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Ecodust Ambiental defende resíduos sólidos como parte da infraestrutura estratégica do Brasil | Saftec Digital

Anistia ampla, geral e irrestrita é impossível, diz relator | Política

Resíduos sólidos urbanos raramente aparecem nas discussões sobre infraestrutura nacional. O tema costuma ficar restrito à pasta de meio ambiente ou de limpeza urbana, distante da mesa em que se discutem energia, transporte e saneamento como prioridades de investimento. A Ecodust Ambiental, empresa brasileira que desenvolve tecnologia para tratamento sustentável de resíduos sólidos, defende que essa separação já não reflete a importância real do setor para a economia do país.

O que a empresa entende por infraestrutura estratégica?

Na leitura da Ecodust Ambiental, a forma como um país trata seus resíduos sólidos se conecta a pelo menos seis frentes já tratadas como prioridade em outras políticas públicas: crescimento econômico, segurança sanitária, segurança energética, segurança climática, desenvolvimento industrial e competitividade dos municípios. A esses fatores, soma-se ainda o impacto sobre atração de investimentos, geração de empregos e qualidade de vida da população.

A empresa argumenta que resíduos sólidos deixaram de ser apenas uma pauta ambiental isolada. Eles têm ligação direta com segurança energética, com competitividade das cidades e com geração de emprego, três frentes que já recebem atenção prioritária em outras discussões sobre infraestrutura no país. Tratar resíduos sólidos como tema à parte dessas discussões, na avaliação da Ecodust Ambiental, significa subestimar o peso real do setor sobre a economia brasileira.

O impacto econômico de uma cadeia ainda pouco reconhecida como tal

Resíduos sólidos raramente entram na conversa sobre Custo Brasil, mas fazem parte dela. A destinação inadequada gera custo público recorrente, ocupa espaço fiscal que poderia financiar outras prioridades municipais e ainda deixa de captar valor econômico de materiais que poderiam voltar à cadeia produtiva por meio de reciclagem e recuperação energética. Esse potencial de geração de empregos, tanto na coleta seletiva quanto na operação de plantas de tratamento, ainda é subdimensionado nas discussões sobre impacto do setor no PIB.

Cada tonelada de resíduo que deixa de ser tratada e recuperada representa também um mercado de recicláveis que segue subaproveitado, segundo a leitura da empresa. É uma cadeia produtiva que já existe, mas que opera muito abaixo de sua capacidade de gerar valor econômico circulante.

Quais mecanismos de financiamento já existem, e o que falta para acessá-los?

O Brasil conta com estrutura de financiamento voltada ao setor. Linhas de crédito específicas para saneamento e meio ambiente são operadas por BNDES e FINEP, e instrumentos como parcerias público-privadas, concessões municipais, fundos ESG, green bonds e mecanismos de financiamento climático vêm ganhando espaço em projetos que reduzem emissões de metano e ampliam a valorização energética de resíduos. Bancos multilaterais também têm ampliado linhas voltadas a projetos de economia circular e infraestrutura ambiental em países emergentes.

O gargalo, segundo a Ecodust Ambiental, não é a oferta de capital. É a capacidade técnica de estruturar um projeto que combine viabilidade ambiental, segurança jurídica e retorno financeiro no mesmo desenho. “Poucos municípios têm equipe capacitada para transformar um problema de gestão de resíduos em um projeto bancável, com indicadores como retorno sobre investimento, valor presente líquido e taxa interna de retorno calculados de forma que um investidor consiga avaliar”, explica o Eng. Marcello José Abbud, Diretor de Operações da Ecodust Ambiental. Critérios técnicos como análise de ciclo de vida do processo e escalabilidade da tecnologia empregada também entram nessa avaliação, e ajudam a comparar diferentes alternativas antes da decisão de investimento.

Por que resíduos sólidos são discutidos como infraestrutura estratégica, e não apenas como pauta ambiental? Porque a forma como um país trata seus resíduos afeta diretamente crescimento econômico, segurança sanitária, energética e climática, além da competitividade das cidades, segundo o argumento defendido pela Ecodust Ambiental.

Como o mercado internacional trata resíduos como ativo, e o que o Brasil pode aprender?

Em geografias com menor disponibilidade de área para aterros, caso de parte da Europa e de países densamente povoados da Ásia, a escassez de terreno acelerou a adoção de tecnologias de valorização energética e recuperação de materiais como parte da matriz padrão de tratamento, não como exceção. O mercado financeiro acompanhou esse movimento por meio de fundos especializados em infraestrutura ambiental, e o conceito de urban mining, a recuperação de materiais valiosos presentes em resíduos urbanos, já orienta parte da estratégia industrial desses países.

O Brasil, com disponibilidade de área historicamente maior, não sentiu a mesma pressão até aqui, o que também deixou em segundo plano a atração de capital para tecnologias alternativas ao aterro sanitário. Essa margem, no entanto, tende a se estreitar à medida que aterros próximos a grandes centros urbanos se aproximam da capacidade máxima.

Um argumento que a Ecodust Ambiental pretende reforçar

A tecnologia para tratar resíduos sólidos de forma mais eficiente já existe e está disponível no país. O que falta, defende a empresa, é o setor conquistar, na conversa sobre infraestrutura nacional, o mesmo espaço que já ocupam energia, transporte e saneamento, com o reconhecimento de que gestão de resíduos gera emprego, atrai investimento e movimenta uma cadeia produtiva própria. Essa é a posição que a Ecodust Ambiental pretende consolidar nos próximos anos.



Valor Econômico

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