As ações da XP Inc. são negociadas hoje com desvalorização na bolsa americana Nasdaq, após a companhia divulgar ontem, após o fechamento do mercado, os resultados referentes ao segundo trimestre. Por volta das 14h (de Brasília), os papéis caíam 6,3%, cotados a US$ 16,40.
Segundo análise do time de pesquisa do BTG Pactual, os números mais fracos da companhia na linha superior de receitas já estavam embutidos nos preços das ações, após uma queda de 15% em relação ao pico no fim de junho. Foi uma combinação de correção dos mercados no Brasil, com fluxos estrangeiros mais fracos e uma mensagem mais conservadora da administração em relação à captação líquida e de crescimento de receitas.
Os resultados do segundo trimestre confirmaram a mensagem de performance mais fraca, já que a receita líquida cresceu apenas 5,6% na comparação anual e 6,4% no primeiro semestre de 2025, abaixo da orientação de expansão de 10% que a administração forneceu em fevereiro, quando a companhia divulgou os resultados do quarto trimestre de 2024, escrevem os analistas do BTG em relatório a clientes.
A captação líquida no varejo atingiu R$ 16 bilhões, ligeiramente abaixo da meta de R$ 20 bilhões a cada trimestre. “Do lado positivo, o lucro líquido e a geração de capital foram melhores, o que deve permitir recompras/dividendos fortes e contínuos”, apontam. Já o lucro por ação, ficou 6% acima do consenso, enquanto o total de ativos sob custódia alcançou R$ 1,37 trilhão, alta trimestral de 3% e de 14% em 12 meses. Num período de recuperação da bolsa, as receitas com ações se fortaleceram, mas a atividade de banco de investimentos trouxe menos resultado – algo que já tinha sido antecipado.
Os analistas enfatizam que, em reunião com investidores durante o evento anual Expert da XP, o CEO Thiago Mafra, enfatizou o posicionamento de longo prazo e as iniciativas estruturais da empresa, reconhecendo o cenário atual mais desafiador. A administração destacou os planos de contratar 600 novos assessores em 2025, ante 1 mil em 2024, e expandir o modelo de minifranquia, com nove já operando em todo o Brasil. A empresa também abordou os desafios de reputação enfrentados no primeiro trimestre de 2025, incluindo um vazamento de dados e um ataque de “short-seller”, admitindo que a companhia poderia ter sofrido menos com o episódio.
Olhando à frente, o cronograma de produtos na oferta da XP é mais forte no segundo semestre do que no primeiro, com foco em investimentos, oportunidades de vendas cruzadas, crescimento do atacado e o lançamento do serviço de sub-adquirência até o fim do ano.
Para os analistas do BTG, a ação da XP está barata, sendo negociada com um preço/lucro de 10 vezes. Os analistas notam que o retorno sobre o patrimônio (ROE) continua a se expandir, com uma geração de capital melhor, acrescentando que ainda veem assimetria num horizonte de 12 a 18 meses. O banco tem recomendação de compra, com um preço-alvo de US$ 22,00.
Já os analistas do Itaú BBA destacaram que os ativos de clientes atingiram R$ 1,4 trilhão, 1% abaixo das expectativas, mas com alta de 14% em relação ao ano anterior. A captação líquida do varejo foi de R$ 15,6 bilhões, “significativamente abaixo da nossa estimativa de R$ 19 bilhões e da projeção de R$ 20 bilhões por trimestre, que foi reforçada para os próximos trimestres”.
As receitas com ações foram um destaque, crescendo 7% em relação ao trimestre anterior, para R$ 1 bilhão, impulsionadas pelos melhores volumes de transações de varejo da B3. No entanto, a renda fixa sentiu o impacto da atividade mais lenta do DCM, caindo 3% em relação ao trimestre anterior, para R$ 988 milhões, embora ainda crescendo 20% em relação ao ano anterior. “As taxas de captação do varejo ficaram 1 ponto percentual acima da nossa expectativa, em 1,28%, estável em relação ao trimestre anterior”, aponta o Itaú BBA em relatório a clientes.
Com base nos ativos sob gestão e na captação líquida, a casa estima um desempenho de 3,2% em relação ao trimestre anterior para os clientes da XP, próximo do CDI, mas abaixo do referencial implícito de mix de 4,7%, usando o CDI (3,5%) para renda fixa e o desempenho do Ibovespa (6,6%). O banco de atacado destaca ainda que os custos atingiram R$ 1,4 bilhão, 1,4% abaixo do trimestre anterior (em comparação com a receita, que cresceu 2,6% em relação ao trimestre anterior) e significativamente abaixo das expectativas dos analistas, já que as comissões e incentivos pagos aos assessores de investimentos permaneceram estáveis em relação ao primeiro trimestre.
O EBT e o lucro líquido superaram as estimativas dos analistas do Itaú BBA devido à melhora dos custos. O EBT ficou 4,6% acima do que projetava, atingindo R$ 1,3 bilhão. “Uma alíquota de imposto ligeiramente menor ajudou o lucro líquido a superar os nossos números em 6%, atingindo R$ 1,3 bilhão (aumento de 18% ano contra ano)”, escreveram os analistas. O EPS cresceu mais rapidamente devido às recompras de ações, crescendo 22%.
O Itaú BBA tem recomendação de compra para as ações da XP, com um preço-alvo de US$ 20,64.