07/02/2026
A orientação às famílias sobre sono infantil passou a exigir atenção redobrada do ponto de vista jurídico e ético. Em um cenário de maior visibilidade do esgotamento materno e da vulnerabilidade emocional nos primeiros anos da infância, cresce o dever de informação clara, responsável e baseada em evidências. A ausência de critérios técnicos e a difusão de orientações genéricas podem gerar impactos negativos no desenvolvimento infantil e na saúde emocional das famílias, além de potencial responsabilização por práticas inadequadas.
O dever de informação está diretamente ligado ao princípio da boa fé e à proteção do consumidor em serviços de orientação familiar. Quando o tema envolve crianças pequenas, a responsabilidade se intensifica. Pais e cuidadores buscam apoio em um momento de fragilidade física e emocional, o que torna essencial a comunicação transparente sobre limites da atuação, fundamentos científicos e expectativas realistas de resultados. A orientação ética pressupõe evitar promessas absolutas e respeitar o ritmo individual de cada criança.
No campo do desenvolvimento infantil, a distinção entre orientação baseada em ciência e práticas sem respaldo técnico é fundamental. Métodos estruturados, fundamentados em neurociência do desenvolvimento e observação prática, reduzem riscos e ampliam a segurança das famílias. A atuação responsável pressupõe delimitação clara do escopo do trabalho, sem invadir atos privativos de profissionais da saúde e sem substituir acompanhamento médico quando necessário.
A experiência prática de profissionais que adotam esse cuidado contribui para o amadurecimento do setor. A consultora do sono infantil Viviane Morici Gonçalves Feijao desenvolveu um método autoral com base em evidências científicas, aplicado ao longo de anos com famílias no Brasil e nos Estados Unidos. Segundo ela, informar de forma responsável é parte central do trabalho, pois o sono infantil não pode ser tratado como fórmula única, mas como construção progressiva que envolve rotina, previsibilidade e vínculo emocional.
Outro ponto relevante é a comunicação ética em ambientes digitais. A popularização de conteúdos sobre sono infantil nas redes sociais ampliou o alcance da informação, mas também elevou o risco de orientações superficiais. O dever de informação responsável exige contextualização, esclarecimento de limites e estímulo à busca de apoio qualificado quando necessário. Essa postura protege as famílias e fortalece a credibilidade profissional.

Viviane Morici Gonçalves Feijao
Do ponto de vista jurídico, a clareza na prestação do serviço e a documentação adequada das orientações são medidas preventivas importantes. Informar o caráter educativo do acompanhamento, registrar limites da atuação e basear recomendações em evidências reduz riscos de conflitos e judicialização. A transparência contribui para uma relação de confiança entre profissional e família, alinhada às boas práticas de consumo e responsabilidade civil.
À medida que o debate sobre sono infantil e saúde emocional ganha espaço, o dever de informação se consolida como pilar da atuação ética. A orientação responsável protege o desenvolvimento das crianças, resguarda as famílias e fortalece um campo profissional que atua em uma das fases mais sensíveis da vida. O avanço desse entendimento aponta para a necessidade de métodos claros, comunicação honesta e compromisso contínuo com a ciência e com o bem estar infantil.