A COP 30 chegou ao fim na sexta-feira (21), em Belém (PA), após 11 dias que colocaram o Brasil no centro das negociações climáticas globais. Entre os temas que ganharam força nas discussões, sustentabilidade, segurança alimentar e energética com produção agropecuária de baixo impacto estiveram entre os destaques.
Para o vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CNA, Muni Lourenço, o evento consolidou o papel do agro brasileiro como agente estratégico na solução dos desafios climáticos e na garantia de oferta de alimentos em escala global.
“A COP30 foi uma vitrine para o agro brasileiro. Mostramos resultados concretos e reforçamos nosso compromisso com a sustentabilidade. Agora, é transformar esse reconhecimento em mais inovação, mais eficiência e mais oportunidades para quem produz e preserva”, concluiu.
Lourenço avaliou que a conferência foi “um marco” para ampliar o diálogo internacional sobre o modelo produtivo brasileiro e sua relação com a preservação ambiental. Segundo ele, o setor rural saiu fortalecido ao apresentar dados, experiências e tecnologias que comprovam a capacidade do país de produzir mais, com menos impacto e mantendo elevado nível de conservação dos biomas.
“Durante a COP, conseguimos mostrar ao mundo que o Brasil é uma potência agroambiental, que concilia produtividade, inovação e respeito ao meio ambiente”, afirmou.
Um dos eixos centrais da participação do setor foi o debate sobre segurança alimentar, considerado um tema super importante diante do aumento populacional e das pressões sobre recursos naturais. Lourenço destacou que diversas mesas e painéis reforçaram a interdependência entre produção de alimentos e estabilidade climática.
“Ficou evidente que não existe transição verde sem garantir comida acessível e disponível. O Brasil tem um papel decisivo nessa equação, porque reúne tecnologia, biodiversidade e capacidade produtiva únicas”, disse.
Produtor rural é guardião do patrimônio ambiental
Ao longo da COP 30, representantes da CNA e produtores rurais apresentaram práticas de agricultura de baixo carbono, sistemas integrados, recuperação de pastagens degradadas e modelos de uso racional do solo — iniciativas que, segundo Lourenço, já fazem parte da rotina de milhares de propriedades. Ele enfatizou ainda o rigor do Código Florestal e os índices de preservação da vegetação nativa como diferenciais brasileiros.
“O produtor rural é, antes de tudo, guardião do patrimônio ambiental. Essa mensagem foi bem compreendida por delegações estrangeiras que visitaram nossos espaços”, afirmou.
O dirigente ressaltou a importância de desmitificar narrativas de que o produtor rural brasileiro não está atento e preocupado com as questões climáticas.
“O agro brasileiro deu seu recado, desconstruindo narrativas equivocadas e o mundo passou a ter uma melhor compreensão sobre o compromisso do produtor rural brasileiro com a sustentabilidade. Os produtores comprometidos com o uso responsável da terra e isso ficou claro para a comunidade internacional”.
A conferência também ampliou discussões sobre financiamento climático, rastreabilidade e mercados sustentáveis — temas considerados essenciais para acelerar a transição verde no campo. Lourenço defendeu mais linhas de crédito verdes, remuneração por serviços ambientais e instrumentos que incentivem a adoção de tecnologias limpas. “O Brasil avançou muito, mas precisa de mecanismos que valorizem quem produz com responsabilidade. Esse foi um recado forte levado à COP”, disse.
Mais de 35 painéis foram promovidos pelo Sistema CNA na Agrizone, com debates voltados para a produção de frutas, cacau, pecuária, grãos, aves, suínos, aquicultura, entre outras cadeias produtivas, reforçando o compromisso do setor com a sustentabilidade. Pesquisadores nacionais e internacionais, professores e especialistas apresentaram estudos, análises e perspectivas de avanço nas áreas de mitigação e mensuração dos impactos positivos do agro brasileiro.
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“A AgriZone foi uma iniciativa inédita e pela primeira vez tivemos um espaço exclusivo para a agropecuária e com discussões do setor, em parceria com a Embrapa, mostrando para o mundo o exemplo de quem consegue conciliar produção de alimentos e preservação ambiental. Na Blue Zone, recebemos autoridades e especialistas para reforçar o papel chave do setor na contribuição da redução das emissões de gases”, avaliou Muni Lourenço.
O diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Bruno Lucchi, completou dizendo que “a AgriZone foi um espaço fundamental nesse processo, não apenas pelos eventos e debates promovidos pelo Sistema CNA/Senar e a Embrapa, mas também pelas vitrines tecnológicas que demonstraram, na prática, tudo o que o que foi discutido ao longo das duas semanas”.