Os preços do petróleo e do gás natural dispararam após os Estados Unidos anunciarem o bloqueio do Estreito de Ormuz, depois que as negociações entre Washington e Teerã no fim de semana não resultaram em um acordo, agravando a crise energética global.
Os contratos futuros negociados para maio na Nymex (bolsa de futuros de commodities) para o petróleo Brent, referência internacional, subiram até 7,8%, chegando a US$ 103 o barril, enquanto os futuros de WTI (referência nos Estados Unidos) avançaram 8%, para US$ 104. Os futuros de gás na Europa dispararam até 18%. Antes do conflito, a cotação média do petróleo estava em torno de US$ 70 por barril. Ultrapassou a casa dos US$ 100 em poucos dias após o início das hostilidades e recuou para US$ 90 logo após a trégua de 12 dias acordada entre os países em 7 de março.
Mas as negociações patrocinadas pelo Paquistão neste domingo (12) falharam após 21 horas de conversas e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o bloqueio de Ormuz pela Marinha americana.
As forças americanas começarão a implementar o bloqueio, que se aplica apenas a embarcações que entram ou saem de portos iranianos, a partir das 10h (horário de Nova York) desta segunda-feira, informou o Comando Central dos Estados Unidos.
Os mercados globais de energia foram afetados pelo conflito, com os preços mais altos do petróleo e do gás ameaçando alimentar a inflação e desacelerar o crescimento econômico.
Em todo o mundo, há agora uma corrida desesperada entre refinarias e comerciantes por cargas de petróleo bruto disponíveis imediatamente, à medida que a oferta física se torna mais restrita.
Ormuz, que liga o Golfo Pérsico a mercados mais amplos, está fechado desde que os ataques americanos e israelenses contra o Irã começaram no final de fevereiro.
Teerã frustrou a Casa Branca ao intensificar o controle, impondo pagamentos a algumas embarcações e mantendo o tráfego marítimo em níveis muito inferiores aos anteriores à guerra.
“Parece-me uma iniciativa bastante ambiciosa, que não resolve o problema da interrupção”, disse Mona Yacoubian, diretora do Programa para o Oriente Médio do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, sobre o plano de bloqueio dos EUA. “É difícil entender.”
O trânsito pelo estreito havia aumentado no sábado. No domingo, porém, duas embarcações tentaram atravessar a estreita passagem, mas retornaram abruptamente, após o fracasso das negociações em Islamabad. Trump ameaçou retaliar em caso de resistência ao bloqueio. “Qualquer iraniano que atirar contra nós, ou contra embarcações pacíficas, será explodido”, disse ele.
Se o Irã sentir que suas exportações de petróleo estão ameaçadas, poderá pressionar as forças Houthi no Iêmen a atacar o trânsito pelo estreito de Bab el-Mandeb, na entrada sul do Mar Vermelho, disse Yacoubian. “Aí, você estará em maus lençóis”, disse ela. “A experiência sugere que os iranianos não cederão, mas responderão na mesma moeda. É o que temos visto repetidamente.”
O fracasso das negociações, confirmado por ambos os lados, representa um revés significativo após um frágil cessar-fogo ter sido acordado na semana passada. O Irã classificou as exigências dos Estados Unidos como “excessivas”, segundo a agência semioficial Tasnim.
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que o principal objetivo de Washington era um compromisso de Teerã de não buscar armas nucleares, mas o país retornou sem elas.
A Arábia Saudita anunciou separadamente, no domingo, que restabeleceu a capacidade total de bombeamento do gasoduto Leste-Oeste, uma ligação vital que atravessa o país até o Mar Vermelho, e a produção do campo de Manifa.