que corrosão, revestimento e sustentabilidade deixaram de ser temas isolados para se tornar parte da conversa sobre resiliência de infraestrutura. Nesse cenário, especialistas com histórico em formulação, inspeção, treinamento e aplicação em ambientes agressivos tendem a ganhar mais espaço no debate público e técnico. Michel se encaixa nesse perfil: além da experiência em desenvolvimento de formulações e inspeção, seu histórico inclui participação em normas técnicas, treinamento de mais de 500 profissionais e projetos de revestimentos de alto desempenho para aplicações críticas.

No fim, a mudança que se desenha para 2026 não é apenas a troca de uma química por outra. Michel Michelacci Francisco destaca que o que está em curso é uma revisão do próprio conceito de desempenho no setor. Em saneamento, isso significaria revestimentos capazes de suportar ambientes agressivos com menos manutenção e menor risco de parada. “Em formulações sustentáveis, significa avançar para matérias-primas e processos que reduzam pegada ambiental sem renunciar a previsibilidade industrial. Para o mercado, a mensagem é clara: não basta mais ser resistente, nem basta mais ser “verde”. O novo padrão será combinar as duas coisas”, finaliza.



Valor Econômico

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