A incorporadora Tenda registrou no quarto trimestre um lucro líquido de R$ 104,6 milhões, o que representa um crescimento de 390,9% sobre o mesmo período de 2024.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) cresceu 103,1% na mesma base, para R$ 173,5 milhões. A margem bruta subiu 2,9 pontos percentuais em um ano, para 30%.
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A receita líquida da Tenda chegou a R$ 1,18 bilhão, crescimento de 38,9% sobre o último trimestre de 2024. Todos os dados acima se referem aos resultados consolidados da Tenda, que incluem a operação de incorporação vertical (prédios) da marca Tenda, vendidas por meio do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), e a divisão de casas pré-fabricadas Alea.
O grupo teve alta de 10,6% nos lançamentos, que atingiram R$ 1,77 bilhão em valor geral de venda (VGV) no quarto trimestre, e de 24,5% nas vendas líquidas, que somaram R$ 1,22 bilhão.
Luiz Maurício Garcia, diretor-financeiro da Tenda, afirma que a melhora nos resultados se deve ao bom desempenho do MCMV, e ao modelo construtivo da Tenda, que usa formas de alumínio, o que demanda menos trabalhadores do que outros métodos — e ajuda a empresa a desviar da inflação de mão de obra do setor. “Tem concorrentes nossos que estão com pressão maior de custos e, consequentemente, têm que repassar mais preço [às unidades]. Às vezes, a empresa até mantém margem, mas vem com velocidade de venda mais baixa”, diz, o que não estaria afetando a companhia.
A Tenda divulgou, adicionalmente, que atingiu R$ 1 bilhão em vendas brutas em janeiro e fevereiro deste ano, valor 27% superior ao primeiro bimestre de 2025.
A dívida líquida da companhia terminou o ano em R$ 266 milhões, alta de 38,4%. A relação da dívida líquida sobre o Ebitda ajustado ficou estável, em 0,39 vez.
No acumulado de 2025, a Tenda obteve um lucro líquido consolidado de R$ 505,7 milhões, alta de 375,2% sobre 2024, com Ebitda de R$ 586,1 milhões, aumento de 71,2%.
A receita cresceu 27,1%, para R$ 4,17 bilhões. Houve geração de caixa de R$ 89,6 milhões, queda de 29% em um ano.
Os lançamentos somaram R$ 5,36 bilhões em VGV, leve queda de 1,8%, enquanto as vendas líquidas cresceram 4,8%, para R$ 4,74 bilhões.
No material que acompanha o balanço da empresa, a Tenda destaca que a Alea não cumpriu nenhuma previsão projetada para 2025, enquanto a marca Tenda atingiu todas as metas. A Alea contribuiu com prejuízo líquido de R$ 50,2 milhões no trimestre e R$ 130,4 milhões no ano.
“Aceleramos antes da hora”, afirma a companhia sobre a Alea, um “erro de timing” que estaria sendo corrigido no momento. Para 2026, a meta é que Alea tenha queime de R$ 60 milhões a R$ 80 milhões, ante R$ 154,2 milhões em 2025.
O grupo projeta um resultado líquido consolidado de R$ 500 milhões a R$ 600 milhões para 2026, que não considera resultado de swap de dívida. O lucro líquido de 2025, sem o swap, foi de R$ 370,6 milhões. Dessa forma, a projeção é de um aumento de 35% a 62% no indicador neste ano.
De acordo com Garcia, a empresa pretende manter o ritmo de vendas, que começou 2026 superior a 2025, e também acelerar lançamentos, no consolidado.
O governo federal anunciou nesta semana que pretende aumentar o valor das faixas de renda e do teto de preço de imóveis vendidos no programa habitacional. A medida precisa ser aprovada pelo conselho curador do FGTS, que se reúne no dia 24.
Segundo Garcia, a mudança na faixa 1, que teria o limite da renda familiar elevado de R$ 2.850 para R$ 3.200, significaria um acréscimo de R$ 8 mil no quanto cada família desse grupo poderia pagar por um apartamento.
Metade das vendas da Tenda, no quarto trimestre, ocorreram na faixa 1.
Na média, o cliente da Tenda teria um ganho de poder aquisitivo de R$ 4 mil, de acordo com cálculos da incorporadora, caso as medidas sejam aprovadas. “Tende a ser mais uma mudança muito forte a beneficiar o segmento”, diz Garcia.
A Tenda previa reduzir a participação da faixa 1 nas suas vendas, com crescimento das faixas 2 e 3. Agora, porém, esse deslocamento deve ser mais lento, o que traz o benefício de manter a carga tributária da companhia mais baixa: unidades da faixa 1 integram o regime especial de tributação (RET) de 1% sobre a receita, enquanto as demais faixas pagam 4%. “Traz esse duplo benefício, de ganho de poder aquisitivo e redução de carga tributária”, afirma Garcia.