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Sem sinal de trégua, Trump vai enviar mais jatos de guerra ao Oriente Médio

Sem sinal de trégua, Trump vai enviar mais jatos de guerra ao Oriente Médio

Os Estados Unidos decidiram aumentar o número de aeronaves no Oriente Médio à medida que as tensões com o Irã se intensificam.

Os EUA planejam enviar caças F-16 e F-35 adicionais a partir de bases na Europa, bem como mais aeronaves de reabastecimento em voo, segundo uma autoridade americana.

Esses recursos adicionais poderiam ampliar as opções do presidente Donald Trump enquanto ele avalia como proceder diante da escalada do conflito.

Na semana passada, Trump recebeu um briefing na Sala de Situação sobre opções para intensificar o conflito. Foi quando o presidente dos EUA considerou a possibilidade de tentar capturar a Ilha de Kharg — um importante centro de exportação iraniano — ou de bombardear as instalações nucleares iranianas na Montanha Pickaxe.

No entanto, Trump não descartou totalmente a busca por uma solução diplomática, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou durante a noite de domingo (19) que a porta permanece aberta para um retorno à mesa de negociações.

Semana começa com mais bombardeios

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta segunda-feira (20) ter atacado a Base Aérea de Al-Sakhir, o Porto de Bin Salman no Bahrein e a Base de Arifjan no Kuwait. As forças armadas do Kuwait informaram que estavam “interceptando alvos hostis” pela segunda vez nesta segunda-feira.

O anúncio ocorre após um fim de semana intenso de trocas de ataques, com as Forças dos Estados Unidos atingindo o território iraniano e Teerã bombardeando nações árabes e do Golfo aliadas dos americanos.

No Estreito de Ormuz, um navio-tanque foi “atingido por um projétil desconhecido”, informou a autoridade marítima do Reino Unido (UKMTO) nesta segunda-feira (20). A embarcação pegou fogo e ficou à deriva na costa de Omã, enquanto a tripulação “abandonou a embarcação em segurança”, acrescentou a UKMTO.

Os ataques fazem parte de uma escalada no confronto entre os Estados Unidos e o Irã, após um acordo de cessar-fogo provisório, assinado há um mês, ter fracassado. Isso aprofundou a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz, prejudicando o fornecimento de energia e alimentando temores de inflação global.

Estreito de Bab el-Mandeb bloqueado

Os Houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, anunciaram também nesta segunda-feira a imposição de um bloqueio naval à Arábia Saudita.

O Irã vinha pressionando os Houthis a fechar o Estreito de Bab el-Mandeb, na entrada do Mar Vermelho, caso os EUA continuassem a atacar a infraestrutura energética iraniana.

Em comunicado, as forças armadas do grupo declararam “um embargo marítimo contra o inimigo saudita criminoso, com base na lógica de ‘olho por olho’, com efeito imediato…”

Os Houthis afirmaram que a decisão foi uma resposta ao que classificaram como um “cerco injusto e opressor” imposto ao Iêmen pelos sauditas.

A medida abre uma nova frente na guerra do Oriente Médio, que tem os Estados Unidos contra o Irã, e amplia a ameaça ao abastecimento global de energia e ao comércio para além da região do Golfo.

Não houve reação imediata por parte da Arábia Saudita.

O fechamento total do Estreito de Bab el-Mandeb reduziria a oferta global de petróleo em 7%, impedindo o escoamento da maior parte das exportações de petróleo saudita para fora da região.

Essa interrupção se somaria à drástica redução nos fluxos globais de petróleo causada pela guerra no Golfo, que já diminuiu os embarques em 10% da oferta mundial.

Esforços diplomáticos para restaurar o cessar-fogo

O anúncio dos Houthis ocorreu após sinais, tanto do Irã quanto dos EUA, de interesse em retomar esforços diplomáticos para encerrar uma escalada de ataques que praticamente inviabilizou o frágil acordo provisório assinado no mês passado.

Uma autoridade iraniana de alto escalão disse à Reuters, nesta segunda-feira (20), que Teerã recebeu uma proposta de mediadores para um cessar-fogo de 10 dias, numa tentativa de salvar o acordo provisório. O objetivo é abrir caminho para um acordo duradouro que encerre a guerra iniciada em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã.

Os preços do petróleo chegaram a superar brevemente os 90 dólares por barril nesta segunda-feira, após novas interrupções na navegação pelo Estreito de Ormuz. Posteriormente, os preços recuaram um pouco depois que o Ministério das Relações Exteriores do Irã informou que mediadores haviam apresentado propostas a Teerã recentemente, sinalizando que os contatos diplomáticos permanecem ativos.

Nem o ministério nem a autoridade que falou à Reuters forneceram mais detalhes sobre as supostas discussões de cessar-fogo.

Paralelamente, duas fontes do governo paquistanês informaram que o ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni — em sua segunda visita a Islamabad em menos de uma semana —, pediu ao Paquistão que retomasse seu papel de mediador no conflito do Irã com os Estados Unidos.

Essa intensa atividade diplomática ocorreu depois que a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atingido instalações militares dos EUA em toda a região, na sequência de mais uma noite de bombardeios americanos contra cidades iranianas.

*Com informações da agência de notícias Reuters

 



Revista do Ceará e CNN

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