A Natura Cosméticos registrou prejuízo líquido de R$ 321 milhões no quarto trimestre de 2025, queda de 26,8% em relação a igual período de 2024, quando as perdas foram de R$ 438 milhões.
De acordo com o grupo, operações descontinuadas totalizaram baixa de R$ 507 milhões no último trimestre de 2025. Desse montante, cerca de R$ 360 milhões são relacionados à conclusão de disputas ligadas à subsidiária Avon Products, nos Estados Unidos, e R$ 147 milhões à conclusão das vendas da Avon International, Avon Rússia e Avon América Central e República Dominicana.
- Confira os resultados, indicadores e notícias da Natura Cosméticos e das demais companhias de capital aberto no portal Valor Empresas 360
O resultado líquido das operações continuadas do grupo, métrica usada pela companhia para se referir ao seu negócio principal, como as operações da Natura e da Avon na América Latina, foi um lucro de R$ 186 milhões, ante prejuízo de R$ 227 milhões do quarto trimestre de 2024.
O resultado inclui a provisão integral não recorrente sem efeito caixa de baixa de R$ 434 milhões de recebíveis da venda da The Body Shop. Sem esse impacto, o lucro líquido das operações continuadas mudaria para R$ 620 milhões.
De acordo com a Natura, o lucro líquido foi pressionado pelo processo de simplificação, concluído no último trimestre do ano passado, com as vendas da Avon International e da Avon Rússia.
O ano de “2025 marcou a bem-sucedida conclusão da simplificação do grupo, com as vendas da Avon International, Avon América Central e República Dominicana e Avon Rússia. Foi também o ano em que a estrutura da ‘holding’ foi otimizada em todo o seu potencial após a fusão da Natura &Co com a Natura Cosméticos”, afirma a Natura Cosméticos, em comunicado que acompanha o balanço.
A receita líquida da Natura Cosméticos caiu 12,1% no comparativo anual, para R$ 6,19 bilhões. No relatório, a companhia disse que a incerteza macroeconômica no Brasil, a consequente desaceleração do mercado de beleza e a ligeira perda de participação de mercado da Natura pressionaram o crescimento das receitas no Brasil. Também informou que os impactos do projeto Onda 2, de integração das marcas Avon e Natura, foram sentidos nos principais mercados hispânicos.
No Brasil, a receita do grupo caiu 4,8%, para R$ 3,77 bilhões. O faturamento da marca Natura recuou 2,2% no comparativo do quarto trimestre de 2025 com igual período de 2024, e o da Avon teve queda de 11,5% na mesma base de comparação.
Segundo o grupo, a marca Natura foi impactada principalmente pela redução no número e na atividade das consultoras menos produtivas. A Avon ainda enfrenta pressões sobre seu relançamento.
Na divisão de negócios dos países vizinhos, a Hispana, a receita caiu 21,5%, para R$ 2,42 bilhões. O faturamento da marca Natura nesses países caiu 13,6%, o da Avon caiu 36,3% e o do portfólio de Casa & Estilo caiu 41,6%.
O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) entre outubro e dezembro foi positivo e somou R$ 444 milhões, contra o negativo de R$ 173 milhões de igual período de 2024. A margem Ebitda foi de 7,2%, alta de 9,6 pontos percentuais. Na métrica recorrente, ficou em R$ 978 milhões, alta de 57,2%. Já a margem recorrente foi de 15,8%, alta de sete pontos percentuais.
A companhia diz que a melhora na rentabilidade no Brasil se deve a ganhos na margem bruta, pela otimização das despesas com vendas e pela redução estratégica na remuneração variável em meio a receitas mais fracas no ano. Nos demais países da América Latina, eficiências planejadas nas despesas com vendas, gerais e administrativas, decorrentes principalmente da integração da Natura e da Avon nos dois principais mercados da região, ajudaram o desempenho.
A dívida líquida da companhia no quarto trimestre ficou em R$ 3,47 bilhões, abaixo do trimestre anterior, de R$ 4,04 bilhões. A relação entre dívida líquida e Ebitda ficou em 1,57 vez, contra os 2,53 vezes do trimestre anterior.
No acumulado de 2025, a Natura Cosméticos teve prejuízo de R$ 2,2 bilhões, queda de 75,3% na comparação com 2024. As receitas caíram 5% na mesma base de comparação, para R$ 22,21 bilhões.