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Janja revela ter sido assediada duas vezes como primeira-dama | Política

Anistia ampla, geral e irrestrita é impossível, diz relator | Política

A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, revelou nesta terça-feira (3), em entrevista ao programa “Sem Censura”, da TV Brasil, que já foi assediada duas vezes durante o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela mencionou os episódios ao comentar que outras mulheres também estão vulneráveis a casos de violência.

“A gente não tem segurança nenhuma, em nenhum lugar. Eu, como primeira-dama, não tenho segurança no lugar onde estou. Eu fui assediada neste período [do terceiro mandato de Lula] duas vezes”, afirmou Janja, sem dar detalhes sobre os casos. “Se eu, enquanto primeira-dama, que tenho toda uma equipe em torno, um olhar, câmeras e tudo, sou assediada, você imagina uma mulher no ponto do ônibus às dez horas da noite.”

Na entrevista, ela também voltou a defender a regulamentação das plataformas digitais no Brasil. Na avaliação dela, o discurso de ódio é o que mais tem matado mulheres hoje.

“Esse discurso de ódio é muito prevalente na internet e não é menos nocivo porque acontece no ambiente digital”, enfatizou a primeira-dama, que é socióloga. “Hoje, há muitos canais [na internet] que disseminam discurso de ódio contra as mulheres com as crianças e adolescentes.”

Nas últimas semanas, o noticiário nacional foi permeado por crimes de feminicídio que chocaram o país. Um deles envolveu o estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos por quatro homens e um adolescente no dia 31 de janeiro em Copacabana, no Rio de Janeiro. Um dos criminosos era ex-namorado da vítima.

Outro caso que veio à tona foi o da menina de 12 anos que sofria abusos sexuais e vivia com um homem de 35 anos, em Minas Gerais.

Ao comentar alguns desses episódios, Janja disse que o problema é “o gap muito grande do sistema judiciário”. “Às vezes um juiz de primeira instância não dá a medida protetiva [à vítima] ou quando dá, os mecanismos de segurança não fazem o monitoramento daquele agressor”, comentou.

Janja foi uma das principais articuladoras de um pacto dos três Poderes contra o feminicídio, lançado em cerimônia no Palácio do Planalto em 4 de fevereiro, que contou com a participação de representantes do governo federal, do Legislativo e do Judiciário.

Ela destacou que a medida é importante “porque a gente quer que as coisas funcionem, que a engrenagem esteja toda funcionando para que as mulheres se sintam protegidas”.

“Tanto aquelas que pedem medida protetiva quanto aquelas que ainda não pediram medida protetiva”, afirmou.

Como mostrou o Valor, a iniciativa prevê uma atuação inédita, coordenada e permanente entre os três Poderes para prevenir a violência letal contra meninas e mulheres. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Brasil registrou quatro mulheres assassinadas por dia em 2025.

Ao longo do ano todo, foram contabilizados 1.470 feminicídios — um recorde. O indicador, que reúne informações de todos os distritos, também mostrou que São Paulo e Rio de Janeiro são as cidades mais violentas para mulheres.

Apesar de ter tido papel central na construção do programa, Janja afirmou na entrevista desta terça que o grande idealizador da medida foi Lula. “Essa ideia não é minha. Eu vou dar o nome do responsável, que eu acordo e durmo com ele todos os dias: Luiz Inácio Lula da SIlva”, esclareceu.

“A gente fez uma reunião, um pouco antes do final do ano, chamando os outros poderes. Ele falou assim: ‘Eu quero que a gente faça um pacto, porque a gente já tem um pacto do Ministério das Mulheres com relação ao feminicídio, mas um pacto nesse nível a gente nunca teve. A gente nunca teve os representantes dos três Poderes, o presidente do Senado, presidente da Câmara, presidente do STF, o presidente do Brasil, falando sobre isso’. Então isso é inédito e importante”.

Durante o evento de implementação do pacto no mês passado, o presidente Lula agradeceu à primeira-dama por tê-lo alertado sobre a gravidade da violência contra a mulher no país. “Se não fosse pela minha mulher, eu possivelmente estaria contente em apenas fazer uma nota solidária [às mulheres]. O que estamos dizendo hoje é que não queremos soltar uma nota [de repúdio à violência], mas sim sermos parceiros na luta contra o feminicídio”, disse ao discursar.



Valor Econômico

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